BUSCAR
BUSCAR
Entrevista
Gustavo Rocha: Álvaro faz “coronelismo ultrapassado” e só pensa em projeto pessoal
Empresário critica prefeito de Natal e afirma que gestor municipal está “desesperado” para se tornar conhecido pela população, às vésperas de uma eleição que pode reconduzi-lo ao Palácio Felipe Camarão por 4 anos
Redação
01/07/2020 | 04:55

Na avaliação do empresário Gustavo Rocha, o prefeito de Natal, Álvaro Dias, aproveita a crise do novo coronavírus para fazer populismo. Às vésperas da eleição, o gestor municipal está, segundo Rocha, “desesperado” para se tornar conhecido – com o objetivo de buscar a reeleição.

Nesta entrevista ao Jornal Agora RN, Gustavo Rocha comenta o desempenho do poder público no enfrentamento da pandemia e faz duras críticas não só a Álvaro – a quem se refere indiretamente como “coronel” – como também à gestão da governadora Fátima Bezerra.

Na conversa abaixo, ele também se diz contra a política do isolamento social tal qual ela vem sendo adotada e diz que gestão do presidente Jair Bolsonaro na atual crise é “exemplo” em todo o mundo.

AGORA RN – Como o senhor avalia a condução da crise do coronavírus pela Prefeitura do Natal?

GUSTAVO ROCHA – A gestão da crise pela prefeitura reflete o desespero do prefeito Álvaro Dias para se fazer conhecido. É um esforço que vem sendo feito há algum tempo, mas agora chegou a patamares únicos. Ele ainda precisa combinar isso com o populismo que lhe é peculiar, correndo para tirar proveito de todos os lados e tomando decisões pensando não na coletividade, mas em seu projeto. O próprio secretário de Saúde dele apontou isso. É um prefeito que já mostrou a que veio quando presidiu a Assembleia Legislativa. Conta com o apoio de alguns empresários porque é a coisa mais viável contra Fátima Bezerra, mas quem tem pauta anticorrupção não deveria se juntar em torno dele.

AGORA RN – Qual a sua avaliação sobre o desempenho do Governo do Estado no enfrentamento da pandemia?

GR – O Governo do Estado é um barco à deriva capitaneado por despreparados que só atuaram na vida em retóricas, sem qualquer experiência administrativa. Sob o discurso de promoção popular na tomada de decisão, abrem longos debates que só servem para o caráter enganoso, pois é a ideologia que prevalece, não havendo abertura para o contraditório verdadeiramente. Delegaram as nossas soluções a um consórcio ideológico cujo objetivo é fazer política eleitoral contra o Governo Federal. O resultado está posto, com o Nordeste liderando compras caras de insumos, o que revela ainda o uso do Estado para manutenção de projetos.

AGORA RN – Qual a sua opinião a respeito do isolamento social e fechamento do comércio? O Estado já reúne as condições para retomar as atividades econômicas, mesmo com 1 mil mortes por coronavírus confirmadas?

GR – O presidente Bolsonaro imediatamente se preocupou com os desdobramentos econômicos da pandemia, e o Governo Federal agiu em tempo recorde para atender a população carente com o “coronavoucher”. É um exemplo que está sendo elogiado em todo o mundo. Convém sempre lembrar que o STF definiu que as ações de infraestrutura, organização e atendimento da pandemia devem ser prestados por estados e municípios. O que fizeram no RN?

AGORA RN – O governo estadual não fez o que era possível?

GR – O Estado não deveria nem ter fechado (as atividades econômicas) se o governo tivesse agido em tempo hábil – até agora não agiu – para preparar a infraestrutura hospitalar. O fechamento foi proposto para que a estrutura de saúde ficasse pronta. Quanto ao fato de ter 1 mil mortes confirmadas, é realmente muito ruim que tenhamos chegado até aqui, mas o uso desse número de maneira política não pode deixar de ser apontado. O número que deve balizar nossas ações é o da taxa de ocupação de UTIs, que começa a cair. Se o incompetente governo tivesse agido em tempo e da forma correta, sem esse Consórcio Nordeste suspeito, talvez não tivéssemos passado por tudo isso.

AGORA RN – Na sua avaliação, como será a rotina das empresas no pós-pandemia?

GR – O retorno das empresas será a constatação de que cristais foram quebrados e não se emendam mais. O fluxo de pessoas será bastante reduzido e muitas empresas não terão movimento suficiente para se manterem operacionais.

AGORA RN – O senhor tem feito críticas ao Consórcio Nordeste, por causa da compra frustrada de respiradores. Mas foi o próprio consórcio que denunciou a fraude que diz ter sofrido. O senhor avalia que os governadores mentiram?

GR – O Consórcio Nordeste não passa de um arremedo do que um dia foi feito no País sob os governos do PT, quando vimos em escala oceânica a utilização da máquina para fins de projetos de poder. Inventaram esse consórcio para perpetuar um modelo que foi derrotado pelos brasileiros. O consórcio, nesse sentido, não passa de um ajuntamento de despreparados que não possuem nem capacidade e nem boa-fé para dirigir o destino de milhões de brasileiros da região mais carente do País. Além de utilizarem o consórcio para fazer política retrógrada e atrapalhada, ainda nos devem muitas explicações pelos desmandos e suspeitas de desvios que estão pipocando em todas as suas ações. A minha avaliação é que mentiram, mentem e seguirão mentindo até serem desmascarados, como foram todos eles no governo passado.

AGORA RN – Em um tweet recente, o senhor escreveu que, diante da crise atual, “não há como não haver uma ruptura institucional”. Do que estava falando?

GR – A ruptura institucional estava bastante clara quando a gente vê um poder como o STF avançando em um outro poder como o poder Executivo, utilizando de expediente não constitucional para tutelar e interferir nas prerrogativas que não são suas. Não há como haver harmonia entre poderes quando um destes se excede e passa a perseguir um governo legitimamente eleito. Espero que o STF recue na sua sanha ditatorial e antidemocrática, deixando o governo eleito democraticamente atuar.

AGORA RN – Qual a sua opinião a respeito do provável adiamento das eleições municipais? Ajuda ou atrapalha?

GR – O adiamento das eleições municipais é mais que necessário para que a sociedade consiga se recuperar da pandemia e focar no debate público. Infelizmente, adiarão o pleito, mas não adiarão os prazos para que os partidos possam fazer coligações, já que as forças instaladas não querem que forças emergentes se organizem.

AGORA RN – Como o senhor analisa o atual cenário pré-eleitoral em Natal? Vislumbra algum favorito?

GR – O cenário eleitoral, pelo que está posto, me parece ser o mesmo filme velho que já assistimos mil vezes. O coronelismo ultrapassado de Álvaro Dias se apresentando; depois, alguém da incompetente e corrupta esquerda de sempre; e mais um ou outro aventureiro. Minha preferência é que o bolsonarismo representando por Hélio Oliveira (coronel-aviador filiado ao PRTB, pré-candidato a prefeito) consiga mostrar à sociedade que há pessoas novas com condições de fazer correto e diferente de tudo que já foi feito.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
Av. Hermes da Fonseca, N° 384 - Petrópolis, Natal/RN - CEP: 59020-000
Redação: (84) 3027-1690
[email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.