O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira 7, durante audiência nos Estados Unidos, que a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros poderia beneficiar eleitoralmente o presidente Lula (PT), seu adversário na disputa deste ano. Segundo o senador, este seria o “pior momento” para a adoção da medida.
Flávio participou de audiência promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) ao lado do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), condenado por coação a autoridades no Supremo Tribunal Federal (STF) e cassado pela Câmara dos Deputados.

Durante a manifestação, o senador também citou o caso Master, sem mencionar sua ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Após a audiência, em rápida conversa com jornalistas, o pré-candidato afirmou defender o cancelamento da taxação prevista contra produtos brasileiros, e não apenas seu adiamento. A declaração difere do posicionamento apresentado em documento enviado ao USTR cinco dias antes. No texto, Flávio sustentou que medidas econômicas de grande impacto às vésperas da eleição poderiam ser interpretadas como “uma tentativa de influenciar o resultado” e que “adiar a implementação até depois das eleições elimina essa caracterização”.
O governo Lula reagiu por meio de nota e repudiou o que classificou como intervenção do senador. A gestão petista também procurou associar o escândalo do Master ao governo Jair Bolsonaro e acusou Flávio de legitimar uma investigação considerada injusta contra empresários e trabalhadores brasileiros, em vez de contestar as alegações dos Estados Unidos usadas para justificar a possível taxação.