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Protesto

Caminhoneiros convocam paralisação nacional nos portos nesta segunda-feira 13

Mobilização tem como foco os portos e busca pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a colocar em votação a Medida Provisória (MP) 1.343/2026
Redação
13/07/2026 | 10:08

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como “Chorão”, convocou caminhoneiros para uma paralisação nacional a partir da 0h desta segunda-feira 13. A mobilização tem como foco os portos e busca pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a colocar em votação a Medida Provisória (MP) 1.343/2026.

A proposta perde a validade na quinta-feira 16, caso não seja analisada pelos senadores. Segundo a categoria, a medida reforça o piso mínimo do frete e prevê anistia para multas aplicadas em manifestações anteriores.

Paralisação dos Caminhoneiros Br 304 PaRio Grande do Norteamirim (22)
Presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores, Wallace Landim convocou caminhoneiros para uma paralisação. Foto: José Aldenir

A convocação ocorre após cerca de duas semanas de negociações em Brasília sem que o texto fosse incluído na pauta do Plenário do Senado. Apesar da expectativa de que a votação possa ocorrer na terça-feira 14, Wallace Landim orientou os caminhoneiros a não iniciarem viagens e permanecerem parados até que haja confirmação da análise da matéria.

O movimento atribui ao presidente do Senado a responsabilidade por uma eventual greve nacional caso a proposta não seja votada. Por outro lado, representantes dos setores do agronegócio e da indústria se posicionam contra a MP, sob o argumento de que as mudanças podem elevar os custos do transporte e da logística.

O que prevê a MP

A Medida Provisória foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 17 de junho na forma do Projeto de Lei de Conversão (PLV) 6/2026 e reúne uma série de alterações para o setor de transporte rodoviário de cargas.

Entre as principais mudanças está a criação de um piso salarial nacional de R$ 5 mil mensais para motoristas contratados pelo regime CLT que atuam em viagens de longa distância, caracterizadas por períodos superiores a 24 horas fora da base de trabalho.

O texto também endurece as punições para empresas que descumprirem o piso mínimo do frete. As multas variam entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão nos casos de reincidência. Além disso, estabelece que o pagamento do frete deverá ser realizado em até 30 dias úteis, com antecipação obrigatória de, no mínimo, 70% do valor para transportadores autônomos.

Na área de fiscalização, a proposta amplia de 50 para 74 toneladas o limite da exceção para aferição de excesso de peso exclusivamente pelo Peso Bruto Total (PBT), mantendo tolerância de 5% no peso total e de 12,5% por eixo.

Outro ponto da MP concede anistia às multas aplicadas a caminhoneiros e empresas em razão dos bloqueios de rodovias ocorridos após as eleições de 2022. O texto também transforma em advertências as penalidades por descumprimento das regras do frete e por excesso de peso por eixo aplicadas até a publicação da futura lei, sem previsão de restituição dos valores já pagos.

Origem da proposta

A MP foi editada pelo governo federal em março, em meio à ameaça de uma paralisação nacional motivada pela alta do preço do diesel e pelo descumprimento da tabela do frete mínimo.

A proposta determina ainda que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualize a tabela do frete a cada seis meses ou sempre que houver variação superior a 5% no preço do combustível. Nesses casos, os novos valores deverão ser publicados em até três dias úteis.

Se a medida for aprovada pelo Senado e sancionada, o Poder Executivo terá prazo de 180 dias para regulamentar as novas regras, enquanto as empresas contarão com, no mínimo, 60 dias para se adequar às exigências previstas na legislação.