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Auto RN

Buda vê pós-venda como teste real dos eletrificados no RN

Grupo aposta que oficina especializada, disponibilidade de peças e suporte ao cliente serão fatores centrais para a maturidade do segmento no RN
Redação
13/06/2026 | 05:41

O crescimento dos eletrificados pode aparecer primeiro no showroom, na curiosidade do consumidor e no interesse por economia de combustível. Mas o teste mais duro virá depois da venda. Na Buda Motors, representante da Mitsubishi em Natal, a leitura é que híbridos e elétricos só vão consolidar espaço no Rio Grande do Norte se a experiência for sustentada por oficina preparada, peças disponíveis, diagnóstico confiável e pós-venda capaz de acompanhar uma tecnologia ainda nova para parte dos consumidores.

Para o gerente geral da Buda Motors, Leonardo Medeiros, o avanço dos veículos eletrificados no RN é notável e ocorre em ritmo acelerado. “O que mais escutamos dos consumidores que optam por um veículo eletrificado é a busca por economia a curto e médio prazo, principalmente relacionada ao consumo de combustível e ao custo operacional do veículo. Além disso, existe também um interesse cada vez maior por tecnologia, conforto e inovação”, afirma.

Eclipse Elétrico
Modelo da Mitsubishi Eclipse Cross, elétrico com 600 km de autonomia recém-lançado - Foto: Reprodução

A avaliação da Buda é que o mercado vive uma fase de transição. Os eletrificados tendem a conquistar uma fatia cada vez mais relevante, mas ainda deverão dividir espaço com os veículos a combustão por muitos anos. A escolha do consumidor, segundo Leonardo, continuará dependendo do perfil de uso, da rotina de deslocamento e da segurança percebida em relação à tecnologia.

Na prática, o interesse já é real. Segundo o gerente, os veículos híbridos, plug-in e elétricos deixaram de ser apenas uma curiosidade tecnológica e passaram a entrar efetivamente no processo de compra do cliente potiguar. Antes de decidir, porém, o consumidor ainda apresenta dúvidas recorrentes.

Entre os principais questionamentos estão autonomia para viagens mais longas, quantidade de pontos de recarga no RN e nas rodovias, tempo de carregamento, vida útil da bateria, valor de revenda, custo de substituição da bateria, estrutura de manutenção especializada, disponibilidade de peças e prazo de chegada dessas peças à concessionária.

Esse conjunto de dúvidas ajuda a explicar por que o pós-venda ganha peso central na nova fase. “A chegada dos veículos eletrificados trouxe uma transformação muito grande dentro da concessionária, não apenas na venda do produto, mas em toda a operação. Hoje, vender um híbrido ou elétrico exige um nível de preparação técnica e consultiva muito maior do que no veículo tradicional”, afirma Leonardo.

Na área comercial, o vendedor deixou de falar apenas sobre potência, design e condição de pagamento. Agora precisa explicar autonomia, tipos de carregamento, funcionamento da bateria, consumo energético e perfil ideal de uso para cada cliente. “Ou seja, a venda ficou muito mais consultiva”, diz.

A transformação também chega à oficina. A manutenção de veículos eletrificados exige profissionais capacitados para lidar com sistemas de alta voltagem, softwares embarcados, gerenciamento eletrônico de bateria e novas tecnologias de propulsão. Ferramentas específicas, equipamentos de segurança, isolamento para alta tensão e novos processos de diagnóstico passam a fazer parte da rotina.

Leonardo afirma que o técnico hoje trabalha muito mais conectado à tecnologia e ao software do veículo. O diagnóstico automotivo, antes associado sobretudo à inspeção mecânica, evoluiu para sistemas de scanner, monitoramento eletrônico e leitura de dados. Em alguns casos, o carro praticamente informa a necessidade de intervenção antes mesmo de a falha acontecer.

