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Brasil

Eduardo muda versão e confirma ter investido em filme sobre Bolsonaro

Ex-deputado diz que recebeu o valor de volta; senador Flávio admite que podem surgir novos registros de conversas e encontros com Vorcaro
Redação
16/05/2026 | 05:04

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro mudou a versão sobre sua participação financeira no filme “Dark Horse”, produção que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele admitiu ter investido R$ 350 mil — cerca de 50 mil dólares — no longa-metragem, valor que, segundo afirmou, foi devolvido posteriormente. A declaração ocorre um dia após Eduardo negar qualquer aporte financeiro no projeto. Na quinta-feira 14, ele afirmou em nota que “não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem”.

No novo pronunciamento, Eduardo também reconheceu ter figurado como produtor-executivo em um contrato antigo com a produtora responsável pelo filme. Segundo ele, a participação foi encerrada após sua mudança para os Estados Unidos, permanecendo apenas a cessão dos direitos autorais de imagem, já que é retratado no longa por um ator.

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Ex-deputado Eduardo Bolsonaro e Flávio é pré-candidato à Presidência - Foto: Reprodução

De acordo com o ex-deputado, o investimento inicial foi utilizado para garantir um contrato com o diretor de Hollywood Cyrus Nowrasteh, responsável pelo roteiro do filme. “Próximo ao final do contrato, e diante da possibilidade de perder o diretor, surgiu a oportunidade de atrair um grande investidor, que posteriormente se consolidou em um grupo de investidores”, declarou.

Eduardo, no entanto, não explicou quem realizou a devolução do dinheiro investido. Ele afirmou apenas que os recursos retornaram por meio de contrato firmado com a produtora e negou que o pagamento tenha passado pelo fundo sediado nos Estados Unidos citado nas investigações.

“Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro ou deste fundo que foi criado nos Estados Unidos está mentindo para você. Eu recebi o dinheiro de volta, por conta do contrato com a produtora, mas isso não passou pelo fundo. Eu recebi o dinheiro que era meu”, afirmou.

A nova versão foi apresentada após reportagem do site The Intercept Brasil informar que Eduardo atuou como produtor-executivo do filme. O caso também passou a ser relacionado a investigações da Polícia Federal sobre eventual uso de recursos ligados ao Banco Master para custear a permanência do ex-deputado nos Estados Unidos.

Segundo reportagens publicadas nesta semana, o senador Flávio Bolsonaro teria solicitado ao banqueiro Daniel Vorcaro um aporte de 24 milhões de dólares — cerca de R$ 134 milhões à época — para financiar a produção do filme. Desse total, 10,6 milhões de dólares teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025.

Parte dos recursos, segundo as reportagens, foi transferida pela empresa Entre Investimentos e Participações para o Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas. O agente legal do fundo seria o escritório “Law Offices of Paulo Calixto PLLC”, ligado ao advogado de Eduardo Bolsonaro.

Eduardo afirmou que a estrutura financeira da produção foi levada para os EUA em razão do que classificou como “perseguição sofrida no Brasil”. Segundo ele, a produção optou por investidores estrangeiros para garantir segurança jurídica. Até então, o ex-deputado vinha compartilhando notas do deputado federal Mário Frias e da produtora GO UP Entertainment negando participação financeira de Vorcaro no projeto.

Flávio admite possibilidade de novos contatos

Em meio à repercussão do caso, Flávio Bolsonaro também alterou o discurso sobre sua relação com Daniel Vorcaro. Após minimizar o vínculo com o banqueiro, o senador admitiu a possibilidade de surgirem novos registros de conversas e encontros entre os dois. “Pode vazar novas conversas, pode vazar um videozinho mostrando o estúdio que eu posso ter enviado, algum encontro que eu possa ter tido com ele. Foi tudo exclusivamente para tratar somente do filme. Então, não tem nada a esconder”, declarou, em entrevista à CNN Brasil.

Questionado sobre quantas vezes encontrou Vorcaro, o senador respondeu que não saberia precisar. “Mas poucas vezes”, afirmou. A declaração ocorreu após a divulgação de um áudio em que Flávio pede apoio financeiro para o filme sobre Jair Bolsonaro. O episódio provocou reação dentro da pré-campanha presidencial do senador. Integrantes da equipe política haviam questionado Flávio anteriormente sobre proximidade com Vorcaro, e teriam recebido a informação de que não havia relação entre os dois.