O comércio do Alecrim entra no período mais aguardado do ano com expectativa elevada de crescimento, reforço no horário de funcionamento, campanhas promocionais e uma intensa agenda de ações culturais e institucionais. Segundo o empresário Matheus Feitosa, presidente da Associação dos Empresários do Bairro do Alecrim (Aeba), a projeção é de que as vendas superem em mais de 20% os resultados de 2024.
A projeção otimista para 2025 é baseada em estudos e indicadores de instituições como Fecomércio, Sebrae, Jucern e Fiern.

Nesta quarta-feira 24, véspera de Natal, a maior parte das lojas funciona até 18h, com alguns estabelecimentos, especialmente de roupas e calçados, estendendo o expediente até 18h30 ou 19h. Nesta quinta-feira 25, estará fechado. Já no dia 31, o Alecrim terá funcionamento até 17h. O Shopping 10 e o Camelódromo também acompanham esse movimento, ampliando o atendimento conforme a demanda.
Vestuário lidera vendas; maquiagem cresce
O vestuário segue como o principal campeão de vendas no período natalino, especialmente nas bancas e lojas populares. Em seguida, aparecem calçados, perfumaria e maquiagens — estas últimas em forte crescimento em relação ao ano passado.
Eletrônicos e eletrodomésticos também figuram entre os produtos mais procurados. As vendas começam a ganhar tração já em novembro, impulsionadas pela Black Friday e por ações próprias do bairro, como o “Esquenta Black Friday do Alecrim”, realizado no fim de semana e com funcionamento aos domingos.
Campanhas, cultura e experiência do cliente
Além de preços competitivos, o Alecrim investe em ações que buscam melhorar a experiência de compra. Uma das principais é o Brilha Natal, campanha da Fecomércio que chega à terceira edição em 2025, com apresentações itinerantes de música e teatro nas ruas do bairro. “Essas ações criam uma atmosfera de magia. As pessoas ficam mais tempo no Alecrim, consomem mais e isso impacta positivamente todo o comércio”, diz Feitosa, em entrevista à TV Agora RN.
Outra iniciativa é a participação em campanhas promocionais, como a Luz de Prêmios, da CDL Natal. Compras a partir de R$ 50 garantem cupons para concorrer a prêmios, com urnas distribuídas estrategicamente pelo bairro.
A segurança é uma das principais preocupações no período de maior fluxo. A Aeba atua em parceria com a Polícia Militar, Guarda Municipal e empresas privadas de vigilância. Uma das medidas mais valorizadas é o policiamento a pé, voltado à prevenção de furtos em áreas de grande circulação.
“Não é o cenário ideal, mas é um trabalho conjunto que traz mais conforto para o cliente”, afirma o presidente da associação, que agradeceu publicamente a atuação de agentes da PM e da Guarda Municipal.
Mobilidade: desafio permanente
Apesar de o Alecrim contar com mais de duas mil vagas, entre públicas e privadas, a disponibilidade de estacionamento segue como gargalo. Segundo Feitosa, o problema está menos na oferta e mais no uso inadequado.
“Proprietários, funcionários, camelôs e feirantes ocupam as vagas cedo, esquecendo do cliente”, afirma. A STTU tem atuado na orientação e retirada de veículos estacionados irregularmente, priorizando ações educativas antes da aplicação de multas.
Ordenamento urbano e ambulantes
Outro ponto sensível é a ocupação irregular de calçadas por ambulantes e camelôs, o que dificulta a circulação de pedestres e o acesso às lojas. A Aeba cobra maior presença da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur).
“Pesquisa mostra que empresários e clientes não querem retirar os camelôs, mas defendem organização, com respeito ao espaço público e à acessibilidade”, diz Feitosa, citando a necessidade de garantir passagem para cadeirantes e entrada nas lojas.
Comércio de rua versus shoppings e e-commerce
Diante da concorrência com shoppings e plataformas digitais, o Alecrim aposta no atendimento presencial como diferencial. Capacitações, workshops e parcerias com entidades como Senac, Sesc e Sebrae buscam qualificar vendedores e lojistas.
“O cliente quer conversar, quer orientação, ver o produto, pegar, comparar. Isso cria vínculo”, afirma Feitosa. Ao mesmo tempo, cresce o investimento no digital, com vendas via WhatsApp, Pix e entregas por motoboys e aplicativos.
Redes sociais como Instagram, YouTube e TikTok também entram na estratégia. “O TikTok exige criatividade e humor. É onde nascem as tendências”, observa.
Para além do comércio, Feitosa destaca a riqueza histórica e cultural do Alecrim, com igrejas centenárias, praças tradicionais, clubes, o Alecrim Futebol Clube e o cemitério onde estão sepultadas figuras como Câmara Cascudo e Padre João Maria. “O Alecrim é mais do que comércio. É parte da história de Natal”, afirma.
Na avaliação da Aeba, investir no comércio de rua é uma equação lógica: gera emprego, renda, arrecadação e desenvolvimento urbano. “Quanto mais o poder público investir, mais retorno terá em impostos e qualidade de vida”, diz Feitosa.
Com ações integradas, expectativa de crescimento e forte apelo popular, o Alecrim busca encerrar o ano consolidando-se como motor econômico e social da capital potiguar.