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Ciência
Em 30 dias, perícia forense pode esclarecer mistério de 4 anos
Laboratório de Antropologia e Arqueologia do Itep trabalha para descobrir se ossos encontrados no Pico do Cabugi são de mecânico desaparecido há 4 anos
Anderson Barbosa
03/09/2020 | 05:21

A ciência forense – que é compreendida como o conjunto de todas as técnicas e conhecimentos científicos utilizados para desvendar crimes e questões legais – está ajudando uma família natalense a encontrar respostas que a angustia há quatro anos: Onde está Júlio Lins da Silveira Sobrinho? Mecênico e evangélico, ele saiu de casa no dia 5 de agosto de 2016 para fazer uma oração no alto do Pico do Cabugi, na região Central potiguar, e nunca mais foi visto. Quando desapareceu, Júlio tinha 60 anos.

Há exato um mês, o mistério parece ter começado a ser desvendado. Equipes do Instituto Técnico-Científico de Perícia do Rio Grande do Norte (Itep-RN) foram chamados ao Pico do Cabugi após um caçador ter encontrado restos humanos — vestígios que agora podem aliviar parte da dor que a família de Júlio carrega no peito todo este tempo. Após buscas minuciosas pelo ponto mais alto do estado, os peritos descobriram novos conjuntos de ossos que podem ser do desaparecido.

Júlio, de 60 anos, saiu de casa no dia 5 de agosto de 2016 e nunca mais foi visto – Foto: Arquivo Pessoal

A descoberta foi notícia no portal Agora RN nesta semana, e chamou a atenção pelo trabalho desenvolvido pela equipe de Antropologia e Arqueologia Forense do instituto. Nos últimos dias, os profissionais realizaram uma subida de cerca de 50 minutos até o cume do Pico do Cabugi, no município de Angicos, e conseguiram encontrar restos humanos em um local de difícil acesso.

“A equipe procedeu aos trabalhos de prospecção e coleta qualificada dos vestígios, com auxílio de um drone”, detalhou a assessoria de comunicação do Itep. “A Antropologia Forense desenvolve um trabalho que requer o uso de várias técnicas, como pesquisa de terreno, análise e descrição do local, escavação, coleta e preservação de ósseos humanos, possibilitando indicar tempo, causa da morte e quem é a pessoas que se procura descobrir”, acrescentou Fernando Marinho, chefe do Instituto de Medicina Legal e do Laboratório de Antropologia Forense do órgão.

Investigação é realizada pela equipe de Antropologia e Arqueologia Forense do ITEP – Foto: Cedida

Os vestígios humanos encontrados passarão por exames de DNA. Esta é a única maneira possível de identificar se a suposta vítima é o mecênico. Além de confirmar se os ossos são de Júlio, a expectativa é de que a perícia forense também possa determinar o que causou a morte dele.

Fernando Marinho disse ao Agora RN que o prazo para o resultado do exame de DNA é de até 30 dias. “Até lá, esperamos ter esta resposta, saber se os ossos pertencem realmente ao homem que está desaparecido, e também esperamos descobrir o que causou a morte desta pessoa, seja quem for”, ressaltou.

“Subimos o Pico do Cabugi mais de 100 vezes para procurar meu pai”

Lindemberg Lopes é filho de Júlio Lins. Ele contou que o pai saiu de casa para ir fazer orações no Pico do Cabugi no dia 5 de agosto de 2016. No catolicismo, o ato é semelhante ao pagamento de uma promessa. “Não sei qual foi a graça alcançada. Sei apenas que ele foi lá para orar pela nossa família”, disse.

Ainda de acordo com Lindemberg, o pai dele foi sozinho até a região, e deveria ter voltado dois dias depois. “Deixei ele na rodoviária, onde pegou um ônibus até Pedro Avelino, e de lá ele foi para Angicos. Sei que ele chegou, porque ele nos ligou de lá do telefone de uma pessoa que foi ao Pico da Cabugi para participar de uma trilha. Acredito que ele se perdeu neste caminho, e depois não temos mais notícias de nada”, revelou.

À época, militares do Corpo de Bombeiros foram chamados e fizeram buscas, mas não encontraram nada suspeito nem sinal da presença do mecânico.

Ainda durante as buscas, moradores da região disseram às equipes de resgate que viram Júlio após ele comprar mantimentos para levar com ele na trilha. Uma carta com os nomes dos filhos foi tudo o que encontraram, o que também comprova que o mecânico andou pelas trilhas da formação rochosa.

O helicóptero Potiguar 1, aeronave da Secretaria de Segurança Pública e da Defesa Social, também participou da missão de encontrar o mecânico. Após vários dias de procura, as buscas foram encerradas e Júlio entrou para a lista dos desaparecidos.

“As equipes de resgate encerraram as buscas. Eu e meu irmão, não. Subimos o Pico do Cabugi mais de 100 vezes para procurar meu pai”, revelou Lindemberg.

Agora, com a possibilidade de ter encontrado, o filho diz que fica o sentimento de alívio. “Alívio, sim, mas não como gostaríamos que fosse. Pelo menos, caso se confirme que é meu pai mesmo, poderemos dar um enterro digno a ele”, acrescentou.

Por fim, Lindemberg revelou que tem suspeitas para o que aconteceu com o pai dele. “São três possibilidades. Ou ele morreu de sede, de fome, ou morreu picado por alguma cobra. Lá tem muitas”, disse ele.

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