Para milhões de pessoas, o dia começa com o aroma familiar de uma xícara de café. O ritual matinal promete despertar o corpo, clarear o pensamento e afastar a sensação de fadiga. A ciência confirma parte dessa experiência cotidiana: a cafeína, presente no café e em outras bebidas, é um estimulante do sistema nervoso central, capaz de aumentar o estado de alerta, reduzir o cansaço e melhorar a capacidade de concentração.
Mas, como acontece com muitos hábitos diários, o limite entre benefício e desconforto pode ser mais estreito do que parece. Segundo o neurologista Marcelo Marinho, de Natal, a relação entre cafeína e dor de cabeça costuma aparecer justamente em dois extremos: no consumo excessivo ou na interrupção repentina.

Doses acima de 300 a 400 miligramas por dia — o equivalente aproximado a três ou quatro xícaras de café — podem desencadear uma série de efeitos indesejados. Entre eles estão agitação, tremores, ansiedade, insônia, taquicardia, refluxo e, paradoxalmente, dor de cabeça.
“A cafeína é uma substância estimulante do sistema nervoso central, que por esta ação deixa a pessoa mais alerta, com menos fadiga e com maior capacidade de concentração”, explicou o médico. No entanto, quando o consumo ultrapassa certos limites, o organismo pode reagir de forma adversa.
O outro lado da moeda aparece quando o café desaparece de repente da rotina. Em pessoas que consomem cafeína diariamente — mesmo em quantidades consideradas moderadas — a suspensão abrupta pode desencadear um quadro de abstinência. Os sintomas geralmente surgem entre 12 e 24 horas após a última ingestão.
A dor de cabeça é o sinal mais frequente, muitas vezes acompanhada de fadiga, sonolência, dificuldade de concentração e uma sensação geral de mal-estar. Para quem está habituado ao café diário, o desconforto pode ser suficiente para interromper tentativas repentinas de abandonar o hábito.

Por isso, especialistas recomendam cautela ao tentar reduzir o consumo. “Em paciente com consumo regular de cafeína, mesmo que em excesso (acima de quatro xícaras de café por dia), nunca recomendamos a parada abrupta”, afirmou Marinho. “Faça uma redução gradual dia após dia na quantidade de café, até a suspensão ou chegar em uma dose mais adequada”.
No fim das contas, o café continua sendo um aliado para muitos — desde que consumido com equilíbrio. Afinal, entre a primeira xícara da manhã e a última do dia, o segredo parece estar menos na quantidade e mais na medida.