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Política

“Flávio é muito melhor que Bolsonaro nas relações humanas”, afirma Coronel Hélio

Pré-candidato ao Senado pelo PL afirma que senador é "melhor do que o pai nas relações humanas", minimiza atritos com Michelle Bolsonaro e prevê eleição de duas vagas da direita ao Senado
Por O Correio de Hoje
08/07/2026 | 13:44

O pré-candidato ao Senado Coronel Hélio (PL-RN) afirmou que o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem mais habilidade política e pessoal que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O militar afirmou que conhece Flávio “desde menino” e apresentou o aliado como um nome mais preparado para ampliar diálogos, especialmente com a juventude e com setores que, segundo ele, estariam insatisfeitos com o atual governo.

Ao comentar o lançamento da pré-candidatura presidencial de Flávio, ocorrida no fim do ano passado, Hélio reconheceu que houve turbulência e hesitação no campo bolsonarista, mas atribuiu parte da instabilidade ao que chamou de “fogo amigo”. O pré-candidato mencionou Michelle Bolsonaro, que tem tido atritos com Flávio.

Coronel Hélio
Pré-candidato ao Senado Coronel Hélio durante entrevista na TV Agora RN - Foto: José Aldenir

Coronel Hélio elogiou a ex-primeira-dama e afirmou que são naturais os conflitos na família do ex-presidente.

“A instabilidade, na verdade, é gerada, em especial, por fogo amigo”, disse.

Em seguida, acrescentou que Michelle é “um nome extraordinário” e que teve papel relevante à frente do PL Mulher, mas ponderou que ela e Flávio ocupam lugares diferentes no entorno de Bolsonaro.

“Ela cumpre um papel de esposa, ele cumpre um papel de filho”, afirmou.

Ao defender a capacidade de Flávio de se comunicar com públicos com os quais a direita tem menos conexão, disse que o senador “é um menino dócil” e completou:

“Flávio é muito melhor do que o pai nas relações humanas”.

Para o pré-candidato, essa característica pode ajudar o aliado a se conectar com a juventude, inclusive por meio de estratégias mais leves nas redes sociais. Hélio citou as “dancinhas” de Flávio durante agendas pelo país e afirmou que as pautas do senador combinam defesa da economia, aproximação com mulheres e endurecimento na segurança pública.

Hélio também sustentou que Flávio representa uma proposta de renovação, apesar de exercer mandatos eletivos desde 2003, primeiro como deputado estadual e, depois, como senador. Para ele, a renovação estaria menos no tempo de vida pública e mais no modelo defendido pelo parlamentar.

“É modelo tolerância zero para a segurança, liberdade econômica, tesouraço nos impostos”, afirmou.

Na avaliação do pré-candidato ao Senado, Flávio se diferencia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por apresentar uma agenda de redução do Estado e de maior rigor contra o crime.

As críticas a Lula foram diretas. Hélio classificou o governo federal como “gastador”, citou o aumento no número de ministérios e criticou despesas com cartão corporativo e o déficit público. Também acusou a gestão petista de relativizar a corrupção.

“É um modelo gastador”, declarou.

Em outro momento, afirmou que o governo Lula “permite ou relativiza a corrupção”, ao citar episódios envolvendo aposentados e votações no Congresso sobre crime organizado. Para Hélio, esses temas ajudam a explicar o desejo de mudança identificado por ele no eleitorado.

Sobre as relações entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, Hélio evitou fazer críticas ao aliado. Disse ter acompanhado a entrevista coletiva em Brasília na qual Flávio explicou o caso e afirmou que as intenções de voto perdidas nas pesquisas não migraram para outros candidatos.

Segundo ele, parte desse eleitorado ficou em “stand-by” e já estaria retornando.

“Ele perde em determinado ponto, mas essa pontuação não vai para outros. Fica, na verdade, stand-by e agora ele recupera novamente”, afirmou.

Hélio comparou o cenário ao início da campanha de Jair Bolsonaro em 2018, quando, segundo ele, o então candidato tinha 3% das intenções de voto no Rio Grande do Norte.

“Hoje, a realidade do Estado é que Flávio tem 35%. É uma outra realidade”, disse.

Eleições no RN

Na disputa estadual, Hélio demonstrou confiança de que a direita poderá conquistar as duas vagas ao Senado em disputa no Rio Grande do Norte. O pré-candidato afirmou que sua candidatura está consolidada após um período de dúvidas internas no PL e disse que as especulações sobre substituição ficaram para trás.

Segundo ele, a movimentação dos últimos meses acabou fortalecendo seu nome.

“O povo colocou a digital”, declarou, citando o entusiasmo de movimentos sociais de direita com sua candidatura.

Hélio afirmou que a chapa formada pelos pré-candidatos Álvaro Dias (governador), Babá Pereira (vice-governador), Styvenson Valentim (senador) e ele próprio estará unida na campanha e será vitoriosa.

Ao ser perguntado se acreditava na eleição dos dois candidatos da direita ao Senado, respondeu de forma enfática:

“Eu não tenho dúvida disso. Dia 1º de fevereiro, estaremos juntos em Brasília na posse.”

O principal ponto de tensão abordado na entrevista foi a postura de Styvenson Valentim (Podemos), que tem sido cobrado por aparecer distante das agendas com Álvaro Dias e Coronel Hélio.

O pré-candidato reconheceu que o senador tem uma forma particular de fazer política, mas negou que isso signifique falta de compromisso com o grupo.

“Eu concordo com você que o Styvenson tem um jeito próprio de fazer política”, disse.

Hélio afirmou, porém, que Styvenson “mudou”, “se adaptou à nova realidade” e já declarou apoio à chapa completa.

Para justificar a ausência do senador em agendas conjuntas, Hélio disse que Styvenson estava cumprindo um calendário de entregas e visitas a obras até 4 de julho — data limite para que pré-candidatos apareçam em inaugurações, segundo a legislação eleitoral.

Segundo ele, encerrado esse prazo, o aliado passará a participar mais diretamente das movimentações da chapa majoritária.

“Ele vai começar a entrar na agenda majoritária após essas entregas”, afirmou.

Hélio também fez elogios ao desempenho eleitoral de Styvenson, destacando que o senador mantém força mesmo em municípios onde não conta com apoio de prefeitos.

Ao avaliar o colega de chapa, Hélio disse estar mais atento às entregas feitas por Styvenson do que ao estilo pessoal do senador. Citou ações nas áreas de saúde, tratamento do câncer, educação, segurança e infraestrutura, além de obras como a recuperação do Canal das Lavadeiras, nas Quintas.

“Eu estou mais preocupado com as entregas que ele faz do que, propriamente dito, com a pessoa do Styvenson”, afirmou.

Para o pré-candidato, esse histórico criou uma conexão direta entre o senador e parte do eleitorado potiguar, o que explicaria sua liderança em pesquisas e reforçaria a possibilidade de a direita conquistar as duas cadeiras em disputa.