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Cultura

Dois curtas do RN são selecionados para o Festival Visões Periféricas

Festival reúne produções das periferias brasileiras e terá programação gratuita presencial e online
Por O Correio de Hoje
20/07/2026 | 15:05

O Rio Grande do Norte terá destaque na 19ª edição do Festival Visões Periféricas, um dos principais eventos dedicados ao audiovisual produzido fora dos grandes centros urbanos. Os curtas-metragens “Inquietas”, da diretora Thaina Morais, e “Nilsão”, dirigido por Nícolas de Sousa, foram selecionados para a mostra oficial do festival, que será realizado entre os dias 23 e 26 de julho, no Rio de Janeiro, com programação gratuita presencial e online.

Ao todo, o festival exibirá 69 produções de 18 estados brasileiros, escolhidas entre 856 obras inscritas, número que representa um crescimento de aproximadamente 70% em relação à edição anterior e reforça o fortalecimento da produção audiovisual independente em diferentes regiões do país.

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Os curtas potiguares "Inquietas", de Thaina Morais, e "Nilsão", de Nícolas de Sousa, representam o Rio Grande do Norte na 19ª edição do Festival Visões Periféricas

A abertura acontecerá no dia 23 de julho, às 19h, no Estação Claro Rio, em Botafogo, com homenagem ao projeto Vídeo nas Aldeias e exibição do longa-metragem “Arquivo Vivo”, dirigido por Vincent Carelli e Ana Carvalho.

Documentário resgata memórias das mulheres que construíram Natal

Produzido com recursos da Lei Paulo Gustavo, “Inquietas” marca a estreia da historiadora e pesquisadora Thaina Morais na direção de documentários.

Com 13 minutos de duração, o curta acompanha uma mulher caminhando pelas ruas de Natal enquanto revisita memórias e reflexões sobre mulheres que contribuíram para a formação da capital potiguar, mas que permaneceram invisibilizadas ao longo da história.

Formada em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Thaina desenvolve pesquisas sobre o espaço urbano natalense e a história dos antigos cinemas de rua da cidade. O documentário já passou por outros festivais nacionais e acumula premiações.

Arte reciclada transforma vida de artesão de Areia Branca

O segundo representante potiguar é “Nilsão”, documentário de 18 minutos dirigido por Nícolas de Sousa.

A produção retrata a trajetória do artesão e artista plástico Nilson Rodrigues da Silva, conhecido como Nilsão, morador de Areia Branca, no litoral potiguar.

Por meio do relato do próprio protagonista, o filme mostra como a arte produzida com materiais recicláveis se tornou um instrumento de transformação pessoal e social, apresentando a criatividade como caminho para superar dificuldades e construir uma nova perspectiva de vida.

capa portal
Thaina Morais representa o Rio Grande do Norte no Festival Visões Periféricas com o documentário “Inquietas”, que resgata memórias de mulheres na história de Natal / Nícolas de Sousa integra a seleção do festival com “Nilsão”, documentário sobre o artista plástico de Areia Branca que transformou materiais recicláveis em arte e sustento.

Cinema periférico amplia diversidade de narrativas

Criado para dar visibilidade às produções realizadas nas periferias e em regiões historicamente afastadas dos grandes polos do audiovisual, o Festival Visões Periféricas chega à sua 19ª edição consolidado como uma das principais vitrines do cinema independente brasileiro.

As obras selecionadas estão distribuídas em sete mostras, sendo quatro competitivas — Fronteiras Imaginárias, Cinema da Gema, Panorâmica e Visorama — e três não competitivas: IC Play, Informativa e Visões do Amanhã, voltada ao público infantojuvenil.

Além do júri oficial, os filmes também concorrem ao prêmio concedido pelo voto popular.

Parte da programação poderá ser acompanhada gratuitamente pela internet. Uma seleção de curtas ficará disponível na plataforma Itaú Cultural Play entre 23 de julho e 6 de agosto, enquanto a mostra Visorama também contará com exibições online.

Produção fora dos grandes centros ganha protagonismo

Idealizador e coordenador-geral do festival, Márcio Blanco afirma que, ao longo de quase duas décadas, o Visões Periféricas acompanhou a consolidação do audiovisual produzido nas periferias brasileiras.

“Quando o festival surgiu, poucas pessoas olhavam para essa produção da periferia. Duas décadas depois, ela ocupa um espaço cada vez mais relevante, ajudando a romper estigmas, revelando a diversidade de olhares sobre questões nacionais e regionais e apresentando novos arranjos estéticos e criativos no audiovisual brasileiro.”

Segundo Blanco, o comportamento do público também mudou nos últimos anos, especialmente entre os jovens.

“Depois do consumo fragmentado de conteúdo nas redes sociais, o público jovem volta a valorizar o cinema como espaço de encontro e construção de experiências compartilhadas. O cinema é uma experiência coletiva de socialização, de encontro, e a narrativa é essa ferramenta de conexão entre as pessoas.”

Para o curador Wilq Vicente, os filmes inscritos revelam uma nova fase do cinema periférico brasileiro. Segundo ele, embora temas como racismo, violência e desigualdade continuem presentes, eles passaram a ser abordados por meio de narrativas mais sofisticadas, que exploram também afetos, relações familiares, trabalho e subjetividade.

Inquietas Thaina Moraes Copia
Produções do Rio Grande do Norte integram a seleção oficial do Festival Visões Periféricas, que reúne 69 filmes de 18 estados brasileiros no Rio de Janeiro

O curador destaca ainda que a ampliação da diversidade regional observada nesta edição está diretamente relacionada às políticas públicas de incentivo ao audiovisual, como a Lei Paulo Gustavo e a Lei Aldir Blanc, responsáveis por impulsionar produções de estados e municípios que participam do festival pela primeira vez.

Além das sessões de cinema, o evento promoverá o Visões Lab, laboratório gratuito voltado ao desenvolvimento de projetos audiovisuais, formação profissional e articulação de mercado, que será realizado entre os dias 21 e 26 de julho, reunindo realizadores de diferentes regiões do país.