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Leonardo Medeiros, gerente geral Buda Motors em Natal – Foto: Reprodução

No pós-venda, o desafio é transmitir confiança. Como a tecnologia ainda é relativamente nova para muitos consumidores, a preocupação com bateria, manutenção, durabilidade e suporte técnico pesa na decisão de compra e na fidelização depois da venda. Para Leonardo, esse será um dos pontos decisivos para medir a maturidade do mercado. “O pós-venda ganha um papel ainda mais estratégico na fidelização desse cliente. É um tema que ainda precisa evoluir bastante entre as montadoras de veículos eletrificados, porque isso será peça-chave no futuro próximo para entendermos se esse crescimento vai se manter no mesmo ritmo ou se haverá alguma mudança no comportamento do consumidor”, avalia.

A Buda Motors se posiciona nesse debate a partir de uma trajetória consolidada no mercado automotivo potiguar. O grupo representa a Mitsubishi Motors em Natal e construiu presença especialmente nos segmentos de SUVs, picapes, veículos 4×4 e modelos premium. A operação também avançou para outros segmentos automotivos e de mobilidade, incluindo motocicletas premium e off-road com a CFMOTO, além de seminovos.

A concessionária associa seu posicionamento ao DNA da Mitsubishi no Brasil: robustez, aventura, tecnologia e confiabilidade, especialmente em veículos como Triton, Eclipse Cross e Outlander PHEV. Esse perfil ajuda a explicar por que a leitura da Buda sobre os eletrificados passa menos pelo entusiasmo imediato e mais pela sustentação da experiência no uso real.

O avanço dos eletrificados também muda a forma como marcas tradicionais precisam se posicionar diante da chegada das chinesas. Leonardo afirma que, antes, fabricantes consolidadas competiam muito com base em história, confiabilidade, rede de concessionárias e valor de revenda. Esses fatores continuam importantes, especialmente em mercados mais conservadores como o Nordeste. Mas os eletrificados trouxeram um novo fator competitivo: a tecnologia percebida.

“As marcas chinesas chegaram muito fortes em conectividade, design, tecnologia embarcada e custo-benefício. E isso acabou acelerando uma mudança no comportamento do consumidor. Hoje, muitos clientes entram na concessionária já comparando nível de tecnologia, autonomia, experiência digital e equipamentos de série, algo que antes não tinha tanto peso na decisão de compra”, afirma.

Para a Buda, esse movimento obriga as marcas tradicionais a reagirem não apenas com novos produtos eletrificados, mas também com melhor experiência, comunicação, posicionamento e velocidade de adaptação. No RN, esse ponto é ainda mais relevante porque o consumidor local costuma ser atento ao custo-benefício. Quando marcas novas oferecem tecnologia por preço competitivo, todo o mercado precisa se reposicionar.

Ao mesmo tempo, Leonardo ressalta que as tradicionais ainda possuem vantagens fortes em pós-venda, confiança, estrutura de oficina, disponibilidade de peças e histórico de mercado.

Outra tendência apontada pela Buda é a popularização dos eletrificados por meio de modelos de entrada. Segundo Leonardo, os veículos posicionados em uma faixa mais acessível, próxima de até R$ 130 mil, tendem a puxar volumes maiores.

O RN, segundo ele, pode se tornar uma praça estratégica para medir a aceitação dos eletrificados no Nordeste. Natal tem deslocamentos urbanos favoráveis ao uso diário de híbridos e elétricos, mas o consumidor potiguar também utiliza bastante o carro para viagens regionais, praias e interior. Isso permite testar, na prática, autonomia, infraestrutura de recarga e confiabilidade.

Outro fator é o crescimento da energia solar no Estado. Para Leonardo, muitos consumidores começam a enxergar a possibilidade de unir mobilidade e geração própria de energia para reduzir custos.

O diagnóstico da Buda é que o mercado ficou melhor para o consumidor, com mais opções, mais tecnologia e mais competição. Mas a consolidação dos eletrificados dependerá da capacidade das marcas de entregar o que prometem depois que o carro sai da loja. No novo mercado automotivo, vender tecnologia será apenas a primeira etapa.