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Política

Ivan Baron rebate críticas da esquerda por se filiar ao MDB: “Não me rendo a rótulos”

Pré-candidato a deputado estadual afirma que decisão foi estratégica, diz que nunca teve filiação partidária anterior e defende a inclusão como pauta que não se submete a rótulos ideológicos
Redação
27/01/2026 | 05:05

O ativista potiguar Ivan Baron, que se dedica à pauta da inclusão das pessoas com deficiência, se defendeu das críticas que vem recebendo de militantes de esquerda por ter se filiado ao MDB. Pré-candidato a deputado estadual nas eleições de outubro, Baron declarou que sua atuação política não se submete a “rótulos ideológicos” e que a pauta da inclusão não pode ser apropriada por um único campo político.

Em entrevista à rádio Cidade nesta segunda-feira, o ativista de 27 anos destacou que sua decisão foi tomada a partir de critérios de viabilidade e compromisso com a causa que representa. “Desde o momento em que eu anunciei a minha pré-candidatura, eu já senti, na pele, essa picuinha. Inclusão não tem lado. Eu não me rendo a rótulos. Eu vou para o espectro que melhorar e incluir a vida das pessoas”, disse Baron.

Ivan Baron
Ativista da inclusão Ivan Baron é pré-candidato a deputado estadual pelo MDB - Foto: Instagram/Reprodução

Baron enfatizou que críticas fazem parte do processo político, mas ele relata episódios que extrapolaram o debate. “Eu não esperava ataques e perseguições do tipo me chamarem de ingrato, traíra”, afirmou, ao lembrar que nunca foi filiado a outro partido e, portanto, não rompeu compromissos partidários anteriores.

Ao explicar a escolha pelo MDB, ele afirmou que era necessário buscar uma legenda que oferecesse condições reais de disputa. “É preciso analisar as melhores formas de a gente ter uma candidatura competitiva, viável, que de fato dê segurança. Porque eu não estou entrando numa aventura”, declarou. Segundo o ativista, o objetivo central do projeto é “defender e melhorar a qualidade de vida de tanta gente que ainda é abandonada pelo poder público”.

Ivan também ressaltou que sua aproximação com o MDB não começou agora. Ele contou que passou a dialogar com o partido a convite do vice-governador Walter Alves, presidente estadual da legenda, e que manteve conversas em nível nacional, inclusive com o presidente da sigla, deputado federal Baleia Rossi. Ao tratar dessas articulações, afirmou ter deixado claro que sua pauta não é negociável. “A minha pauta é algo inegociável, porque vai além de política, é uma pauta de vida”, disse, acrescentando: “Não adianta eu vir a um partido ou uma sigla que eu me venda, porque comigo não rola”.

Ao mesmo tempo, o pré-candidato reforçou que não abandonou posições progressistas. Declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou manter proximidade com setores desse campo, sem, contudo, se prender a rótulos. “Eu sempre tive uma aproximação mais à galera progressista. Até porque eu sou um apoiador assumido do presidente Lula. Em 2026, eu apoio a sua reeleição”, afirmou, ponderando que isso não o impede de fazer críticas quando julgar necessário.

Durante a conversa, Ivan voltou a criticar a polarização política e disse que não dialoga com extremismos. “Eu não compactuo, não dialogo com pré-candidatos extremistas, seja tanto do espectro da direita quanto da esquerda. Porque quando radicaliza a discussão, não dá brecha para o debate e principalmente ao diálogo”, afirmou. Para ele, a política precisa ser construída a partir de pessoas e movimentos, e não apenas de siglas.

Trajetória de ativismo

Além de rebater as críticas partidárias, Ivan contextualizou sua trajetória de ativismo. Jovem com paralisia cerebral desde os três anos de idade, ele relatou que as maiores limitações enfrentadas ao longo da vida não foram impostas pela deficiência, mas pelas barreiras sociais. “O que me paralisa mesmo, o que me limita é a própria sociedade preconceituosa, é a negação de oportunidades e a falta de acessibilidade”, disse.

Ele contou que passou a usar as redes sociais, a partir de 2018, como espaço de conscientização, unindo sua formação em pedagogia à militância digital. Em 1º de janeiro de 2023, ganhou projeção nacional ao subir a rampa do Palácio do Planalto durante a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o 3º mandato. Hoje, Baron tem 545 mil seguidores.

“Antes de tudo, eu também sou professor”, lembrou, ao explicar que buscava alguém com “legitimidade e representatividade” para falar sobre vivências de pessoas com deficiência e propor mudanças concretas.

No campo conceitual, Ivan explicou o que é capacitismo, termo que define o preconceito contra pessoas com deficiência. “Capacitismo é um preconceito direcionado às pessoas com deficiência”, afirmou, comparando-o a outras formas estruturais de discriminação. Segundo ele, trata-se de uma pauta que deve ser assumida por toda a sociedade. “Capacitismo é uma luta que não é apenas das pessoas com deficiência, mas de toda a sociedade”, declarou.

Ao final da entrevista, Ivan voltou a destacar que políticas de acessibilidade beneficiam a coletividade. “Todo mundo ganha quando algo é acessível”, disse, citando que medidas desse tipo impactam não apenas pessoas com deficiência, mas diferentes grupos sociais. Para ele, a possível eleição de um deputado estadual com deficiência seria um marco histórico no Estado, mas, mais que isso, um passo na construção de políticas públicas mais inclusivas.

“Eu estou entrando em um projeto que tem como objetivo principal defender e melhorar a qualidade de vida de tanta gente que ainda é abandonada pelo poder público”, resumiu, ao reiterar que sua atuação política seguirá ancorada na causa da inclusão — independentemente da legenda.