“Caquistocracia” é ainda bem pouco
O jornalista José Roberto de Toledo (@zerotoledo) cunhou a palavra “caquistocracia” para definir o governo Bolsonaro.

Caquistocracia ou kakistocracia é o sistema de governo onde os líderes são os piores, menos qualificados e/ou mais inescrupulosos cidadãos, diz a Wikipédia, o dicionário livre e dinâmico da internet.
E lembra: o termo remonta à primeira metade do século XVII, portanto, tão antiga quanto à safadeza no mundo, que é mais antiga ainda.
Não é exatamente verdade.
O Brasil sempre foi uma caquistocracia desde os primórdios da colonização, só que agora é mais porque, em plena democracia representativa, ficou mais “autocrata”, mais “filhocrata”, mais “amigocrata”, mais “parentocrata” e mais “militarocrata” do que antes.
Ou seja, reuniu todas as excrescências já existentes a uma sinceridade cínica que indica claramente quem manda e quem obedece; quem fala mais alto e quem silencia; quem pode e quem não pode.
Hoje, não se pode mais saber quanto o presidente gastou numa viagem de recreação no meio da pandemia; não pode acessar documentos públicos em nome da segurança nacional, que pode ser qualquer besteira; e, com o tempo, não se poderá dizer nada que ofenda o governo de plantão.
Não se poderá mais exigir uma mísera prova de fraude na eleição, nem se o presidente da República jurar que houve e, em breve, também não se poderá colocar em questão a circunferência da terra, tanta será a certeza de que ela é plana e Galileu, um mentiroso subversivo.
Como é sabido dos bancos escolares, em 22 de junho de 1633, o astrônomo Galileu Galilei, considerado o criador do método científico, recebeu sua sentença em tribunal da Inquisição.
Acusação: defender o modelo de Copérnico de que a terra gira em torno do sol. Considerado um herege e forçado a negar as próprias ideias para se manter em prisão domiciliar e não morrer na fogueira, Galileu foi esperto.
Para o bem das “caquitocracias” e afins.