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Posição
Empresários decidiram romper silêncio ao ver risco institucional real nas ameaças de Bolsonaro às eleições
Mobilização começou em discussões em grupos de WhatsApp sobre necessidade de deixar claro que sociedade não aceita retrocessos autoritários
O Globo
06/08/2021 | 15:45

Empresários que assinaram o manifesto de apoio ao processo eleitoral brasileiro em resposta aos ataques de Jair Bolsonaro à urna eletrônica e ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso indicaram que tomaram a decisão de romper o silêncio sobre a ofensiva do presidente ao identificar um risco real de ameaça à democracia e às instituições.

Então sentiram a necessidade de mandar um recado claro, reforçando que a sociedade não aceitará retrocessos autoritários.

Ex-presidente do Santander e do Grupo Abril, o administrador Fábio Barbosa afirmou que o manifesto foi importante para externalizar a visão de um grupo grande e diverso de líderes empresariais, economistas, cientistas políticos e outros intelectuais de que não há duvidas sobre a lisura e credibilidade do processo eleitoral no país.

Luiza Helena Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza
CULTURA Foto: Valor Econômico/27-08-2018 / Ana Paula Paiva
Luiza Helena Trajano, presidente do conselho do Magazine Luiza CULTURA Foto: Valor Econômico/27-08-2018 / Ana Paula Paiva
O empresário Guilherme Leal, um dos líderes do Conselho de Administracao da Natura, afirmou que considera “totalmente inaceitável” que lideranças políticas questionem a realização de eleições
Foto. Sergio Zacchi / Valor Foto: Sérgio Zacchi / Valor/16-10-2007
O empresário Guilherme Leal, um dos líderes do Conselho de Administracao da Natura, afirmou que considera “totalmente inaceitável” que lideranças políticas questionem a realização de eleições Foto. Sergio Zacchi / Valor Foto: Sérgio Zacchi / Valor/16-10-2007
O CEO do Credit Suisse, José Olympio Pereira, diz que o mercado financeiro em particular está
O CEO do Credit Suisse, José Olympio Pereira, diz que o mercado financeiro em particular está “surpreendentemente leniente” em relação à crise institucional provocada por Bolsonaro. Foto: Ana Paula Paiva / Infoglobo/30-5-2017
O ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga, que vem defendendo que o país vive mais que uma crise fiscal, mas também política e institucional que afetam a economia Foto: Agência O Globo
O ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga, que vem defendendo que o país vive mais que uma crise fiscal, mas também política e institucional que afetam a economia Foto: Agência O Globo
Fabio Barbosa, ex-presidente do Santander no Brasil, disse que o manifesto foi importante para externalizar a visão de um grupo grande e diverso Foto: Wladimir de Souza / Diario de S.Paulo 7/10/2009
Fabio Barbosa, ex-presidente do Santander no Brasil, disse que o manifesto foi importante para externalizar a visão de um grupo grande e diverso Foto: Wladimir de Souza / Diario de S.Paulo 7/10/2009
Roberto Setúbal, ex-presidente do Itaú Unibanco Foto: Marcos Alves / Agência O Globo/9-11-2016
Roberto Setúbal, ex-presidente do Itaú Unibanco Foto: Marcos Alves / Agência O Globo/9-11-2016
O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Pedro Malan, que foi um dos criadores do Plano Real Foto: Gabriel Monteiro / Agência O Globo
O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central Pedro Malan, que foi um dos criadores do Plano Real Foto: Gabriel Monteiro / Agência O Globo
O economista Persio Arida, ex-presidente do BNDES e do Banco Central, foi sócio do banco BTG Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
O economista Persio Arida, ex-presidente do BNDES e do Banco Central, foi sócio do banco BTG Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

Ele contou que a mobilização começou informalmente e logo ganhou uma grande adesão.

— O manifesto começou com uma conversa de grupos pelo WhatsApp e logo teve adesão maciça. Mostrou o anseio em se manifestar sobre a questão e faltava uma posição mais enfática dos empresários — disse, acrescentando que o manifesto chegou a 7 mil assinaturas.

Fabio Barbosa, ex-presidente do Santander no Brasil Foto: Wladimir de Souza / Diario de S.Paulo 7/10/2009
Fabio Barbosa, ex-presidente do Santander no Brasil Foto: Wladimir de Souza / Diario de S.Paulo 7/10/2009

Barbosa frisou que, em vez desse tipo de crise, há outras prioridades a serem enfrentadas, como a reforma tributária, administrativa. E frisou que o processo eleitoral não deve ser o foco neste momento:

— Há muitas outras prioridades no país. Por isso decidimos nos posicionar.

