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Auto RN

Geely Redenção vê eletrificados saírem do luxo e virarem escolha familiar

Expansão dos híbridos e elétricos transforma o perfil do mercado automotivo no estado e exige nova estrutura de atendimento, consultoria e suporte tecnológico
Redação
06/06/2026 | 05:13

O avanço dos carros eletrificados no Rio Grande do Norte deixou de ser tratado apenas como curiosidade tecnológica ou opção restrita a um público de alto poder aquisitivo. Na avaliação da Geely Redenção, em Natal, os veículos híbridos, plug-in e elétricos já entraram em uma nova etapa do mercado local: passaram a ser considerados por famílias que buscam economia, tecnologia, conforto e menor custo de uso no dia a dia. A mudança, segundo a concessionária, não altera apenas o tipo de carro vendido, mas também a forma de atender, explicar, treinar equipes, preparar oficina e construir confiança no pós-venda.

O gerente da concessionária Geely Redenção em Natal, Ítalo Rodrigo Andrade de Lima, afirma que o crescimento dos eletrificados no mercado potiguar tem sido “impressionante” e segue uma curva acelerada. Segundo ele, a operação emplacou, apenas no varejo, sem venda direta, 282 carros em abril, resultado considerado recorde pela concessionária.

Geely
Concessionária Geely em Natal, localizada na Avenida Senador Salgado Filho, em Capim Macio - Foto: Reprodução

“Se há dois ou três anos o carro eletrificado era visto em Natal apenas como um artigo de nicho ou um segundo carro de luxo, em 2026 ele consolidou-se como escolha principal de muitas famílias potiguares”, afirma Ítalo.

A avaliação local acompanha um movimento nacional de expansão. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico, o Brasil fechou 2025 com 223.912 veículos leves eletrificados vendidos, alta de 26% em relação ao ano anterior. O crescimento foi muito superior ao do mercado total de veículos leves, que avançou 2,6% no mesmo período.

No Rio Grande do Norte, dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) apontam que, ao todo, são 6.089 veículos movidos exclusivamente por energia elétrica registrados no Estado. O Estado contabiliza ainda 5.301 veículos híbridos em circulação, considerando diferentes tecnologias de motorização.

Para a Geely Redenção, esse cenário ajuda a explicar por que o consumidor potiguar passou a incluir os eletrificados no processo real de compra, e não apenas como objeto de comparação ou curiosidade.

Ítalo atribui esse avanço a dois fatores principais: a chegada de novas tecnologias de bateria com melhor custo-benefício e a percepção de economia no uso diário. No RN, diz ele, o consumidor começa muitas vezes pelos híbridos convencionais, por familiaridade, mas a virada de chave tem ocorrido na busca por híbridos plug-in e elétricos puros. A manutenção de incentivos locais, como a política de IPVA menor para elétricos em comparação aos veículos a combustão, também aparece como elemento de estímulo à decisão de compra.

Gerente Geely
Ítalo Lima, gerente da Geely Redenção Natal – Foto: Reprodução

“O interesse é real, maduro e diário no showroom. O cliente de Natal chega muito bem informado, mas ainda traz barreiras culturais que desmistificamos no atendimento”, diz o gerente.

As dúvidas mais frequentes ainda giram em torno de autonomia, infraestrutura de recarga, instalação de carregador residencial, durabilidade da bateria e valor de revenda. Segundo Ítalo, há perguntas recorrentes sobre viagens para destinos como Pipa e interior do estado, além da preocupação com a possibilidade de instalar wallbox em prédios residenciais de bairros como Tirol, Petrópolis e Ponta Negra.

A resposta da concessionária, segundo ele, passa por transformar a venda em uma espécie de consultoria. O vendedor não pode mais se limitar a falar de preço, potência, design ou condição comercial. Precisa explicar bateria, potência de carregamento, autonomia real, tipos de recarga, uso urbano, viagens, garantia e até aspectos básicos de instalação elétrica residencial.

“A mudança foi estrutural. Vender um veículo eletrificado exige consultoria, não apenas comercialização tradicional”, afirma Ítalo.

Essa mudança também alcança a oficina. De acordo com o gerente, a mecânica pesada cede espaço crescente à eletroeletrônica e à tecnologia da informação. A oficina da concessionária foi reequipada com ferramentas isoladas para sistemas de alta tensão, e o diagnóstico passou a ser quase totalmente digital, com uso de softwares conectados capazes de fazer leitura de módulos e células de bateria. O pós-venda, diz ele, também mudou de natureza.

“Hoje, o carro recebe atualizações de software em nuvem. O pós-venda tornou-se preditivo; conseguimos identificar anomalias no sistema de gerenciamento térmico da bateria antes mesmo de o cliente perceber qualquer sintoma no painel”, afirma.

No plano nacional, a Geely também se movimenta para ampliar presença em segmentos que combinam eletrificação e transição tecnológica. A marca já apresentou no Brasil o EX5 EM-i, híbrido plug-in que, de acordo com a própria Geely Brasil, será inicialmente importado e também será o primeiro veículo da marca produzido no País em 2026, no Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná. Para a operação potiguar, esse tipo de produto reforça a tendência de crescimento dos SUVs compactos e médios eletrificados, especialmente aqueles que entregam alta conectividade, autonomia competitiva e preço capaz de disputar com modelos a combustão tradicionais.

Ítalo avalia que o grande motor do mercado em 2026 será a democratização de tecnologias antes restritas a veículos de luxo. Entre elas, cita as baterias de LFP, de fosfato de ferro-lítio, e soluções que ampliam segurança, vida útil e capacidade de recarga. Na prática, afirma, o consumidor começa a comparar o eletrificado não apenas pelo apelo ambiental, mas pelo conjunto de economia, desempenho, conectividade e custo de uso.

Para a Geely Redenção, o Rio Grande do Norte reúne condições para se tornar uma praça importante na aceitação dos eletrificados no Nordeste. Um dos pontos citados pelo gerente é a ligação natural entre eletrificação e a matriz energética do Estado. O RN é um dos principais produtores de energia renovável do País.

“Há uma sinergia de narrativa. O consumidor potiguar entende que o estado gera energia limpa em abundância. Abastecer um carro elétrico aqui significa consumir a energia renovável gerada no próprio quintal”, afirma.

O desafio, no entanto, não é apenas vender tecnologia. Para uma marca nova, especialmente em um segmento que envolve bateria, software, garantia e pós-venda, a confiança precisa ser construída de forma concreta. Ítalo diz que a concessionária trabalha esse ponto em quatro frentes: garantia estendida de fábrica, presença física estruturada, test-drive e transparência sobre a segurança da bateria.

Segundo ele, contratos longos de garantia, geralmente de oito anos para a bateria de tração, reduzem a percepção de risco. A estrutura local da Redenção, com oficina completa, peças de reposição e profissionais treinados, também pesa na decisão. O test-drive, afirma, costuma ser decisivo porque permite ao cliente experimentar silêncio, desempenho, estabilidade do software e economia por quilômetro rodado.

“A confiança não é imposta, é construída através de evidências e infraestrutura local sólida”, diz Ítalo.