A utilização de aves de rapina para afastar pássaros das áreas de pouso e decolagem reduziu em 50% o número de colisões entre aves e aeronaves militares na Base Aérea de Natal. Diante dos resultados, a Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou a expansão do projeto para outras unidades do país, começando pelas bases aéreas de Canoas e Santa Maria, no Rio Grande do Sul.
O trabalho é realizado por meio da falcoaria, técnica que utiliza aves treinadas para controlar a presença de espécies que representam risco à aviação. Na Base Aérea de Natal, os gaviões passaram a integrar a rotina operacional desde 2022 e atuam afastando pássaros das proximidades da pista.

Segundo a FAB, as colisões com aves ocorrem com maior frequência envolvendo espécies como urubus e corujas. Além de representar riscos à segurança das operações aéreas, esse tipo de ocorrência pode provocar danos às aeronaves e gerar custos elevados de manutenção.
Antes da adoção da falcoaria, a Força Aérea Brasileira utilizou diferentes métodos para tentar afastar os pássaros das áreas operacionais. Entre eles estavam espelhos, fogos de artifício, sirenes e outros dispositivos sonoros. No entanto, os resultados foram considerados limitados, uma vez que as aves acabam se habituando aos estímulos com o passar do tempo. “O uso de espelhos, fogos de artifício, barulhos, sirenes, eles acabam sendo pouco eficientes”, disse Paulo César Fischer, responsável pelo projeto em Brasília, em entrevista à TV Tropical.
Atualmente, a Base Aérea de Natal conta com quatro gaviões da espécie asa-de-telha, considerados adequados para esse tipo de atividade devido à capacidade de aprendizado e adaptação ao treinamento realizado pelos falcoeiros. “Ela é uma espécie muito inteligente, ela aprende rápido aos comandos do falcoeiro”, disse o tenente da FAB, Marco Túlio.
Uma das aves utilizadas no projeto é Luna, um gavião de apenas seis meses de idade que está na base há cerca de dois meses. O treinamento inclui respostas a comandos e voos controlados nas áreas próximas às pistas, criando um ambiente hostil para as espécies que costumam ocupar o espaço aéreo do aeródromo.
Com os resultados obtidos em Natal, militares de outras unidades da FAB passaram a ser treinados na capital potiguar para replicar a iniciativa. De acordo com a Aeronáutica, equipes das bases de Canoas e Santa Maria já estão sendo capacitadas para implantar o sistema no Sul do País.
“Os nossos militares de outras bases, uma iniciativa pioneira do Comando da Aeronáutica, têm vindo para cá para a gente treiná-los, para assegurar que tenham bons indicadores também nos aeródromos de destino dessa utilização”, afirmou o comandante da base aérea de Natal, Breno Diógenes.
A expectativa da Força Aérea Brasileira é ampliar gradualmente a utilização da falcoaria para outras bases militares. A instituição também avalia a possibilidade de estabelecer parcerias em aeródromos compartilhados entre a aviação militar e a aviação comercial.
Dados da FAB apontam que, entre o início deste ano e o dia 2 de junho, mais de 100 ocorrências desse tipo foram registradas em operações aéreas no país. “A intenção é a gente expandir isso para todas as bases militares, mas isso não impede que a gente estabeleça parcerias naqueles aeródromos que são compartilhados entre a aviação comercial e a Força Aérea Brasileira que nós temos ao longo do país”, finalizou Paulo César Fischer.