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Sem ‘fulanizar’

Segundo Luiz Fernando Figueiredo, sócio-fundador da gestora paulista Mauá Capital e ex-diretor de Política Monetária do Banco Central, o manifesto não menciona diretamente o presidente porque “a ideia não é fulanizar o debate”.

Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Capital Foto: Valor Econômico
Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Capital Foto: Valor Econômico

— As instituições no Brasil são parrudas. Independentemente disso, é importante que a sociedade deixe claro que a gente não aceita discussões que possam colocar em xeque o que a gente já tenha institucionalizado no país. É para deixar claro que estamos olhando e não estamos brincando. A sociedade não aceita isso — disse Figueiredo, em entrevista à coluna Capital, do GLOBO.

‘Não se discute eleição. Cumpre-se a legislação’

Outro signatário do manifesto, Guilherme Leal, um dos fundadores da Natura e copresidente do conselho de administração da empresa, explicou que considera “totalmente inaceitável” que lideranças políticas questionem a realização de eleições:

— A sociedade precisa se manifestar em alto e bom som. Não se discute eleição. Cumpre-se o que está na legislação. A sociedade precisa se manifestar de forma enfática para defender o Estado democrático de Direito.

“Nós não conseguimos lidar com as outras crises sem ter democracia. E a sociedade precisa falar, na sua diversidade, nas suas lideranças, nas suas elites”

Leal, que conta que teve contato com o manifesto por meio do Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP), organização que reúne empresários, economistas e cientistas políticos. A troca de mensagens ganhou força após as declarações do presidente, com a “situação aguda de confrontação entre Poderes”, descreveu o empresário:

O empresário Guilherme Leal, um dos líders do Conselho de Administracao da Natura
Foto. Sergio Zacchi / Valor Foto: Sérgio Zacchi / Valor/16-10-2007
O empresário Guilherme Leal, um dos líders do Conselho de Administracao da Natura Foto. Sergio Zacchi / Valor Foto: Sérgio Zacchi / Valor/16-10-2007

— Infelizmente, é um momento inédito. Fui para a rua no movimento das Diretas Já e vivi os tempos escuros da ditadura, sei o valor que tem a democracia. Ela não vem de graça e precisa ser resguardada. Mas ela vem explicitamente sendo colocada em dúvida. Toda hora se fala de “dentro e fora de linhas”. Isso é uma ameaça a que a sociedade não pode aceitar e precisa se manifestar com clareza.

O empresário, que atua politicamente por meio da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps), disse acreditar que a classe política é sensível à manifestação da sociedade e que a maior parte dos políticos sinalizou que não “seria parceira de aventuras”.

‘Sociedade não pode assistir calada’

Outro líder empresarial influente a assinar a carta, o CEO do Credit Suisse no Brasil, José Olympio Pereira, disse que o país vive “um quadro dramático de crise institucional em formação” e que a sociedade “não pode assistir calada”.

O CEO do Credit Suisse, José Olympio Pereira, diz que o mercado financeiro em particular está
O CEO do Credit Suisse, José Olympio Pereira, diz que o mercado financeiro em particular está “surpreendentemente leniente” em relação à crise institucional provocada por Bolsonaro. Foto: Ana Paula Paiva / Infoglobo/30-5-2017

— Minha sensação é de que estamos igual ao sapo na panela. A temperatura está aumentando e a sociedade e os mercados estão fingindo que nada existe. Isso é muito grave. Temos que pular (da panela) enquanto é tempo. Não podemos assistir calados. É preciso dar um basta e esvaziar esse balão antes que a crise se forme — disse José Olympio em entrevista à coluna Capital, do GLOBO.

Para Olympio, o mercado financeiro em particular está “surpreendentemente leniente” em relação à crise institucional provocada por Bolsonaro.

— A situação é mais séria do que o que está refletido nos mercados e isso tem a ver com um cenário externo muito favorável — avaliou. — Estou preocupado com o ano que vem. Podemos ter uma bagunça. Não acredito que vamos ter golpe ou que as Forças Armadas vão tentar algo fora da caixa. Mas podemos ter muita confusão e radicalização e isso é muito ruim.

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