A música entrou cedo na vida de Leyvisson Leonaldo Lima Mascena de Oliveira. Antes mesmo de entender o que era palco, público ou carreira, o som já fazia parte da rotina. Filho e neto de músicos, ele cresceu observando instrumentos, ensaios e apresentações como quem observa a própria história sendo escrita. Hoje, aos 25 anos e com mais de sete mil ouvintes mensais no Spotify, o cantor potiguar atende pelo nome artístico de Leon Araújo e carrega no repertório um projeto que mistura herança familiar, identidade nordestina e ousadia criativa.
A relação de Leon com a música começou cedo e dentro de casa. “Minha relação com a música é desde a pouca idade, já que tinha como referência meu pai e meu avô que atuaram na música por muitos anos”, conta. Ainda criança, iniciou tocando prato na banda marcial da escola. O avanço foi rápido: em poucas semanas já ensaiava no saxofone e, logo depois, estava tocando em eventos da cidade. Aos 7 anos, ganhou o primeiro violão e aprendeu praticamente sozinho. A experiência ganhou outro rumo aos 15, quando entrou para o ministério de música da igreja que frequentava em Parnamirim e passou a cantar.

A decisão de seguir carreira profissional veio mais tarde, amadurecida pelo desejo de alcançar pessoas por meio da música. “Já acompanhava pelas redes sociais o trabalho de alguns cantores e vi ali uma chance de, por meio da música, ajudar muitas pessoas”, afirma. Em 2022, começou a se programar para realizar shows e dar os primeiros passos como artista profissional.
Ser um artista potiguar em um mercado cada vez mais dominado por grandes estruturas não é simples. Leon reconhece as dificuldades de produzir no Rio Grande do Norte e de competir em plataformas digitais altamente disputadas. Ainda assim, vê na resposta do público um sinal de força. “Quando o povo quer… não tem quem segure”, resume. Para ele, a conquista de ouvintes de forma espontânea é uma das maiores recompensas do processo.
As referências musicais de Leon também nascem no ambiente familiar. Pai e avô seguem como bases de sua formação artística. Entre os nomes do mercado atual, ele cita Wesley Safadão como inspiração por unir carreira artística e visão empresarial. Essa combinação entre tradição e observação do mercado aparece de forma clara em uma das apostas mais ousadas do cantor: a mistura do forró com o universo irreverente dos Mamonas Assassinas.
A ideia surgiu da vontade constante de fazer algo diferente. Desde os tempos de escola, Leon já brincava cantando músicas da banda. O estalo definitivo veio quando uma fã comentou que ele lembrava Dinho, vocalista dos Mamonas. “Isso ficou na minha cabeça, martelando. ‘Tenho que fazer alguma coisa com essa informação’”, relembra. A canção Mulher pra mais de cem entrou por último no álbum e acabou se tornando um dos grandes destaques do projeto, ao unir forró e um dos maiores fenômenos da música brasileira.
A viralização nas redes sociais não alterou sua essência criativa, mas reforçou o caminho escolhido. “Minha linha de produção sempre foi essa de fazer coisas diferentes”, diz. O alcance no TikTok e no Instagram trouxe mais fôlego para continuar experimentando e já impulsiona os planos para os próximos lançamentos.
Nas letras, Leon busca transmitir sentimentos diretos e universais. “Alegria! Felicidade!”, define. Um dos momentos mais marcantes, segundo ele, foi ver pessoas gravando vídeos com suas músicas e exibindo sorrisos espontâneos. “Se minha música transmite alegria para as pessoas… tô feliz 100%”.
O futuro segue alinhado ao que ele já apresenta no presente: inovação sem perder a raiz. Os projetos levam o nome “DNA – forró do meu jeito”, conceito que resume bem sua proposta artística. “Carrega minhas ideias, meio loucas, mas com o intuito de levar algo divertido para todos vocês e sem tirar a essência do nosso forró”, explica.
Esse diálogo entre forró, cultura nordestina e música pop deve se intensificar nos próximos trabalhos. Criado em meio a referências diversas — da MPB ao pop rock, passando por músicas internacionais e sonoridades dos anos 1990 — Leon vê nessa mistura uma fonte constante de criação. Produzindo a própria banda, transforma o processo em algo ainda mais livre e prazeroso.