BUSCAR
BUSCAR
Agora RN Pipa

Irregularidade fundiária atinge 80% dos imóveis de posse em Pipa

Distrito que concentra 1/3 da população de Tibau do Sul não gera receita oriunda do Imposto sobre Transmissão Inter Vivos de Bens Imóveis (ITIV)
Redação
29/03/2018 | 12:27

A lei que facilita a regularização de imóveis irregulares da União (Reurb), sancionada pelo presidente Temer em julho do ano passado, já destravou a titularidade de mais de 4.500 imóveis no Rio Grande do Norte, segundo o Departamento de Assuntos Fundiários do Ministério das Cidades.

Entre as exceções está Tibau do Sul, um dos municípios potiguares mais assolados por problemas fundiários no RN.

Irregularidade fundiária atinge 80% dos imóveis de posse em Pipa - Agora RN

Por absoluta ausência de estatísticas oficiais, acredita-se que até 80% dos imóveis em toda Tibau do Sul não tenham escritura de pública de propriedade.

Com isso, Pipa, distrito que concentra 1/3 da população do município — com pouco mais de 5 mil de seus 15 mil habitantes — perde uma grande volume de arrecadação tributária em face da ausência da regularização fundiária dos imóveis.

“O Imposto sobre Transmissão Inter Vivos de Bens Imóveis — ITIV —, que é de 3% sobre cada transferência de titularidade de um imóvel, são valores extraordinariamente grandes em se tratando de Pipa, onde imóveis mudam de dono com frequência”, diz a advogada especializada em Direito Tributário e Imobiliário Laira Sousa.

Com escritório em Natal, há tempos ela abriu uma filial em Pipa por um motivo compreensível: hoje, 80% de sua carteira de clientes está no distrito.

Por conta das exuberantes demandas em Pipa, Laira foi obrigada a se especializar em Direito Ambiental, já que boa parte do distrito é Área de Proteção , com mata atlântica, dunas e falésias presentes, o que exige emissões de licença por parte do Idema.

Por outro lado, entre o centro do município de Tibau do Sul e Pipa, existe um grande vazio de terras intocadas por desinteresse dos proprietários em vender, fazendo com que o crescimento imobiliário se concentrasse em Pipa, cuja área central extremamente valorizada e já esgotada empurrou novos empreendimentos no sentido de Sibaúma e de áreas rurais improdutivas.

Enquanto em Natal não se registra um único lançamento imobiliário há três anos, no sentido Pipa-Sibaúma já foram lançados vários empreendimentos de sucesso, entre eles, um condomínio fechado com campo de golf, um grande loteamento e um condomínio residencial – só para ficar nesses três casos.

Laira Sousa diz que não se trata ali apenas de segunda residência, movimento sempre associado a localidades de praia.

“São pessoas de alto padrão financeiro e cultural, bem-sucedidas profissionalmente, que compram para morar. Deixam suas residências tradicionais em busca do paraíso”, acrescenta.

RESPONSABILIDADE MUNICIPAL
Para a advogada, que encontrou em Pipa uma boa opçao profissional de mercado, a falta de uma secretaria ou mesmo uma divisão dedicada às regularizações fundiárias é o que prejudica não só Pipa particularmente, mas todo o município de Tibau do Sul.

“Nesse contexto, o papel do município é imprescindível, já que é ele quem analisa os projetos de regularização e emite os certificados de poosse. Sem essa opção, resta aos posseiros apenas o usso do instituto do usucapião judicial ou extrajudicial”, lamenta.

A advogada diz que, mais recentemente, o município começou a fazer usucapião extraordinário, uma ação extrajudicial celebrada em cartório, mais rápida e simples, desde que não haja conflito de terra, comprove-se o tempo dessa posse e concordância por parte dos confinantes.

Só tem um problema, ela alerta. Com a certidão de desocupação do solo em mãos, muitos compradores acreditam poder construir na área. Mas, quando iniciam o empreendimento e como ele está dentro de uma Área de Proteção Ambiental, precisam pedir o licenciamento do Idema.

“Justamente por estarem perto da Mata Atlântica ou próxima de área de falésia ou de duna recentemente georreferenciada – e que não é mostrada muitas vezes na certidão de desocupação do solo – é quando os problemas começam”, destaca a especialista.