BUSCAR
BUSCAR
Política

Comissão da Câmara aprova projeto que limita decisões monocráticas do Supremo

Decisões teriam que ser validadas pelo pleno na sessão seguinte, e atores que podem ingressar com ações seriam restringidos
Redação
02/10/2025 | 05:45

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou nesta terça-feira um projeto de lei que limita decisões monocráticas, ou seja, as decisões tomadas individualmente por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O texto segue para análise do Senado, caso não haja recurso para que ele seja votado também no plenário da Câmara.

Comissão da Câmara aprova projeto que limita decisões monocráticas do Supremo
Plenário do STF em sessão nesta quarta-feira, presidida pelo ministro Edson Fachin, recém-empossado no cargo - Foto: Gustavo Moreno/STF

Segundo o projeto, toda vez que uma decisão individual for tomada, ela terá que ser justificada e colocada automaticamente para julgamento em plenário na sessão de julgamento seguinte.

Em seu relatório, o relator Alex Manente (Cidadania-SP) disse que as decisões monocráticas devem ser tomadas em “casos excepcionais que justificam a concessão” e “sempre que identificados a extrema urgência, o perigo de lesão grave e o interesse social relevante”.

O texto também estabelece que somente partidos ou federações que tenham cumprido a cláusula de barreira poderão ingressar com ação direta de constitucionalidade, ação direta de inconstitucionalidade por omissão, ação declaratória de constitucionalidade, e arguição de descumprimento de preceito fundamental. Hoje, qualquer partido com representante eleito na Câmara ou no Senado pode fazê-lo.

Para o relator, as duas mudanças —a limitação de atores que podem ingressar com questionamento de constitucionalidade e o rito para decisões monocráticas— são muito importantes.

Opositores ao projeto argumentam que as mudanças exigiriam a aprovação de uma PEC e não de um projeto de lei, já que é a Constituição que estabelece quais são os atores competentes para ingressar com ações de questionamento de constitucionalidade.

Na última eleição, 7 partidos que tiveram deputados eleitos não alcançaram a cláusula de barreira e, portanto, ficariam impedidos de acionar o STF para questionar a constitucionalidade de leis. O grupo inclui siglas como Solidariedade e Novo.

Barroso sinaliza possível antecipação da aposentadoria

O ministro Luís Roberto Barroso disse que ainda não definiu se ficará no Supremo Tribunal Federal (STF) até a aposentadoria compulsória, em 2033, ou se vai a Corte antes desse prazo. Segundo ele, “há outros espaços relevantes na vida brasileira”.

Em evento do grupo Lide, de que participou, Barroso afirmou que avalia “todas as possibilidades, inclusive a de ficar”. Ele deixou a presidência do STF na segunda-feira 29, após dois anos no cargo. Ao fazê-lo, descartou a aposentadoria imediata, mas deixou a possibilidade em aberto para o futuro.

“É muito difícil deixar o Supremo, que para quem tem compromisso com o Brasil, como eu tenho, é um espaço relevante. Mas há outros espaços relevantes na vida brasileira, de modo que eu estou considerando todas as possibilidades, inclusive a de ficar”, disse.

No último domingo 28, ele também falou sobre o assunto em entrevista à GloboNews, afirmando que vai fazer um retiro espiritual de uma semana para refletir sobre seu futuro.

“Eu já disse isso com toda franqueza: quando minha mulher ainda era viva, nós tínhamos um ajuste de que eu sairia depois da minha presidência, para aproveitar o instante, para a gente passear. Essa motivação já não tenho”, declarou. Sua esposa, Tereza Cristina Van Brussel Barroso, faleceu no início de 2023.