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Imunização
Cientistas criticam ausência de prioridade a pobres e negros na vacinação contra Covid-19
Estes são alguns dos grupos mais vulneráveis ao coronavírus e sua não inclusão acentuará ainda mais a nossa desigualdade social e racial, segundo especialistas
O Globo
24/01/2021 | 13:21

A vacinação contra a Covid-19 acentuará ainda mais a nossa desigualdade social e racial. Isto ocorre, segundo especialistas, porque pobres e negros, apesar de mais vulneráveis à pandemia por uma série de fatores, não foram diferenciados no Plano Nacional de Imunização — ou seja, continuarão mais expostos ao vírus que o restante dos brasileiros.

Diante disso, cientistas defendem que esta parcela da população seja incluída entre as prioridades do PNI. A campanha de vacinação começou na semana passada, com prioridade para profissionais de saúde.

Um estudo inédito do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da UFRJ mostra que trabalhadores negros no Brasil correm risco 39% maior de morrer de Covid-19 do que os brancos. Já um trabalho publicado na revista britânica Public Health revela que brasileiros com educação superior (e brancos são 70% do total neste importante indicador de renda) correm risco 44% menor de serem vítimas fatais do vírus.

“Os pobres, em especial os negros, são obrigados a se expor mais, adoecem mais e morrem mais de Covid-19 no Brasil. Por isso, é justo e necessário que haja uma prioridade para eles. Isso é totalmente factível de realizar”, afirma Roberto Medronho, professor de epidemiologia da UFRJ, coordenador do estudo em parceria com o IPEA e propositor da ideia de que os negros pobres sejam incluídos em grupos prioritários.

No Brasil, enfatiza o acadêmico, o pobre é quase sempre negro. São negros 75,2% da camada com menor renda da população, segundo o IBGE. Também são negros dois terços dos desempregados.

Já a pesquisa “Fatores sociodemográficos associados à mortalidade por Covid-19 em hospitais do Brasil” (tradução livre do inglês) publicada este mês na Public Health mostra que entre os brasileiros hospitalizados, negros têm maior taxa de mortalidade (42%) que brancos (37%). Além disso, têm menos acesso a recursos.

“A Covid-19 afeta os brasileiros de forma diferente. Os negros pobres correm um risco maior e isso é evidente nos dados”, afirma Fernando Bozza, coordenador do estudo e pesquisador da Fiocruz e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR).

Outro estudo da UFRJ mostra que quanto maior a desigualdade e população negra um município brasileiro tiver, mais casos de Covid-19.

“É eticamente justificável que profissionais de saúde e de segurança sejam priorizados. Eles precisam de proteção, mas é a imunização da população socialmente mais vulnerável que protegerá toda a sociedade”, salienta Medronho.

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