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Saúde
Em meio à pandemia, bombeira do RN descobre câncer de mama: “Não é uma sentença de morte”
Ana Paula de Araújo, de 33 anos, relata a batalha diária para enfrentar o câncer de mama; Outubro Rosa chega para conscientizar mulheres sobre a importância do diagnóstico precoce
Nathallya Macedo
05/10/2020 | 05:21

Foi durante um dia qualquer em julho deste ano que Ana Paula de Araújo percebeu algo estranho no seio esquerdo. “Ainda em maio, comecei a sentir dores. Procurei um médico, mas ele não encontrou nada. Dois meses depois, me olhando no espelho, percebi que minha mama estava diferente e então fiz o autoexame. Com isso, achei um nódulo perto do mamilo”, relembrou a caicoense de 33 anos. Em seguida, submeteu-se a uma bateria de exames: ultrassonografia, mamografia e uma biópsia. A partir do resultado, veio o diagnóstico já em agosto. “Descobrimos o carcinoma invasivo e iniciei o tratamento rapidamente”. 

Ana sempre gostou de estudar. Ela se formou em Ciências Contábeis na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), mas almejava seguir carreira na área de segurança pública. Passou anos estudando para concursos e, em 2017, foi aprovada no exame do Corpo de Bombeiros Militar do estado. “Hoje, trabalho na diretoria de administração do Quartel do Comando Geral, mas já participei de serviços operacionais”, contou ao Agora RN. Os colegas de profissão foram de extrema importância neste momento. “Recebi o apoio de todos, mesmo que à distância. As palavras dos meus familiares e amigos também me ajudam diariamente. Não que torne a situação mais fácil, mas traz leveza”.    

A vontade de viver é essencial para que Ana supere o medo todos os dias. “Tive crises de ansiedade, mas entendi que é um caminho com fim, com cura”. Para ela, o diagnóstico precoce fez a diferença para encarar com coragem a batalha contra o câncer. “Conhecer o meu corpo, prestar atenção nos detalhes… fazer o autoexame foi necessário. Agora, minha missão é falar sobre isso para que outras mulheres se cuidem com a devida atenção, e não só durante o Outubro Rosa. Descoberto cedo, o câncer não é uma sentença de morte”, afirmou.    

No dia 24 de setembro, Ana passou pela primeira sessão de quimioterapia, praticamente um mês após o diagnóstico. “Mesmo em meio à pandemia, corri para fazer os exames necessários. A nossa saúde não pode esperar”. O tratamento está sendo feito no Hospital de Oncologia do Seridó da Liga Contra o Câncer, em Caicó. “Terei outras cinco sessões e farei a cirurgia para retirar o tumor. Depois disso, ficarei em tratamento de prevenção e contenção durante cinco anos. A luta não vai acabar tão cedo, mas será enfrentada com paciência, força, fé na medicina e em Deus. É levantar a cabeça e não desistir”.   

Impactos da pandemia 

As paralisações e temores provocados pela Covid-19 afetaram diversos aspectos da assistência médica de rotina. Recentemente, uma pesquisa elaborada pelo Ibope Inteligência a pedido da Pfizer apontou que muitas mulheres deixaram de cuidar da saúde durante a quarentena. O levantamento mostrou que 62% delas esperam pelo fim da pandemia para retomar consultas médicas e exames de rotina necessários para a detecção do câncer de mama. Esse percentual é ainda mais alto entre as pacientes com mais de 60 anos, grupo que corre maior risco com a Covid-19: 73% das mulheres mais velhas disseram que deixaram de frequentar o médico ginecologista ou mastologista desde o início da pandemia. Foram 1,4 mil entrevistadas com idades a partir dos 20 anos no DF e em outros cinco estados brasileiros. 

Anna Ana Paula de Araújo enfrenta batalha contra o câncer de mama
Ana Paula de Araújo tem 33 anos

Danielli Martins, oncologista especialista em mama, atende em uma clínica de Natal e relatou à reportagem que a queda na procura por consultas e exames foi alta assim que as medidas de isolamento social se tornaram rígidas. “Os médicos mastologistas e os cirurgiões também reduziram significativamente a realização de procedimentos, justamente devido ao risco de contaminação pelo coronavírus durante a internação hospitalar. Agora, com a flexibilização da quarentena, observo que as marcações voltaram a crescer”.  

Outubro Rosa

O Outubro Rosa chega para conscientizar as mulheres sobre a importância da prevenção e do autoexame. De acordo com o mastologista Maciel Matias, coordenador de projetos da Liga no Rio Grande do Norte, cerca de 2 mil mulheres estão realizando tratamento de câncer de mama atualmente no estado. A instituição é referência local para atendimentos, principalmente através do SUS.

“Há pouco tempo, a Liga adquiriu o equipamento de radioterapia mais moderno do país. A nova tecnologia possibilita sessões mais eficientes e rápidas, com maior conforto para os pacientes, segurança e um melhor planejamento e agilidade no tratamento. Permite ao médico ter o controle exato, possibilitando a aplicação de uma maior dose na área doente, poupando os tecidos saudáveis. Tratamentos que poderiam levar meses serão reduzidos para algumas semanas”, apontou. Durante a campanha, a Liga vai promover palestras e debates sobre o tema através das redes sociais (@ligacontraocancer). 

Mesmo tratável, o câncer de mama ocasionou a morte de 17.572 mulheres em 2018, segundo o levantamento do Atlas de Mortalidade por Câncer. A nova estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicou a expectativa de que 60 mil brasileiras tenham a doença até o fim deste ano. Além disso, estabeleceu que uma média mensal de 94 potiguares serão diagnosticadas com câncer na mama entre 2020 e 2022.

A taxa bruta de incidência da doença no estado é de 61,85 a cada 100 mil mulheres. Especialistas defendem que há uma maior probabilidade de cura por meio do diagnóstico precoce: enquanto um tumor diagnosticado no estágio 0 ou 1 chega a ter mais 90% de chance de recuperação, um câncer de mama no estágio 3 ou 4 tem de 30 a 40% de chance de cura total. Se a doença já possuir metástases – quando o câncer se espalhou para outros órgãos –, o tratamento tem o objetivo apenas de prolongar a sobrevida. 

Prevenção e sintomas

Cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis como: prática de atividade física; alimentação saudável; peso corporal adequado; pouco consumo de bebidas alcoólicas; além de evitar o uso de hormônios sintéticos, como anticoncepcionais. O câncer de mama pode ser percebido em fases iniciais, na maioria dos casos, por meio dos seguintes sinais: nódulo (caroço) fixo e geralmente indolor; pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja; alterações no mamilo; nódulos nas axilas ou no pescoço; saída espontânea de líquido ou sangramento pelos mamilos.  

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