BUSCAR
BUSCAR
Tecnologia

IA avança nos investimentos e muda rotina de bancos

Tecnologia já auxilia na análise de investimentos, planejamento financeiro e atendimento a clientes, mas especialistas apontam limites e desafios
Por O Correio de Hoje
01/06/2026 | 12:49

A inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas uma promessa para o mercado financeiro e já se tornou uma ferramenta presente tanto nas grandes gestoras de recursos quanto nos aplicativos utilizados por investidores. A tecnologia hoje auxilia na análise de cenários econômicos, responde dúvidas sobre produtos financeiros, sugere estratégias de investimento e até ajuda no planejamento tributário e sucessório.

Nas gestoras, a IA vem sendo incorporada para processar grandes volumes de informação em alta velocidade. Relatórios corporativos, indicadores econômicos, notícias e até menções a ativos em redes sociais passaram a ser analisados por sistemas capazes de identificar tendências e auxiliar profissionais na tomada de decisão. O avanço ocorre acompanhado da criação de políticas internas de uso e de programas de capacitação para equipes.

Banco
Tecnologia facilita acesso a serviços - Foto: Reprodução

Levantamento realizado pela Empiricus Research mostra que a adoção da tecnologia já é uma realidade entre os gestores de recursos. Segundo a pesquisa, 9% dos entrevistados afirmaram utilizar inteligência artificial de forma ampla em diferentes áreas da gestão. Embora o processo ainda esteja em expansão, nenhum dos participantes declarou estar em fase apenas experimental ou sem qualquer utilização da ferramenta. O estudo ouviu, entre 4 e 8 de maio deste ano, 30 gestores de fundos multimercados que administram, juntos, mais de R$ 160 bilhões em patrimônio.

O uso da inteligência artificial também tem se expandido para o investidor pessoa física. Na Área do Investidor da B3, por exemplo, já é possível acessar ferramentas que analisam empresas listadas na bolsa e apresentam recomendações de compra ou venda. Em março deste ano, a fintech Gorila lançou o Gorila AI, plataforma que permite sincronizar a carteira de investimentos com os dados da B3 e receber análises sobre ativos, além de orientações relacionadas a impostos, sucessão patrimonial e alocação de recursos.

Os grandes bancos também aceleraram a adoção da tecnologia. O Itaú começou a disponibilizar em 2025 um assistente virtual capaz de esclarecer dúvidas, recomendar produtos e realizar aplicações em títulos de renda fixa diretamente pelo chat. Mais recentemente, o Inter lançou a assistente Seven, que reúne funções como reinvestimentos automáticos, análise de extratos e serviços ligados a consórcios. Já o BTG Pactual apresentou a ferramenta Minhas Finanças, que utiliza inteligência artificial integrada ao Open Finance para consolidar contas bancárias, categorizar despesas e identificar padrões de consumo.

Especialistas avaliam que a principal vantagem da IA está na capacidade de processar informações em escala e fornecer respostas rapidamente. A tecnologia consegue consultar múltiplas fontes simultaneamente e transformar grandes volumes de dados em análises acessíveis ao usuário.

Ao mesmo tempo, o avanço dessas ferramentas traz desafios. A planejadora financeira certificada Estela Borgheri destaca que a qualidade das respostas depende diretamente das informações fornecidas pelo investidor. Segundo ela, a construção de uma carteira adequada exige a consideração de fatores como idade, objetivos, patrimônio, perfil de risco e situação financeira, dados que nem sempre são informados corretamente às plataformas.

A especialista ressalta que investir não significa apenas buscar os produtos com maior rentabilidade. Aspectos pessoais e familiares influenciam o planejamento financeiro e precisam ser incorporados à análise. Por isso, recomenda que o usuário formule perguntas detalhadas e forneça contexto suficiente para que a inteligência artificial produza respostas mais alinhadas à sua realidade.

Para o setor, a tendência é que a tecnologia amplie o acesso a serviços financeiros. Guilherme Assis, cofundador e CEO da Gorila, acredita que soluções totalmente baseadas em inteligência artificial poderão atender investidores de menor renda, público que atualmente muitas vezes não conta com acompanhamento profissional. Já entre clientes de alta renda, a expectativa é de que a IA funcione como complemento ao trabalho dos especialistas, sem substituí-los.

O avanço da tecnologia também deve transformar a atuação dos assessores de investimentos. Para Diego Ramiro, presidente da Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos (ABAI), a inteligência artificial tende a assumir tarefas operacionais e burocráticas, permitindo que os profissionais concentrem esforços em atividades estratégicas e consultivas.