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Segurança

Governo prepara nova ofensiva contra roubo de celulares

Estratégia prevê reforço na integração de dados, rastreamento de aparelhos e ampliação das ações para devolução dos dispositivos às vítimas
Redação
29/04/2026 | 05:21

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula uma nova etapa de ações voltadas ao combate ao furto e roubo de celulares no país. A iniciativa busca dar mais efetividade a medidas lançadas em 2023 que, internamente, ainda não são consideradas suficientes em termos de resultados. A estratégia em elaboração no Ministério da Justiça prevê reforço na integração de dados, rastreamento de aparelhos e ampliação das ações para devolução dos dispositivos às vítimas.

Um dos principais entraves identificados na fase anterior foi a dificuldade de articulação com as polícias estaduais. Agora, o plano prevê o fortalecimento de um banco de dados nacional com registros de celulares roubados, com cruzamento de informações por meio do código IMEI — identificação única de cada aparelho. A expectativa é que a nova fase seja lançada nas próximas semanas.

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País registrou 850 mil casos de furto e roubo de celulares em 2024 - Foto: José Aldenir

A iniciativa também se insere em um contexto político mais amplo, em que o governo busca melhorar sua avaliação junto à população. Levantamento da Quaest, divulgado em abril, indica que 52% desaprovam a gestão federal, enquanto 43% manifestam aprovação.

Dados reunidos pelo Palácio do Planalto apontam que o roubo e furto de celulares figura entre as principais preocupações dos brasileiros em relação à segurança pública. O problema atinge diferentes faixas sociais e envolve um item considerado essencial no cotidiano. Pesquisa Datafolha do fim de 2024 mostrou que 60% das pessoas evitam usar o celular na rua por receio de assaltos.

A nova abordagem aposta em maior cooperação com estados e na participação de órgãos como o Ministério das Comunicações, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e operadoras de telefonia. O foco será identificar, bloquear e recuperar aparelhos. Uma das medidas em estudo prevê o envio de notificações a usuários que estejam com celulares roubados, orientando a devolução.

O Ministério da Justiça também avalia a adoção de soluções tecnológicas que permitam rastrear dispositivos, realizar bloqueios automáticos e acionar autoridades. Parte das propostas se inspira na experiência do Piauí, que registrou redução significativa desse tipo de crime com um sistema integrado de dados e atuação da Polícia Civil.

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, o país registrou 850.804 casos de furto e roubo de celulares em 2024, queda de 12,6% em relação ao ano anterior. O Piauí liderou essa redução, com recuo de 29,7%, além de apresentar o melhor índice de recuperação de aparelhos — cerca de um dispositivo recuperado a cada 2,7 roubados ou furtados.

A reformulação das políticas busca ampliar os resultados do programa Celular Seguro, lançado em 2023. A ferramenta permite que o usuário registre o aparelho e, em caso de roubo ou perda, faça o bloqueio por meio da conta gov.br. Segundo o Ministério da Justiça, cerca de 4 milhões de CPFs foram cadastrados, com 238.665 celulares bloqueados até o momento. Apesar das atualizações realizadas, a avaliação interna é de que o programa ainda não alcançou o impacto esperado.