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Polêmica
Chamada de “assediadora de menores”, Xuxa aciona Justiça contra apoiador de Bolsonaro
Segundo a defesa da artista, o político fez tal declaração sem a apresentadora ter citado seu nome em nenhum momento
Notícias da TV
07/07/2021 | 12:34

Xuxa Meneghel registrou queixa-crime contra Anderson Campos, vereador de Nilópolis, no Rio de Janeiro, por ter sido chamada de “assediadora de menores”. Ele escreveu a afirmação em uma publicação em defesa de Jair Bolsonaro nas redes sociais. A apresentadora pede a condenação do político por calúnia, injúria e difamação em ação que corre no Cartório da 1ª Vara Criminal da Comarca de Nilópolis, segundo o Notícias da TV.

Em maio, a rainha dos baixinhos e outros famosos assinaram um pedido de impeachment do presidente. No documento protocolado pelo Movimento Vidas Brasileiras na Câmara dos Deputados, a mãe de Sasha Meneghel critica a gestão atual diante da pandemia da Covid-19.

“Queremos salvar vidas. Entendemos que esse governo seja o principal responsável por tantas mortes e, por isso, entregamos um pedido de impeachment do presidente da República por crimes de responsabilidade”, declarou ela na solicitação. Na ocasião, ela também compartilhou um vídeo sobre o tema em seu Instagram.

Em 26 de maio, Campos foi às redes sociais para opinar sobre essa movimentação contra Bolsonaro. “Que moral que uma assediadora de menores como a Xuxa, um desvirtuador de bons costumes como o Felipe Neto e um usuário de drogas como o Casagrande têm para pedir o impeachment do presidente Jair Messias Bolsonaro?”, questionou ele em sua página.

Por causa dessa publicação, a comunicadora acionou seus advogados e protocolou uma queixa-crime contra o apoiador de Bolsonaro em 28 de junho. O Notícias da TV teve acesso aos autos, em que ela alega ter sentido sua “dignidade e honra” ofendidas.

Segundo a defesa da artista, o político fez tal declaração sem a apresentadora ter citado seu nome em nenhum momento. Os advogados ressaltaram que, ao falar sobre o impeachment, Xuxa o fez no “intuito exclusivamente democrático”, sendo que “nada, absolutamente nada, foi direcionado ao querelado [Campos]. Seu nome não foi sequer mencionado”.

A rainha dos baixinhos se sentiu fortemente lesada com as palavras proferidas. A postagem em questão não somente repercutiu na imprensa, como motivou outros comentários difamatórios contra ela na internet. Por causa disso, os defensores da veterana destacam que o vereador não pode gozar de imunidade parlamentar por ter ido além como representante do povo.

“É fora de dúvidas que, ao afirmar, em uma rede social, que a querelante seria uma ‘assediadora de menores’, o querelado [Campos] passou todo e qualquer limite do direito à crítica e à opinião, tendo o nítido intuito de macular a honra objetiva da querelante, desacreditando-a publicamente”, consta na petição inicial.

“As declarações do querelado configuram nítido abuso/excesso da prerrogativa de imunidade material, porquanto extrapolam o discurso político, constituindo ofensas pessoais não vinculadas ao exercício de seu mandato. Assim, não há falar que o querelado estaria legitimado ou, aliás, imunizado pela sua posição de parlamentar”, continua a defesa da veterana.

No processo, Xuxa pede que ao vereador sejam imputados os crimes de calúnia, injúria e difamação, com uma observação: ela não quer uma audiência de conciliação. “A querelante não possui interesse em reconciliação”, observaram seus advogados.

O Notícias da TV contatou a assessoria da apresentadora, que declarou não se “manifestar a respeito de notas jurídicas”. O escritório de advocacia que a representa também foi procurado. Em comunicado, Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, advogados de Xuxa, destacaram que o episódio representa um discurso de ódio.

“A liberdade de expressão não pode ser confundida com o direito de propagar o ódio e praticar crimes, por meio da disseminação de acusações graves e inverídicas contra as pessoas. O objetivo dessa ação é coibir o discurso de ódio e possibilitar a defesa de quem foi atacada e que, não fosse pelo Judiciário, ficaria impossibilitada de se proteger contra esse tipo de ataque hostil”, diz a nota.

Procurado pela reportagem, Anderson Campos se manifestou sobre a queixa-crime aberta por Xuxa Meneghel. Ele admitiu que não imaginava que uma afirmação em sua rede social resultasse em um caso para a Justiça.

Em uma declaração em vídeo, o político reafirmou o que escreveu em sua rede social. Ele explicou que classificou a apresentadora como “assediadora de menores” por ela ter feito o filme Amor Estranho Amor (1982).

“O fato que narrei a respeito da vida dela é público: ela fez um filme erótico com um menor de idade. A partir do momento que ela pediu o impeachment do presidente Bolsonaro –o qual eu defendo e com o qual eu represento no município–, me achei no direito de mostrar o nível de imoralidade que a cercou no passado, dizendo que ela não tem moral nenhuma para poder pedir o impeachment”, afirmou.

“E acrescento mais. Como vereador, eu tenho imunidade parlamentar. Sou inviolável por quaisquer das minhas palavras, opiniões e votos. Então, fazendo uso da tribuna, sendo vereador da minha cidade, falei e não volto atrás. Reafirmo tudo o que disse”, declarou.

Diante do pedido de Xuxa de não haver uma audiência de conciliação, Campos declarou também não ter interesse em um diálogo com a artista. “Ela não quer, eu também não quero. O que vou trabalhar é mostrar que como vereador e parlamentar, eu tenho direito de me expressar. O que falei não é nenhuma mentira. Ela fez um filme erótico com um menor de idade. Ponto”, finalizou.

Amor Estranho Amor, obra dirigida por Walter Hugo Khouri (1929-2003), mistura nudez, prostituição e incesto em seu enredo. A apresentadora tinha 18 anos quando fez o longa. Ela trabalhava como atriz e modelo e ainda não havia se tornado a rainha dos baixinhos da TV.

Na história, a artista interpretava uma menina de 15 anos que era vendida para um prostíbulo. Dentro da trama, a personagem de Xuxa tinha uma relação com um menino de 12 anos, interpretado por Marcelo Ribeiro, com quem ela chegou a contracenar nua.

Em recente entrevista para o Fantástico, da Globo, a atriz desabafou sobre a eterna polêmica envolvendo o longa. “Quem não viu o filme, por favor veja. Fala de uma coisa muito atual, a exploração infantil. Isso é a realidade de muita gente. Muita criança ainda é vendida. Isso tem que ser falado”, discursou.

“As pessoas levantam essa bandeira: ‘Ah você transou com um garoto de 12 anos num filme’. Eu não transei, aquilo é ficção”, rebateu.

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