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Marcelo Hollanda
Bolsonaro já planeja para a Bahia os festejos para comemorar os seus mil dias à frente da presidência
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta sexta-feira 24
Marcelo Hollanda
24/09/2021 | 08:16

Mil e um dias de Bolsonaro
Coube ao governo Bolsonaro, perto de mil dias cumpridos, a honra ou a desonra de protagonizar o maior ponto de inflexão de todo o período da redemocratização marcado pelo fim da ditadura militar e o restabelecimento de eleições diretas.

A forma como o atual governo se impôs na vida do país foi e é tão avassalador que reinventou antigas lideranças políticas, que hoje estão contra ele, na mesma velocidade com que impôs novas lideranças de primeira viagem dentro do Congresso.

Ativos eleitorais vão e vêm, uns por mais e outros por menos tempo. Clãs políticos, dependendo de circunstâncias históricas para sobreviver, podem durar décadas, mas todos um dia perdem fôlego e desaparecem. Outros grupos entram imediatamente no lugar.

A era do PT, iniciada com Lula em 2002, dava indícios de que duraria por um período superior a 20 anos, mas ensejou tanta oposição por parte da sociedade que, num desses caprichos da política, acabou ressuscitando um personagem do baixo clero do limbo inútil em que ele vivia.

Lula cumpriu seus dois mandatos consecutivos calibrando os diálogos essenciais para se manter no poder, mantendo sob controle os arroubos hegemônicos de seu partido, o PT. Com Dilma isso não foi possível e a degola por um único crime de responsabilidade se concretizou.

Com dezenas de crimes de responsabilidade nas costas, Bolsonaro não é ameaçado de impeachment e continua dobrando suas apostas a partir de uma premissa bíblica conhecida da política: é dando que se recebe.

Bolsonaro apenas imprimiu novos valores face aos acordos que abrem todas as portas do apoio político. E fez isso de forma tão desarrazoada e sem limites que conseguiu conflagrar o país em várias frentes simultâneas.

Ao contrário de seus antecessores, Bolsonaro não faz política por falta de interesse por ela: ele só não tem paciência para gastar tempo em costuras parlamentares ou interlocuções com a oposição.

No fundo, o presidente não sabe como se mover fora do baixo clero, o que, ironicamente, é seu maior poder, já que sem nenhuma cerimônia ele é aquele que vai direto ao ponto: quanto custa? E gasta esses recursos – que não são dele mesmo – de maneira desbragada, até abusada.

Liturgias da presidência são demais para esse homem simples que trocaria na hora uma reunião de cúpula, com consequências para os destinos da Humanidade, por uma boa pescaria ou uma churrascada com os amigos, desde que ele não pague a conta.

O ponto de inflexão acontece quando um mandatário subverte todos os valores, até os da hipocrisia, e obtêm as vantagens decorrentes de uma compra generalizada de silêncio e apoios políticos que, ao cabo do período da redemocratização, ninguém ousou.

Não se trata de uma questão de autenticidade ou arrojo; é pura e simples cara de pau.

Aniversário
O presidente Jair Bolsonaro já planeja para a Bahia os festejos para comemorar os seus mil dias à frente da presidência da República. Segundo o colunista Lauro Jardim, de O Globo, serão feitas uma série de inaugurações no estado, no próximo dia 28 de setembro. Aliás, a desaprovação dos eleitores brasileiros ao governo Bolsonaro subiu dez pontos percentuais em sete meses e agora ronda a marca de 68%, segundo pesquisa divulgada pelo Ipec nesta quarta-feira. A XP, que banca essas pesquisas, resolveu retirar seu nome para não desagradar seus clientes bolsonaristas. Como era de se esperar, o empresário Danilo Trento usou e abusou do direito constitucional de ficar em silêncio. Não disse nem quanto ganhava, quem o pagava seu salário e nem o endereço do trabalho.

Falou nada
Danilo Trento é o nome da peça rara. O homem está envolvido até o talo na transação envolvendo o Ministério da Saúde na compra da vacina indiana Covaxin e com Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, empresa intermediária da farmacêutica Bharat Biotech na aquisição do imunizante. A CPI suspeita que Trento seja “sócio oculto” da Precisa.

Preço da gasolina
A deputada Cristiane Dantas (SDD) questionou o preço do combustível no Rio Grande do Norte e cobrou medidas do Governo do Estado, fazendo coro com o discurso do governo federal.
Em pronunciamento nesta quinta-feira na Assembleia Legislativa, ela falou que é necessário se proceder a um ajuste fiscal para que o consumidor não seja penalizado. Só não disse como. “O combustível no RN figura no ranking brasileiro como o 2º mais caro do País, enquanto estados vizinhos como Paraíba, Pernambuco e Ceará aparecem lá atrás. O valor é exorbitante, penalizando a população que vem pagando um preço muito elevado e injusto, sobretudo quem trabalha com serviços de transporte”, alertou Cristiane.

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