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Corrida
Com aprovação de vacina, Bolsonaro cai e Doria cresce em popularidade digital
Governador tucano disputa com Huck 2º lugar em ranking de fama nas redes sociais; mesmo após queda, presidente lidera
Folha de S.Paulo
19/01/2021 | 07:48

Com a aprovação do uso emergencial da Coronavac e da vacina Oxford/AstraZeneca neste domingo (17), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) perdeu popularidade nas redes, ao passo que o governador paulista, João Doria (PSDB), viu sua fama crescer.

No último fim de semana, Bolsonaro teve a pior pontuação do mês de janeiro no ranking do Índice de Popularidade Digital (IPD), elaborado pela consultoria Quaest. A métrica avalia o desempenho de personalidades da política nacional nas plataformas Facebook, Instagram, Twitter, YouTube, Wikipedia e Google.

Bolsonaro ainda é o primeiro colocado dentre uma lista de nove nomes que devem influenciar as eleições presidenciais de 2022, mas perdeu quase 20 pontos desde o início do mês —o IPD é medido em uma escala de 0 a 100, em que o maior valor representa o máximo de popularidade.

Já Doria, que chegou a ocupar a quinta posição no início deste ano, ganhou 18,7 pontos apenas entre o sábado (16) e o domingo, quando sua foto com Monica Calazans, enfermeira negra que foi a primeira brasileira vacinada, circulou nas redes sociais.

Com a escalada proporcionada pela Coronavac, o tucano bateu Lula (PT), Rodrigo Maia (DEM) e Ciro Gomes (PDT) e encostou em Luciano Huck (sem partido), em segundo lugar. A diferença entre eles é de apenas 0,3 ponto, com vantagem para o apresentador.

Os números do domingo traduzem o ápice da rivalidade que pautou a pandemia no país, em que Doria tentou ocupar o posto de protagonista do combate à crise sanitária se opondo à política do presidente de minimizar o impacto do coronavírus. Pelas redes, choveram imagens ironizando a derrota de Bolsonaro para o governador paulista por conta da vacina.

Na semana passada, o governo da Índia barrou a entrega imediata de um lote de imunizantes Oxford/AstraZeneca. Isso frustrou a operação montada pelo Ministério da Saúde e fez com que o Brasil iniciasse sua campanha de vacinação apenas com a Coronavac, negociada por Doria com o laboratório chinês Sinovac.

Nesta segunda (18), Bolsonaro, que já criticou diversas vezes a Coronavac, disse que o imunizante é a “vacina do Brasil” e não de “nenhum governador”, em recado ao tucano.

Para o cientista político Felipe Nunes, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e diretor da Quaest, os resultados momentâneos não significam necessariamente que Doria conseguiu se firmar na corrida pela preferência dos brasileiros em 2022.

“O governador de São Paulo vive seu melhor momento desde o começo da série histórica. Seu desafio é manter-se nesse patamar, o que não é tarefa fácil. [Sergio] Moro, [Luiz Henrique] Mandetta e Huck já tiveram momentos assim, mas sem uma estratégia política clara, perderam relevância rapidamente.”

Já a queda de Bolsonaro pode ser interpretada como uma reação não só à sua postura antivacina. Somam-se ao cenário episódios como a crise de oxigênio em Manaus e as dificuldades econômicas enfrentadas pelo país, especialmente com o fim do auxílio emergencial.

“Acredito que há uma combinação explosiva neste momento contribuindo para a queda na popularidade digital de Bolsonaro. O fim do auxílio emergencial, as dificuldades da equipe econômica em produzir reação e a postura conflitiva do governo em relação à vacina. Tudo isso junto, fez com que houvesse uma queda significativa na ‘valência’ de Bolsonaro —a dimensão do IPD que mede o sentimento nas redes sociais.”

Para a elaboração do IPD, são monitoradas seis dimensões nas redes: fama (número de seguidores), engajamento (comentários e curtidas por postagem), mobilização (compartilhamento das postagens), valência (reações positivas e negativas às postagens), presença (número de redes sociais em que a pessoa está ativa) e interesse (volume de buscas no Google, YouTube e Wikipedia).

Um modelo estatístico pondera e calcula a importância de cada dimensão, e os candidatos analisados são posicionados em uma escala de 0 a 100. A métrica é relacional, ou seja, varia a depender das personalidades que estejam sendo comparadas.

Além de Bolsonaro, Huck e Doria, integram o ranking de janeiro, em ordem de posição que ocupavam no último domingo: o ex-presidente Lula, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes, o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) e os ex-ministros Sergio Moro (sem partido) e Marina Silva (Rede).

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