Os ataques entre Israel e Irã continuam escalando e, neste sábado 14, chegaram ao terceiro dia de conflito, com dezenas de mortos e centenas de feridos. Na madrugada de domingo 15, o número de vítimas aumentou, atingindo civis e militares dos dois lados.
De acordo com informações do G1, três pessoas morreram em Israel após o lançamento de mísseis iranianos no sábado. Outras 80 ficaram feridas, segundo o Serviço Nacional de Emergência, conforme dados do jornal The Times of Israel. Na madrugada seguinte, mais cinco mortes foram confirmadas em território israelense.

No Irã, um ataque contra um edifício residencial em Teerã resultou na morte de 60 pessoas, incluindo 20 crianças. Até sexta-feira 13, o país já contabilizava 80 mortos — maioria civis — e cerca de 320 feridos.
Entre os alvos dos ataques estão estruturas estratégicas. Mísseis atingiram o Ministério da Defesa iraniano, além de depósitos de petróleo em Shahran. Israel também informou que eliminou 20 comandantes militares iranianos desde o início da ofensiva.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que quatro instalações do Complexo Nuclear de Isfahan, no Irã, foram danificadas pelos ataques israelenses, incluindo unidades de enriquecimento de urânio e de produção de combustível nuclear. No entanto, o órgão afirmou que não há risco imediato de contaminação.
Enquanto equipes de resgate trabalham em meio aos escombros em Tel Aviv e Teerã, os governos de ambos os países mantêm uma disputa verbal. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que seu país seguirá atacando “todo lugar e todos os alvos” no Irã, destacando que a principal usina de enriquecimento, em Natanz, foi severamente atingida e pode ser atacada novamente.
Netanyahu também afirmou que a força aérea israelense destruiu diversas baterias antiaéreas iranianas, o que, segundo ele, abriu corredores seguros para caças israelenses avançarem até Teerã.
Por sua vez, o governo iraniano suspendeu as negociações sobre seu programa nuclear enquanto durar o conflito e alertou que qualquer tentativa de intervenção de potências ocidentais — como Estados Unidos, Reino Unido e França — resultará em ataques diretos a suas bases e navios na região.
O alerta veio após os mísseis balísticos iranianos conseguirem romper as defesas israelenses, inclusive o sistema antimísseis Domo de Ferro, atingindo alvos na cidade de Tel Aviv.
Parlamentares iranianos também ameaçam barrar inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica, alegando suspeitas de que informações confidenciais teriam sido repassadas a Israel. Além disso, o órgão internacional havia emitido relatórios criticando o enriquecimento de urânio pelo Irã a 60%, índice muito acima do necessário para fins pacíficos.
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Escalada do conflito
O estopim da nova escalada foi um ataque surpresa de Israel contra o Irã na madrugada de sexta-feira 13, em meio a tensões crescentes sobre o programa nuclear iraniano. Logo após o início dos bombardeios, Netanyahu declarou que aquele era “um momento decisivo na história de Israel”.
O governo israelense afirma que seu objetivo é desmantelar o programa nuclear do Irã, que considera uma ameaça à sua existência. Autoridades israelenses alegam que Teerã já possui urânio suficiente para fabricar ogivas nucleares em poucos dias.
Entre os alvos atingidos estão altos comandos militares e científicos iranianos, incluindo o chefe da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, e o chefe das Forças Armadas, Mohammad Bagheri, segundo relatos das Forças de Defesa de Israel.
Em resposta, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, declarou que Israel sofrerá “um destino amargo” e classificou os ataques como uma demonstração da “natureza perversa” do Estado israelense. O Irã também declarou formalmente que considera as ações israelenses uma declaração de guerra.
O cenário é de crescente instabilidade no Oriente Médio, com risco de que o conflito se expanda e envolva outras potências internacionais.