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Política

‘Candidato das elites do RN’, diz Lucena, sobre Rogério Marinho

Ex-parlamentar avalia a candidatura do bolsonarista e afirma que este perderá por causa da rejeição às reformas trabalhista e previdenciária
Alessandra Bernardo
03/08/2022 | 09:11

“A população do Rio Grande do Norte vai saber diferenciar quem é o candidato das reformas trabalhista e previdenciária e do bolsonarismo no RN”, afirmou o ex-vereador Fernando Lucena (PSB), ao falar sobre a candidatura do ex- -ministro do Desenvolvimento Regional e aliado do presidente Jair Bolsonaro (PL), Rogério Marinho (PL) e o que esta representa para o futuro dos potiguares, nestas eleições gerais. Segundo ele, os eleitores não se deixarão enganar por candidaturas criadas por interesse das elites social e empresarial potiguar.

“A candidatura de Rogério Marinho é o que há de mais atrasado no Rio Grande do Norte. É a canAlessandra Bernardo Repórter de Política didatura forças conservadoras e reacionárias. Não é nem da direita, porque os candidatos de direita estão pulando fora desse barco. É uma candidatura isolada, bilionária, financiada pelo sistema do governo federal e das privatizações, ou seja, das doações praticamente feitas da BR Distribuidora, dos gasodutos e refinarias de petróleo. Enfim, tudo isso aí. Tem muita gente apostando alto para manter o candidato do orçamento secreto”, afirmou.

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Lucena: “Rogério já deu o que tinha de dar. Perdeu para federal, mesmo gastando milhões. Vai perder para o Senado” - Foto: Reprodução

O ex-parlamentar disse ainda que, além de “altamente atrasada e conservadora”, a candidatura do bolsonarista já nasceu fadada ao fracasso, uma vez que o candidato vem de perdas eleitorais importantes, a exemplo da eleição para a Câmara dos Deputados em 2018, quando não conseguiu se reeleger. Ex-secretário do Desenvolvimento Econômico durante o governo de Rosalba Ciarlini (PP), ele já foi filiado ao PSB de Fernando Lucena, tendo migrado para o PSDB em 2009.

“Rogério Marinho já deu o que tinha de dar. Perdeu para (deputado) federal, não teve a votação que esperava, mesmo gastando milhões. Vai perder para o Senado. Essa é a grande realidade que temos hoje”, vaticinou.

Poucos dias após o candidato do PL ter anunciado seus suplentes – o empresário Flávio Azevedo (1º suplente) e o vereador de Macaíba Igor Targino (2º suplente) -, Lucena disse que os nomes escolhidos pelo bolsonarista só reforçam que este é o candidato das elites do Rio Grande do Norte, financiado por grandes empresários potiguares e entidades.

“É a elite do Rio Grande do Norte. Bolsonaro, hoje, está perdendo o apoio das elites porque quis dar um golpe, senão, eles estariam todos bancando. Quem não se lembra dos patinhos da Fiesp? Eles estão soltos por aí. Aqui, são os patinhos da Fiern (Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte). Se o Flávio topou ser suplente dele, é porque o empresariado que está bancando. Não há dúvidas disso”, afirmou.

Lucena disse ainda que a campanha de Rogério Marinho no interior do Estado é milionária e “vergonhosa”. “Se o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) andar cem metros no interior, vai encontrar alguém que recebeu dinheiro de Rogério Marinho para apoiá-lo. É uma vergonha, mas é o que está acontecendo no país inteiro. Ele é o candidato das elites do Rio Grande do Norte, declarada e absurdamente, sem nenhum controle, usando a máquina do governo federal”, falou.

E citou uma situação que presenciou durante uma reunião no interior do Estado. “Estava lá e uma pessoa disse: “Fulano, lá do sindicato, não veio porque a Funasa (Fundação Nacional da Saúde) foi furar um poço para Rogério Marinho inaugurar semana que vem. Onde já se viu isso? Já pensou se Fernando Lucena fosse inaugurar um poço e tivesse algum cargo no governo? Hahaha. Enfim, dinheiro corre frouxo. O candidato das elites e da burguesia, mas não é do povo”, comentou.

‘Perderá pela rejeição, que é grande por causa da reforma trabalhista’, diz

Questionado sobre os efeitos da atuação de Rogério Marinho nas reformas trabalhistas e da previdência, Fernando Lucena respondeu que foram danosos aos trabalhadores. E que a rejeição ao seu nome é grande, nas pesquisas eleitorais, justamente por causa das reformas. “Fez as artimanhas para ferrar os aposentados e os trabalhadores”, afirmou Fernando Lucena.

O veterano disse ainda que a reforma trabalhista é a oficialização do “trabalho escravo”. “Rogério Marinho, a serviço de Michel Temer e Jair Bolsonaro, rasgou a carteira de trabalho, prometendo cinco milhões de empregos, mas foi o contrário. Em 2016, tínhamos 4,5 milhões de desempregados. Hoje, temos mais de 12% de desempregados. Os efeitos são devastadores para os trabalhadores, sobretudo para aqueles que produzem, que são os que levam a riqueza, estão trabalhando praticamente de graça”, disse.

“Entre os pontos mais graves da primeira, está o trabalho intermitente, que quebra o direito constitucional de ninguém receber menos que um salário-mínimo, pois o trabalhador fica à disposição do patrão por hora, ou seja, ele vai usar sua mão de obra quando achar conveniente. E o pior, assina a carteira, mas isso não vale nada e termina sem receber seus direitos. Quebra a paridade do salário-mínimo, pois você pode ganhar até R$ 300. Ele prejudicou milhões de trabalhadores no país e no Rio Grande do Norte”, finalizou.

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