A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) criticou, ontem, por meio de nota, aquilo que caracterizou como “a intensificação da exploração da fé e da religião como caminho para angariar votos no segundo turno” das eleições deste ano. Ao ressaltar o trecho bíblico que observa que “existe um tempo para cada coisa”, a entidade deixou claro que “momentos especificamente religiosos não podem ser usados por candidatos para apresentarem suas propostas de campanha”. A CNBB não faz qualquer menção a candidatos, mas o documento foi divulgado na véspera da visita que o presidente Jair Bolsonaro (PL) faz, hoje, ao Santuário de Aparecida (SP), por conta da celebração do feriado de Nossa Senhora Aparecida.
Segundo a entidade, “a manipulação religiosa sempre desvirtua os valores do Evangelho e tira o foco dos reais problemas que necessitam ser debatidos e enfrentados em nosso Brasil. É fundamental um compromisso autêntico com a verdade e com o Evangelho”.

A CNBB vai mais além, ao condenar “veementemente o uso da religião por todo e qualquer candidato como ferramenta de sua campanha eleitoral. Convocamos todos os cidadãos e cidadãs, na liberdade de sua consciência e compromisso com o bem comum, a fazerem deste momento oportunidade de reflexão e proposição de ações que foquem na dignidade da pessoa humana e na busca por um país mais justo, fraterno e solidário”.
Horas antes da divulgação da posição da CNBB, a Arquidiocese de Aparecida confirmou a ida de Bolsonaro ao santuário. Nota assinada pelo arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, pede que “a rotina dos peregrinos não seja impactada” com a presença do presidente. “Como nos anos anteriores, o Santuário Nacional organizará a acolhida ao presidente nas melhores práticas que um chefe de Estado requer, mas também buscando garantir que a rotina dos peregrinos não seja impactada”.
No último dia 7, o presidente participou do Círio de Nazaré, em Belém, o que causou mal -estar com a Igreja Católica. Na ocasião, a Arquidiocese da capital paraense divulgou nota ressaltando não ter havido nenhum convite a Bolsonaro e que não permitiria “qualquer utilização de caráter político ou partidário das atividades do Círio.”
Na agenda de campanha de Bolsonaro, hoje, a ida a Aparecida não é o único evento religioso de que participará. Em São Paulo, ele estará em uma missa ao lado do candidato ao governo do Estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Mas antes do evento na capital paulista, o presidente vai a Belo Horizonte participar de um culto na Igreja Mundial do Poder de Deus.
Fiscalização
Em Pelotas (RS), ontem, Bolsonaro convocou seus apoiadores a permanecerem perto das seções eleitorais no próximo dia 30 até sair o resultado do segundo turno da eleição presidencial. Durante discurso, ele também voltou a colocar em dúvida o número de votos recebidos pelo adversário Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, mas não apresentar provas ou indícios de irregularidades.
“No próximo dia 30, de verde e amarelo, vamos votar. E, mais do que isso, vamos permanecer na região da seção eleitoral até a apuração do resultado. Tenho certeza de que o resultado será aquele que todos nós esperamos, até porque o outro lado não consegue reunir ninguém”, provocou Bolsonaro, ao lado do ex-ministro Onyx Lorenzoni (PL), que disputa o segundo turno da eleição para o governo gaúcho contra o tucano Eduardo Leite.