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360º
Em um ano, presidente da Fiern muda de opinião sobre a Petrobras
Do que parecia ser o início de uma campanha para a permanência da estatal no estado, em setembro de 2019, Amaro Sales chega a setembro de 2020 decretando que prefere ficar com as novas empresas que estão chegando para assumir o lugar dela
Redação
04/09/2020 | 05:22

O presidente da Federação da Indústria do Rio Grande do Norte (Fiern), Amaro Sales, publicou quarta-feira, 2, no site da entidade na internet, um artigo defendendo a entrada de novas empresas no negócio de produção de petróleo e gás no estado com a saída da Petrobras dos chamados campos maduros.

É uma volta completa de 360 graus em relação ao que o dirigente dizia há um ano, quando a estatal anunciou o fechamento de seu escritório em Natal para agosto de 2020, provocando reações ácidas por parte da governadora Fátima Bezerra e do senador Jean Paul Prates, que duram até agora.

Naquela ocasião, Amaro conclamou, em artigo publicado no dia 30 de setembro de 2019: “Precisamos de todos para que a causa seja elevada à prioridade máxima e o Rio Grande do Norte vai contar com a atividade econômica e social da Petrobras, a maior empresa brasileira, construída assim também porque contou, durante décadas, com as riquezas minerais do solo potiguar”.

No artigo publicado nesta terça-feira, o presidente da Fiern se manifestou sobre o mesmo tema, mas com uma abordagem diametralmente oposta:

“A Petrobras já não é mais a mesma há muitos anos e, por diferentes razões, a maioria conhece o diagnóstico de reposicionamento da empresa. O Rio Grande do Norte era muito dependente daquela empresa e, em torno dela, estruturou uma bem articulada cadeia de produtos e serviços. O mundo mudou, os negócios também e não seria diferente com o segmento de petróleo e gás”.

Por uma questão de agenda, o presidente da Fiern não pôde responder em tempo o pedido do Agora RN para explicar as razões pelas quais e a partir de que contexto sua opinião sobre a saída da Petrobras do RN mudou.

Mas, numa entrevista dada dias atrás à rádio 98 FM, Amaro, ao festejar o interesse de 15 empresas em assumir os ativos da empresa no estado e criticar a companhia por não investir nos últimos 15 anos no estado, foi categórico: “A saída da Petrobras não representa nada”.

E acrescentou, num recado aos pessimistas: “fiquem com a Petrobras que nós ficamos com as empresas que estão chegando”, despertando risadas dos entrevistadores. Por fim, decretou: “Eu não tenho mais saudades da Petrobras”.                                                                                                                                                       

Há um ano, Amaro Sales acreditava em consequências econômicas graves caso a estatal deixasse suas operações no estado. Tanto que escreveu na ocasião:

“A Petrobras é muito relevante para a nossa economia. A própria empresa, no estado, indica 162,8 milhões em reservas totais de petróleo em terra (barris de petróleo); o Rio Grande do Norte é líder histórico em número de poços de produtores petróleo, sendo atualmente mais de 3.580 (distribuídos em 15 municípios). Além do potencial natural, os royalties são essenciais ao governo do Estado e aos Municípios que fazem jus. Apenas para ilustrar: são mais de 90 municípios que juntos completam aproximados R $ 250 milhões”.

Nesta terça-feira, o texto assinado pelo presidente da Fiern foi o seguinte:

“Agora, com as últimas notícias em relação à política de reposicionamento da Petrobras, cabe ao Rio Grande do Norte escolher um novo caminho. E deve fazê-lo com otimismo e garra! O investimento privado na exploração do petróleo e gás é algo que deve ser acolhido e estimulado. Aliás, não apenas em um tipo de operação, mas também em relação a outros que podem surgir. Recentemente, neste sentido, foi comentado na imprensa a feliz sugestão de que os projetos como os polos petroquímico e cloro químico voltassem à pauta potiguar”.

E emendou:

“A presença de investidores privados, a partir da cadeia do petróleo e gás, a exemplo das empresas Petromais, 3R e Potiguar E&P que já estão no estado, pode significar, inclusive, o uso da matéria prima em outras aplicações, além de estimular a produção de conhecimento, tanto em parceria com universidades e o Sistema Fiern (Sesi, Senai, IEL, Ctgas, Insdtituto Senai de Inovação e seus laboratórios especializados), quanto a partir de estudos e pesquisas realizadas pelas próprias empresas investidoras”.

Íntegra do artigo

 “A PETROBRAS já não é mais a mesma há muitos anos e, por diferentes razões, a maioria conhece o diagnóstico de reposicionamento da empresa. O Rio Grande do Norte era muito dependente daquela empresa e, em torno dela, estruturou uma bem articulada cadeia de produtos e serviços. O mundo mudou, os negócios também e não seria diferente com o segmento de petróleo e gás.

Agora, com as últimas notícias em relação a política de reposicionamento da PETROBRAS, cabe ao Rio Grande do Norte escolher um novo caminho. E deve fazê-lo com otimismo e garra! O investimento privado na exploração do petróleo e gás é algo que deve ser acolhido e estimulado. Aliás, não apenas em um tipo de operação, mas também em relação a outros que podem surgir. Recentemente, neste sentido, foi comentado na imprensa a feliz sugestão de que os projetos como os polos petroquímico e cloroquímico voltassem à pauta potiguar. A presença de investidores privados, a partir da cadeia do petróleo e gás, a exemplo das empresas Petromais, 3R e Potiguar E&P que já estão no Estado, pode significar, inclusive, o uso da matéria prima em outras aplicações, além de estimular a produção de conhecimento, tanto em parceria com universidades e o Sistema FIERN (SESI, SENAI, IEL, CTGAS, INSTITUTO SENAI DE INOVAÇÃO e seus laboratórios especializados), quanto a partir de estudos e pesquisas realizadas pelas próprias empresas investidoras.

Enfim, o estímulo para que investidores cheguem ao Rio Grande do Norte deve ser perene e permanente! A força do investimento privado deve ser calorosamente recepcionada. Insistir para que a PETROBRAS fique, invista e trabalhe é algo que deve ser feito, mas não podemos ficar apenas articulando uma única solução ou, de fato, colocando todas as energias em uma única possibilidade. Acredito, inclusive, que a união de todos deveria ser pautada muito mais no sentido de prospectar e estimular a vinda do capital privado para atuar no Rio Grande do Norte no segmento de petróleo e gás, além de verticalizar – no que for possível – a produção potiguar que, com mais de 8.000 poços, é uma das mais relevantes do País.

Ademais, ao recepcionarmos o investimento privado e criarmos um ambiente propício à atuação de novas empresas no segmento, certamente, novas metas serão estabelecidas e, neste contexto, mais empregos, renda circulante, aumento de arrecadação de impostos e taxas. Aliás, quanto às metas, já existem indicadores no sentido de que as empresas privadas conseguiram melhorar o processo de extração do petróleo, ampliando a produtividade da operação. Portanto, estamos no caminho certo!

Diante de crises há um conceito que é repetido com reiterada frequência: choramos com lenços ou vendemos lenços para que outros chorem. É legítimo o nosso lamento diante do reposicionamento da PETROBRAS, mas inapropriada nossa postura de apenas reclamar quando existem alternativas, algumas das quais estratégicas para o Rio Grande do Norte. Vamos, então, a procura de todos que possam investir e trabalhar na Bacia Potiguar… Que venham os baianos, paulistas, cariocas, brasileiros e estrangeiros que, com os potiguares, articulem, trabalhem e gerem resultados em torno do desenvolvimento econômico sustentável de nosso Estado”.

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