BUSCAR
BUSCAR
Marcelo Hollanda
Fabrício Queiroz é um homem determinado a limpar o tacho
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta quinta-feira 20
Marcelo Hollanda
20/01/2022 | 08:54

Fabrício, outro neoconservador
O lead da entrevista que Fabrício Queiroz deu ao Estadão esta semana não deixa dúvida: é um homem determinado a limpar o tacho antes que o veio esgote.

Se Bolsonaro é uma mina de ouro para ele próprio e a família, é uma benção para os amigos íntimos e outros colaboradores recém-chegados, como o ministro Marcelo Queiroga, da Saúde.
Mas este do qual vamos falar tem cadeira cativa no setor dos sócios fundadores.

Trata-se de bem mais do que um policial militar da reserva cobiçando uma vaga na Câmara dos Deputados nas próximas eleições. Ele é o ex-policial militar.

Sem partido até o momento, nem está preocupado com isso.

Enquanto sua legenda for Bolsonaro, o céu é o limite para esse cidadão preso preventivamente em junho de 2020 e escondido na casa de Frederick Wassef, o eterno advogado do presidente.

Mas saiu logo do xilindró pela graça do Superior Tribunal de Justiça, que lhe concedeu o direito à prisão domiciliar e depois a liberdade total ao deliberar que outra investigação contra ele só poderia andar com uma nova denúncia.

Um jeitinho que não é para todos os brasileiros.

O homem que sabe tudo de rachadinha na família presidencial – uma maneira fofa de definir peculato, crime de apropriação de dinheiro público por servidor no exercício do cargo – afirma agora ser uma luz própria, independente.

Como assim? Na entrevista ao Estadão ele explica:

“Não estou pedindo apoio de ninguém, minha candidatura é independente. Quem me apóia são os conservadores, várias páginas de direita que, no privado, conversam comigo, falam que eu devo vir (candidato). Então estou acreditando nisso aí e venho independente”.

Mente que eu gosto, é o que se diz diante de uma cascata retumbante. E esta é uma.

Bolsonaro, justiça seja feita, é quem tirou do anonimato dezenas de candidatos nas eleições de 2018. É de longe a maior franquia ambulante do baixo clero.

A aposta de Queiroz é simples: o núcleo duro do bolsonarismo (20% do eleitorado), mesmo que seja insuficiente para renovar o mandato da galinha dos ovos de ouro. Ou do galo para ficar mais hetero.

Preso como um carrapato a esta perspectiva, Queiroz busca o que todos desejam – uma passagem para Brasília sem as escalas chatas e desnecessárias em uma Câmara Municipal ou uma Assembléia Legislativa.

Assim, quem não quer ser um neoconservador…

Más influências
Era uma vez uma cantora de música folclórica tcheca chamada Hana Horka. Mulher vigorosa, sorriso iluminado, tinha uma família amorosa que se vacinou contra a covid. Mas, como uma militante antivacina de carteirinha, ela preferiu ouvir os amigos, dando as costas aos apelos do marido e dos filhos. Resultado: não se imunizou. Hana foi mais longe: contaminou-se de propósito por acreditar que assim ficaria livre de uma vez da doença via desinformada teoria da contaminação de rebanho tão popular em Manaus em auge da pandemia. Só que a cantora morreu no último domingo de complicações causadas pela Covid-19 aos 57 anos. Vinha de uma corrida quando sentiu a respiração faltar.

Liberdade
Em entrevista à rádio “iRozhlas”, muito popular no país, o filho da cantora contou que ele e o pai contraíram a doença no final do ano passado, quando a mãe testou negativo. Foi quando ela resolveu se contaminar deliberadamente para obter o certificado de imunidade e frequentar estabelecimentos sem ter de se vacinar. “É triste que ela quis mais acreditar em estranhos do que em sua própria família”, disse o filho. Hana estava tão convencida de sua decisão que até escreveu em sua rede social poucas horas antes de morrer: “Estou muito feliz porque, desta forma, poderei ter uma ‘vida livre’ como os outros, ir ao cinema, tirar férias, ir à sauna, ao teatro”.

Culpados
O filho de Hana acusa diretamente dois militantes anti vacinas tchecos pela morte da mãe: o ator Jaroslav Dušek e a bióloga Soňa Peková. “Eu sei exatamente quem estava por trás de seus pontos de vista” (da mãe, no caso). “Eu escutei essas coisas por um ano — afirmou o jovem.

Só democracia!
Definitivamente, Jair Bolsonaro prefere os líderes em alta no mundo e eles estão, ao que parece, no Leste Europeu. Em fevereiro, o presidente viaja para Moscou a convite do democrata Vladimir Putin e depois desembarca em Budapeste para um encontro com o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, líder da ultradireita. Isso acontece dois meses antes das eleições naquele país. A Hungria realizará eleições legislativas em 3 de abril próximo. Deve ser para dar uma forcinha ao colega. É bom o partido de Viktor, que ainda tem uma pequena vantagem nas pesquisas, ficar ligado.

Sede: Rua dos Caicós, 2305-D, Nossa Sra. de Nazaré. Natal/RN | CEP: 59060-700
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.