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Agricultura

Sistema Faern/Senar leva tecnologia, capacitação e inclusão à Festa do Boi

Presidente José Vieira destaca avanços em assistência técnica, saúde no campo e sustentabilidade no meio rural
Redação
15/10/2025 | 05:10

O presidente Sistema Faern/Senar no Rio Grande do Norte, José Vieira, ressaltou a forte presença da instituição na Festa do Boi 2025, evento realizado no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim, até o próximo sábado 18. Em entrevista à TV Agora RN nesta terça-feira 14, Vieira destacou a importância da feira como vitrine para difusão de conhecimento e tecnologia entre os produtores potiguares.

A Faern é a Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do Rio Grande do Norte, enquanto o Senar, ligado à federação, é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. O Sistema Faern/Senar levou à Festa do Boi mais de 1.600 produtores de todas as regiões potiguares, principalmente aqueles que recebem assistência técnica da instituição.

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Produtores rurais que recebem assistência da Faern/Senar foram levados para receber capacitação na Festa do Boi - Foto: Faern/Reprodução

“Como sempre, a Federação da Agricultura, o Senar e o nosso instituto, que é o IPDR, estão bem presentes. Nós estamos trazendo 21 caravanas do interior do Estado. Eles vêm ver o que há de melhor na pecuária, participar de palestras, oficinas, visitar os equipamentos e buscar tecnologia, inovação e conhecimento para aplicar nas suas propriedades”, explicou.

Além de promover atividades técnicas, o Sistema Faern/Senar mantém na feira uma programação voltada à educação e à inclusão.

“Temos um trabalho com as crianças, chamado Criador do Futuro. Elas passam a manhã conosco, visitando os animais, tirando leite e entendendo a importância do produtor rural”, contou. Outra ação de destaque é o programa “Mulheres do Agro”, que reuniu 200 participantes em um encontro durante o evento.

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Presidente do Sistema Faern/Senar, José Vieira, em entrevista à TV Agora RN – Foto: José Aldenir/Agora RN

Assistência técnica e gestão no campo

Um dos principais eixos de atuação do Sistema Faern/Senar é a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), voltada para a profissionalização e o aumento da produtividade nas propriedades rurais. Vieira explicou que o modelo adotado pelo Senar vai além do acompanhamento técnico tradicional, incluindo também a gestão financeira.

“O produtor precisa saber se está ganhando dinheiro ou não está ganhando dinheiro”, destacou. O programa atende cerca de 5 mil produtores em todo o Rio Grande do Norte, com visitas mensais de quatro horas nas propriedades. Toda a assistência é gratuita.

Os resultados, segundo ele, têm sido expressivos. “Produtores que estavam com 50 litros de leite hoje estão com 250. Produtores que tinham uma produção de 30, 40 quilos de mel hoje produzem 200 quilos”, relatou. Vieira ressaltou que o objetivo do Senar é mostrar que o campo pode ser rentável e atrativo para as novas gerações. “Os jovens só vão permanecer no campo se ganharem dinheiro. E é isso que estamos mostrando e sensibilizando: com técnica e assistência adequada, eles conseguem produzir”, pontuou.

O dirigente ainda lembrou que a Carreta Agro Brasil, do Sistema CNA (Confederação Nacional da Agricultura), também está presente na Festa do Boi, oferecendo cursos, palestras e exibição de vídeos educativos. “Esse equipamento ministra cursos e passa vídeos, além de integrar o centro de treinamento do Senar, que funciona o ano todo dentro do parque”, disse.

Conquista para irrigantes potiguares

Durante a entrevista, José Vieira anunciou uma importante conquista para os produtores rurais que dependem da irrigação. Em parceria com a Neoenergia Cosern, o sistema conseguiu a flexibilização do horário de tarifa reduzida para irrigantes.

“Hoje, o horário do irrigante é de 21h30 às 6h da manhã. Imagine só irrigar pela madrugada. O risco de acidente é enorme. Agora teremos uma alternativa também de 5h da manhã até 1h30 da tarde”, revelou.

O acordo será formalmente anunciado durante uma reunião na sexta-feira da Festa do Boi, com a presença da diretora-presidente da Neoenergia Cosern, Fabiana Lopes, e sua equipe.

Para Vieira, a medida representa um avanço para a competitividade do agro potiguar. “Isso é extraordinário, porque atrai investimentos, incentiva a irrigação e faz com que sejamos mais competitivos. É agricultura de resultados”, comemorou.

Seca e desafios do semiárido

Questionado sobre o decreto de emergência que atingiu 147 municípios potiguares devido à estiagem, Vieira afirmou que a seca “não é surpresa, é uma realidade para nós”. Para ele, o maior desafio está em criar políticas de longo prazo específicas para o semiárido.

“O grande desafio nosso é ter mecanismos de proteção para esses períodos. O que dá certo no Sudeste não quer dizer que vai dar certo aqui”, argumentou. Segundo o presidente da Faern, é essencial garantir condições para que o produtor possa se manter ativo durante as adversidades climáticas.

“O produtor que tem um financiamento no banco e não tem produção, como é que ele vai pagar? Nós precisamos de ações de mitigação, crédito facilitado e sem burocracia, porque o maior patrimônio que nós temos não é a terra, é o produtor”, afirmou.

Ele também destacou a importância de conter o êxodo rural e valorizar o trabalho no campo. “Na hora que nós perdemos um produtor, dificilmente ele retorna. Aqui, muitas vezes, parece que estamos fazendo de tudo para que eles saiam do campo. Precisamos reverter isso”, completou.

Sustentabilidade e energia limpa no campo

Vieira também abordou os avanços do Rio Grande do Norte no campo da energia renovável. “O Brasil é exemplo de sustentabilidade no mundo, porque aqui a energia é hidrelétrica, eólica ou solar. O Rio Grande do Norte era importador e hoje exporta energia”, destacou.

Ele citou ainda projetos do Senar que utilizam bombas solares em tanques de piscicultura e barragens subterrâneas, financiados com emendas parlamentares. “Muitas vezes, no campo, há locais onde não se consegue levar energia pela fiação. Por isso, instalamos bombas movidas a energia solar, e os resultados têm sido extraordinários”, disse.

Para o dirigente, o uso de fontes renováveis é essencial para o futuro do agro potiguar e contribui para a sustentabilidade econômica e ambiental.

Crédito rural e burocracia bancária

A entrevista também abordou a questão do acesso ao crédito, um dos maiores gargalos para o desenvolvimento rural. Vieira criticou a burocracia dos bancos oficiais, que dificulta a liberação de recursos para investimentos.

“Falar é fácil. Quando a gente vai para o papel, as dificuldades são grandes. Nós precisamos facilitar o acesso ao crédito. O crédito para a produção não pode ser mais difícil do que o crédito para o consumo”, disse.

Ele comparou o processo de compra de veículos com o de aquisição de maquinário agrícola. “Qualquer um entra numa concessionária e sai com um carro. Vá tentar comprar um trator para ver a dificuldade. Nós precisamos inverter isso”, apontou.

As cooperativas de crédito, segundo Vieira, têm desempenhado papel importante na democratização do financiamento rural. “Elas estão entrando de forma mais inteligente, desburocratizando o acesso. Mesmo com juros um pouco maiores, é mais fácil acessar crédito nelas do que nos bancos oficiais”, destacou.