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Dark Horse

Produtora de filme sobre Bolsonaro declara gasto de R$ 75 milhões

Documentos anexados à investigação apontam que a produção de "Dark Horse" recebeu US$ 13,3 milhões em investimentos privados; PF apura origem e destino dos recursos
Redação
12/06/2026 | 19:03

A produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, declarou ter investido US$ 13,3 milhões — o equivalente a pouco mais de R$ 75 milhões — na produção do longa-metragem.

A informação consta em uma perícia privada contratada pela própria empresa e anexada ao processo que investiga supostos desvios de recursos do Instituto Conhecer Brasil (ICB). A investigação apura se parte de um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo teria sido utilizada para financiar o filme.

dark horse poster
Filme Dark Horse, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, teve custo declarado de mais de R$ 75 milhões, segundo documentos apresentados pela produtora à Justiça Foto: Reprodução

A representante do ICB, Karina Ferreira da Gama, também é proprietária da Go Up Entertainment e foi alvo de uma operação da Polícia Civil realizada no início deste mês.

Segundo os documentos, os gastos declarados somam R$ 54,2 milhões nos Estados Unidos e R$ 20,9 milhões no Brasil. Embora conte com atores norte-americanos, como Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro, parte das gravações foi realizada em cidades brasileiras, incluindo São Paulo.

A produtora informou ainda que o orçamento inicialmente aprovado para o projeto era de US$ 16 milhões, cerca de R$ 89,7 milhões. O valor declarado é inferior aos US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões) que, segundo reportagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil, teriam sido discutidos em negociações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro.

As conversas reveladas apontam a discussão de um modelo de financiamento dividido em parcelas para custear a produção cinematográfica. Em um dos diálogos divulgados, Flávio Bolsonaro demonstrou preocupação com atrasos nos repasses financeiros ao projeto.

O senador confirmou a autenticidade de um áudio divulgado pela imprensa, mas afirmou que os aportes realizados por Vorcaro ocorreram de forma legal e sem qualquer contrapartida. Segundo as investigações, os pagamentos vinculados ao filme teriam somado US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões.

Como os recursos foram distribuídos

De acordo com a perícia apresentada pela Go Up, os valores foram empregados nas seguintes etapas:

  • Desenvolvimento do projeto nos Estados Unidos: US$ 383 mil;
  • “Soft-production”: US$ 2,6 milhões;
  • Pré-produção nos Estados Unidos: US$ 2,6 milhões;
  • Produção e filmagens nos Estados Unidos: US$ 1,9 milhão;
  • Produção e filmagens no Brasil: US$ 3,7 milhões;
  • Pós-produção nos Estados Unidos: US$ 1,9 milhão.

O relatório informa ainda que os recursos foram captados por meio do fundo Heavengate Development Fund LP, que havia transferido US$ 13,3 milhões para a produção até o dia 10 de junho. No Brasil, os valores teriam sido movimentados por meio de uma conta do Banco do Brasil, com a maior parte das transferências realizadas via Pix.

Segundo os peritos, a documentação analisada indica que os recursos utilizados no projeto tiveram origem privada, respaldada por contratos de investimento, registros bancários e documentos financeiros.

PF investiga ligação com Eduardo Bolsonaro

Além da produção do filme, a Polícia Federal também investiga se recursos vinculados ao fundo utilizado para financiar Dark Horse teriam sido empregados para custear a permanência do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O fundo tem como representante legal um escritório de advocacia que atua na defesa de Eduardo Bolsonaro. O ex-parlamentar vive nos EUA desde fevereiro de 2025 e é alvo de investigações relacionadas à suposta articulação de sanções internacionais contra autoridades brasileiras.

Até o momento, não há conclusão das investigações nem acusações formais relacionadas ao uso dos recursos do filme para financiar despesas pessoais.