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Língua Portuguesa

Confira a coluna “Desenrolando a Língua” de sexta-feira 5

05/02/2021 | 08:46

“Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões”

É a primeira frase da canção “Língua”, de Caetano Veloso. O segundo verso diz “gosto de ser e de estar”. Essa diferença entre os verbos apareceu no discurso de posse do novo presidente da Câmara, Arthur Lira: “Estarei presidente. Toda glória é efêmera. E na vida pública o essencial não são as pompas, mas o que deixamos como legado”. Mandou muito bem no “estarei” em vez de “serei”. “Estar” indica algo momentâneo; “ser”, permanente.

Confira a coluna “desenrolando a língua” de quinta-feira 7

As pompas

Também mandou muito bem na concordância da frase “E na vida pública o essencial não são as pompas, mas o que deixamos como legado”, pois se o sujeito se referir a coisas ou objetos, o verbo “ser”, de preferência, não concorda com ele: “o essencial não são as pompas”.

Por falar em política

Muita gente pergunta aos jovens se eles já “tiraram o Título de Eleitor”. É importante fazer isso, quando se vai votar, pois tira-se o Título da carteira ou de onde estiver guardado. No entanto, se a ideia é ir a uma repartição competente para se habilitar ao Título de Eleitor, solicita-se a confecção.

Quase uma obra-prima

O elemento “prima” desta palavra composta significa “principal”, “maior”. Assim, chamar de “prima” cada obra de autor ou de determinada corrente estética tira-lhe todo o vigor do significado. Aliás, só se pode falar de obra-prima de autor ou de corrente estética depois de seu desaparecimento, pois enquanto existir poderá produzir obra melhor. Melhor seria falar de importante obra, enquanto o autor estiver vivo.