BUSCAR
BUSCAR
Humanidade
Imagem de idosa venezuelana carregada para cruzar rio que separa México dos EUA ressalta drama dos imigrantes
Mulher era da cidade de Maracaibo, no noroeste da Venezuela, um antigo paraíso petroleiro
O Globo
28/05/2021 | 14:01

É uma imagem que se repete diariamente no Rio Grande, que delimita milhares de milhas de fronteira entre os Estados Unidos e o México: centenas de imigrantes e refugiados atravessam o rio, chamado de Bravo pelos mexicanos, de barco ou a pé nos trechos mais rasos, com a esperança de serem acolhidos em território americano e encontrarem um futuro melhor. Mas há cenas, como a protagonizada nesta semana por uma idosa venezuelana, que impactam especialmente por sua crueldade. O corpo da mulher, quase inerte, mas ainda com vida, vestindo camiseta rosa, calça cinza de moletom, máscara e uma aliança na mão esquerda, carregada por outro imigrante em direção à localidade de Del Rio, no Texas, como apresentação como imagens do fotógrafo Go Nakamura, da agência Reuters.

Um vídeo publicado nas redes sociais por Jorge Ventura, do site direitista Daily Caller, mostra a idosa, muito magra e com problemas de mobilidade, sendo auxiliada por um agente migratório, a quem diz ser originária da cidade de Maracaibo, no noroeste da Venezuela, um antigo paraíso petroleiro que agora sofre constantes apagões, entre outros reflexos de uma crise política e econômica que parece interminável e mergulhou o país sul-americano na pobreza e na insegurança.

Quase nada mais se sabe sobre uma mulher, identificada como Irma, de 80 anos, nas redes sociais e os grupos do WhatsApp onde os venezuelanos expressam suas fr possíveis. Um porta-voz da Patrulha de Fronteira dos EUA disse ao El País que por motivos de privacidade não podia “identificar nem dar informação de conforme sob custódia”.

A idosa chegou junto com dezenas de outros venezuelanos, como mostra os vídeos e fotos dos jornalistas presentes ponto da fronteira texana. Eram homens jovens ajudando mulheres, carregando mães de colo ou puxando pela mão crianças com seus bonecos, pessoas que se ajoelhavam, se abraçavam e choravam após pisar no território americano, que um deles chama de “terra abençoada”.

Também se veem migrantes com malas sobre a cabeça, como aquele há anos carregam os milhares de venezuelanos que saíram por trilhas para a Colômbia , os caminhantes que cruzaram os Andes em direção ao Equador, Chile ou Peru, ou os que se dispuseram a entrar no Brasil. É um incessante conta-gotas de 5,5 milhões de pessoas, a maioria “sem perspectiva de retorno em curto ou médio prazo”, segundo as últimas cifras do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

O órgão qualificou o êxodo venezuelano como “o maior da História recente da América Latina”, composto por Imigrantes que “chegam em situação de extrema necessidade” e frequentemente precisar enfrentar “uma exploração trabalhista e sexual, o tráfico humano, a violência ea discriminação” .

Nos Estados Unidos, o governo de Joe Biden anunciou no início de março um status de proteção temporária (TPS, na sigla em inglês) aos venezuelanos que estavam em situação irregular nos Estados Unidos naquela data por causa da “crise humanitária” em seu país sob o regime de Nicolás Maduro, uma medida que permitiria residir de forma legal e trabalhar. Segundo a Casa Branca, o programa beneficiário 320 mil cidadãos que já estavam em solo americano quando a medida foi aprovada, mas exclui os que chegaram a partir de dados estabelecidos.

Assim, o grupo que inclui Irma se deparou na fronteira com outro drama que tampouco parece ter fim: o de uma crise migratória na qual dezenas de milhares de latino-americanos arriscam sua vida a cada ano. Só no mês de abril, a Patrulha Fronteiriça dos EUA teve mais de 178 mil encontros com pessoas sem documentos, a maior quantidade em 15 anos.

A maioria foi devolvida sumariamente para o México, conforme prevê o chamado Artigo 42, uma norma implementada pelo governo de Donald Trump e mantida pelo Biden que implica o fechamento da fronteira terrestre a atividades não essenciais e os novos casos de asilo.

Apesar de Biden ter autorizado algumas exceções, como os menores não acompanhados, algumas famílias com crianças muito pequenas ou consideradas mais vulneráveis, a regra sendo usada para justificar a devolução de filhos de milhares de imigrantes em perigosas cidades do Norte mexicano, onde muitas vezes ficam expostos ao crime organizado e à incerteza.

Algumas semanas, viralizaram as imagens de uma idosa hondurenha de 93 anos que fugia da violência em seu país e atravessou o Rio Grande numa balsa onde também levava sua cadeira de rodas. A mulher, que viajava com suas filhas, disse aos jornalistas que pretendia reencontrar sua neta em Nova Jersey, mas foi expulsa para Reynosa (Tamaulipas, Norte do México), onde morreu dias depois.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - redacao@agorarn.com.br
Comercial: (84) 98117-1718 - publica@agorarn.com.br
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.