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Audiovisual
Fantasias, narrativas e movimentos em tempos de pandemia
Impulsionados pelos dias de isolamento, René Loui e Mainá Santana criaram uma minissérie para mostrar experiências pessoais através da dança. O episódio piloto será exibido online nesta quinta-feira 17
Nathallya Macedo
16/09/2020 | 05:44

Quando a pandemia da Covid-19 se tornou uma realidade no país, o sentimento coletivo de medo virou algo constante nos cotidianos. Mesmo entre incertezas e dúvidas típicas de um período caótico, a arte continuou presente e pulsante como forma de alívio e esperança por dias melhores. Para René Loui, a necessidade de expressar os sentimentos através da dança ficou mais forte durante o período de isolamento.   

Guiado pelo desejo de retratar a rotina na quarentena, o jovem de 29 anos criou a minissérie “Plano de Abandono” em parceria com Mainá Santana, também dançarina. “Com o impacto do vírus, tivemos que descobrir como fazer dança sem a presença das pessoas, dentro de casa. Trouxemos então a perspectiva de dois corpos negros reinventando movimentos, ângulos e espaços”, contou ao Agora RN

O enredo conta, sem usar palavras, as histórias dos dois artistas passeando por anseios fantasiosos. “É sobre tentar fugir do que estamos vivendo, principalmente quando lembramos do início da pandemia. Quando nós estávamos sentindo muita vontade de sair para aproveitar a nossa cidade e, ao mesmo tempo, tivemos consciência de que não era possível. Usamos uma linguagem corporal subjetiva e experimental, evitando trazer narrativas lineares”.  

Com imagens gravadas com os celulares dos próprios dançarinos, a minissérie é densa e toca em pontos sensíveis, mas ainda tem um lado bem-humorado frente ao estranhamento do “novo normal”. As cenas oferecem ruídos e trilhas sonoras específicas que refletem um ambiente caseiro e reconhecível por todos. Utilizando alguns outros elementos, a dupla aborda o conceito de afroficção, proposto pela cineasta Anti Ribeiro, que engatilha processos artísticos para repensar o lugar da racialidade na construção ficcional. 

A primeira temporada da minissérie foi selecionada por um edital do Itaú Cultural e a exibição do episódio piloto vai acontecer por meio do Festival Arte Como Respiro a partir das 20h desta quinta-feira 17. Atualmente em fase de produção, a segunda temporada tem estreia programada para novembro e obteve o apoio do Sebrae RN.  

CIDA

Mineiro, René se mudou para Natal há seis anos para ser colaborador de uma companhia conhecida nacional e internacionalmente pelo trabalho inclusivo de dança, ao promover a participação de pessoas com deficiência. “Percebi que a cidade tinha muitas potências: resiste e sobrevive, apesar de não ser um ramo fácil”, relembrou o jovem.   

Em 2016, após compreender a produção cultural como missão, ele criou o Coletivo Independente, Dependente de Artistas – CIDA. O núcleo alternativo de dança contemporânea e performance desfruta da dramaturgia em tempo real como ferramenta para sensibilizar. Já passou pelos palcos de grande parte do território brasileiro e em cenários internacionais, como Portugal, França, Suíça e Índia. 

Casa Tomada 

O coletivo é sediado na Casa Tomada, que fica na Zona Sul da capital potiguar. Idealizado por René, o lugar incentiva as artes cênicas – especialmente a dança contemporânea – e funciona como residência para artistas independentes. Desde a criação, o espaço recebeu jovens das mais diversas regiões e foi contemplado em várias premiações locais.  

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