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Economia

Confederação Nacional da Indústria estima impacto de US$ 21,6 bi com suspensão de tarifas dos EUA

Desde o início da aplicação das tarifas pelos Estados Unidos, a CNI tem articulado o setor produtivo e intensificado o diálogo com interlocutores norte-americanos
Redação
23/02/2026 | 21:47

A suspensão das tarifas adicionais de 10% e 40% impostas ao Brasil pelo governo norte-americano pode impactar o equivalente a US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em dados de 2024 da United States International Trade Commission (USITC), na classificação a 10 dígitos.

A decisão de suspender as sobretaxas foi anunciada nesta sexta-feira (20) pela Suprema Corte dos Estados Unidos e atinge especificamente medidas adotadas com fundamento na International Emergency Economic Powers Act (IEEPA), legislação que permite ao Executivo norte-americano impor restrições comerciais em situações consideradas emergenciais.

Confederação Nacional da Indústria estima impacto de US$ 21,6 bi com suspensão de tarifas dos EUA
Exportadores brasileiros terão um pouco alívio nas vendas para os EUA - Foto: José Aldenir/Agora RN

“Acompanhamos a decisão de hoje com atenção e cautela. O impacto de uma medida como essa no comércio brasileiro é significativo, tendo em vista a relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban. Segundo ele, a entidade seguirá monitorando os desdobramentos para avaliar com maior precisão os reflexos para a indústria nacional.

Mobilização empresarial

Desde o início da aplicação das tarifas pelos Estados Unidos, a CNI tem articulado o setor produtivo e intensificado o diálogo com interlocutores norte-americanos. Em setembro de 2025, a entidade liderou uma missão empresarial a Washington com cerca de 130 empresários, com o objetivo de sensibilizar autoridades e empresas americanas sobre os efeitos do chamado “tarifaço” e a necessidade de abrir canais oficiais de negociação.

A agenda incluiu reuniões institucionais e encontros com representantes do setor privado e do governo dos EUA em defesa da indústria brasileira. O embaixador Roberto Azevêdo, consultor da CNI, também representou a indústria nacional em audiência no Office of the United States Trade Representative (USTR), órgão responsável pela política comercial norte-americana.

O que permanece em vigor

A decisão da Suprema Corte derruba apenas as tarifas impostas com base na IEEPA. Permanecem em vigor outras medidas adotadas com base em diferentes instrumentos legais, em especial as previstas na seção 232 da Trade Expansion Act, relacionadas a razões de segurança nacional, como as aplicadas sobre aço e alumínio.

Também seguem abertas investigações e medidas vinculadas à seção 301 da legislação comercial norte-americana, instrumento voltado a práticas consideradas desleais. Essas apurações podem resultar em novas restrições às exportações brasileiras, dependendo do desfecho das análises conduzidas pelas autoridades dos EUA.

Monitoramento das tarifas

Em dezembro de 2025, a CNI lançou um painel interativo para detalhar o panorama das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. A ferramenta reúne dados atualizados conforme a entrada em vigor das medidas e permite identificar tarifas adicionais, além de mapear os setores e produtos mais afetados.

A entidade avalia que a eventual reversão parcial das sobretaxas pode aliviar pressões sobre segmentos exportadores estratégicos, mas ressalta que o ambiente comercial bilateral ainda depende de definições jurídicas e políticas em curso nos Estados Unidos.

Para a indústria brasileira, o cenário segue marcado por incerteza regulatória, exigindo acompanhamento permanente das decisões judiciais e administrativas que moldam a política comercial norte-americana.