Presa nesta quinta-feira, a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra atuava, segundo as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo, como uma espécie de “caixa do crime organizado”, recebendo recursos da facção PCC em contas pessoais e empresariais para dificultar o rastreamento da origem ilícita do dinheiro.
De acordo com a polícia, os valores eram enviados principalmente por meio de uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista, cidade que abriga um complexo penitenciário. O dinheiro era misturado a recursos de outras atividades e depois retornava ao grupo criminoso, numa etapa conhecida como dissimulação financeira.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões ligados à influenciadora. A investigação identificou depósitos, transferências e movimentações em diversas contas de Pessoa Física e Jurídica vinculadas a Deolane, embora o valor total movimentado ainda não tenha sido calculado.
O delegado Edmar Caparroz afirmou que a influência e o patrimônio acumulado por Deolane ajudariam a dar aparência de legalidade aos recursos. Segundo ele, o esquema utilizava depósitos em espécie ordenados pela cúpula da facção.
A operação também teve mandados contra Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC e já preso, além de parentes dele. Entre os alvos estão Everton de Souza, conhecido como “Player”, identificado como operador financeiro da organização, e Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, que está em Madri.
As investigações começaram a partir da apreensão, em 2019, de bilhetes manuscritos encontrados em um presídio de Presidente Venceslau. O material mencionava uma “mulher da transportadora”, apontada como responsável por levantar endereços de agentes públicos para possíveis ataques planejados pela facção.
A defesa de Deolane informou que ainda está tomando conhecimento do caso. Os advogados de Marcola também disseram que vão analisar os autos.