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Declaração
Bolsonaro diz ter escolhido Kassio Marques ao STF por querer ministro que “tenha afinidade” com ele
Presidente não citou indícios de plágio de seu indicado ao Supremo Tribunal Federal
O Globo
11/10/2020 | 08:17

O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste sábado 10 em uma transmissão ao vivo em suas redes sociais que seu indicado à vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) precisaria ter afinidade e deveria tomar cerveja ou refrigerante com ele.

O presidente disse que tinha uma lista de 10 currículos e que a formação não foi o seu único critério de escolha de Kassio Marques à vaga aberta com a aposentadoria de Celso de Mello. Bolsonaro defendeu a escolha de Marques, desembargador do TRF-1, na transmissão de uma conversa com uma apoiadora no Guarujá, onde passa o fim de semana.

— Tinha uns dez currículos [de possíveis candidatos ao STF] e eu preciso optar por um. Esse cara tem que tomar cerveja comigo, ou Itubaína. Eu não vou indicar um cara só pelo currículo. Vai chegar lá e ser o dono de si. Ele tem que ser independente, tudo bem, mas tem que ter essa afinidade comigo que ele ia ter através da Itubaína ou da Coca-Cola — disse o presidente.

Durante a conversa com a apoiadora Alessandra Guimarães, Bolsonaro disse que ele e Marques teriam “coisas em comum” para discutir, como aborto, família, armamento, política externa e livre mercado. O vídeo já acumula mais de 540 mil visualizações.

O presidente disse que o fato de Marques ter sido escolhido desembargador pela ex-ministra Dilma Rousseff (PT) não tornaria o magistrado petista ou comunista. A defesa de Marques veio em resposta a críticas da parte mais radical do bolsonarismo, que defendia um conservador para a vaga.

— Olha, da onde ele está saindo [TRF-1] virá uma outra lista tríplice e quem vai indicar [o novo desembargador] sou eu. Foram 14 anos de [governo do] PT, muita gente boa passou pelo governo do PT, e a gente não vai pegar e dizer, ‘olha, você trabalhou, tá fora’ — afirmou Bolsonaro.

O presidente também minimizou o fato de Marques ter decidido, no ano passado, liberar uma licitação do STF que previa a compra de itens de luxo, como lagosta e vinhos premiados. Para Bolsonaro, o magistrado analisou a lisura da licitação, e não os itens a serem comprados em si.

Bolsonaro gravou o encontro de 31 minutos com uma apoiadora que vive em Santos e pediu por meio das redes sociais para conhecê-lo pessoalmente. A mulher iniciou o vídeo usando uma máscara com uma foto estampada do presidente, mas tirou-a a pedido do presidente. Na conversa, Bolsonaro voltou a criticar as medidas de isolamento social.

— Desde o começo [da pandemia] eu falava: vamos nos preocupar com o vírus sim, mas não podemos deixar de lado a economia. E agora o pessoal está pagando o preço, muita gente perdeu o emprego.

Ele também voltou a defender o uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19. O medicamento não tem comprovação científica e pode causar efeitos colaterais à saúde dos pacientes.

Ao comentar a saída do ex-ministro da Justiça Sergio Moro de seu governo, Bolsonaro voltou a dizer que em seu governo não há casos de corrupção ao comentar sua declaração sobre acabar com a operação Lava-Jato.

— Quando eu falei que eu acabei com a Lava Jato, é no meu governo, no meu não tem corrupção. Nem se eu quisesse acabar, não tem como acabar, é independente. Alguns acham que eu poderia interferir na Polícia Federal. Nenhum presidente interferiu no MPF. Se o Lula pudesse intervir, será que ele interferiria, ou a Dilma? — disse.

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