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Marcelo Hollanda
Bolsonaro voltou a defender a privatização da Petrobras neste fim de semana
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta terça-feira (9)
Marcelo Hollanda
09/11/2021 | 08:23

Rei Arthur, todo poderoso
O presidente Jair Bolsonaro não deveria ter vida fácil no Congresso daqui para frente com a decisão da ministra Rosa Weber de suspender temporariamente os repasses do governo a parlamentares de sua base aliada via o famigerado orçamento secreto ou emenda do relator, como queiram.

Embora a decisão da ministra não deixe de ser o avanço de um poder sobre as prerrogativas de outro, provocada não obstante pela minoria na Câmara, a distribuição sigilosa dessas emendas é um escândalo atualizado dos Anões do Orçamento na virada dos anos 80 para 90.

Uma vez agora no plenário do Supremo, convocado pelo ministro-presidente Luiz Fux, a decisão de Rosa tende a ser mantida, mas as chances de mudar votos na Câmara no segundo turno, que acontece nesta terça-feira, são mínimas.

O risco que os parlamentares correm é de exporem seus nomes e mandatos com a possível abertura da caixa preta dessas emendas pagas diretamente pelos Ministérios envolvidos, especialmente o do Desenvolvimento Regional, comandado pelo potiguar Rogério Marinho.

É, sem dúvida, uma caixa de gordura transbordando, num esquema de compra de apoio político nunca visto no País.

Sem o orçamento secreto, todo mundo sabe, o projeto de governabilidade no caos de Bolsonaro cai por terra.

A simples publicidade dessas emendas, expondo quem as recebe e quanto recebe, não ajuda em nada as políticas eleitoreiras de um governo avesso ao trabalho duro de governar.

E, mais, cujo comandante gosta de bordejar em viagens internacionais ridículas e em ‘motociatas’ dispendiosas.

Com exceção daqueles que aceitam tudo em nome do que não se sabe explicar, milhões de brasileiros que já desembarcaram dessa canoa estão perplexos com o estelionato eleitoral que sofreram.

Uma tunga sem tamanho por parte de quem se elegeu prometendo exatamente o contrário do que faz.

Num momento em que o país se contorce em busca de um necessário socorro a milhões de brasileiros que passam fome (e o governo dá o calote em dívidas já reconhecidas por lei), sair distribuindo gordos nacos do orçamento da União a parlamentares ‘amigos’, sem qualquer transparência ou controle externo, é sinal que chegamos mesmo ao fundo do esgoto.

A ministra Rosa Weber apenas adiantou as coisas, razão pela qual é criticada por quem prega a independência entre os poderes como forma de se livrar do controle da sociedade.

Faz parte?
É claro que faz parte do jogo adoçar apoio político com cargos e facilidades no governo. É o mal necessário de quem precisa governar. Mas nada se compara com esse orçamento do relator entregue a um primeiro ministro branco que atende pelo nome de um Rei, Arthur. Porque Arthur é exatamente isso: o homem que governa enquanto o presidente curte a liberdade em duas rodas, faz turismo e engrossa o anedotário com a sua infindável ignorância e ausência de aptidão para governar.

Lendários
O Brasil já teve coisa parecida no passado. Jânio era um estabanado, mas tratou de renunciar logo, jogando o país no impasse que redundaria no golpe militar de 64. Sem dizer que, ao contrário de Bolsonaro, era um profundo conhecedor da língua portuguesa. Já na pós-ditadura, Sarney também era distinguido por seus pendores literários, Collor era um exibido vaidoso com estatura e estampa para isso; Itamar Franco era meio matuto, mas teve a clareza de fazer FHC seu sucessor e Lula um ex-operário que soube explorar os avanços do antecessor. Nada esses personagens se assemelham a Jair Bolsonaro. Nada.

De novo, não
O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a privatização da Petrobras neste fim de semana depois de outro infrutífero e dispendioso passeio de moto com apoiadores entre Piraí do Sul e Ponta Grossa, no Paraná. Declarou que a estatal é independente “infelizmente” e que quer “ficar livre” da empresa. Não explicou o que ganharia um novo dono privado (a empresa hoje já é mista) praticando preços abaixo do mercado internacional. Na lógica de Bolsonaro, tudo que atrapalha o seu governo, demonstra sua imensa incompetência ou o demoniza, deve ser exterminado.
Afinal, ele nunca tem culpa de nada mesmo.

Selo de qualidade
Que tal essa: revela o site Metrópoles que o Comando da Aeronáutica empregou por quase dois anos, entre maio de 2018 e março de 2020, um sujeito acusado de chefiar uma milícia em Marataízes, no litoral do Espírito Santo, denunciado por vários crimes hediondos. O homem em questão é Gilbert Wagner Antunes Lopes, de 42 anos, também conhecido como Waguinho. Hoje, Waguinho é réu em várias ações penais e chegou a ser condenado, em uma delas, a sete anos de reclusão pela tentativa de assassinato, em 2010, de um “usuário de drogas” que estaria envolvido em inúmeros furtos na cidade capixaba.

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