O setor de bares e restaurantes do Rio Grande do Norte atravessa um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos, pressionado pelo aumento dos custos operacionais, juros elevados, perda de rentabilidade e dificuldade para repassar a inflação ao consumidor.
A avaliação é do presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Norte (Abrasel-RN), Thiago Haddad, que defendeu a ampliação de medidas voltadas ao fortalecimento das empresas e anunciou uma parceria entre a entidade, o Bradesco Empresas e a Cielo para oferecer condições financeiras diferenciadas aos associados. As declarações foram feitas em entrevista ao jornalista Rodrigo Loureiro, no programa Entrevista Coletiva, da Band RN.

Segundo Haddad, o segmento da alimentação fora do lar desempenha papel estratégico na economia potiguar por estar diretamente ligado à atividade turística, principal vetor econômico do Estado. “Quando se fala em alimentação, se fala em turismo. A alimentação é um dos sustentáculos desse pilar”, afirmou.
De acordo com ele, o setor figura entre os maiores empregadores do Rio Grande do Norte e do País, mas enfrenta dificuldades estruturais decorrentes da baixa profissionalização de parte dos empreendimentos e do ambiente econômico adverso. Para o dirigente, a facilidade de ingresso no ramo exige investimentos permanentes em capacitação e gestão para garantir a sobrevivência das empresas.
O presidente da Abrasel afirmou que o desempenho do setor no Estado é inferior à média nacional. Segundo ele, os estabelecimentos têm absorvido parte expressiva da alta dos custos para evitar perda de competitividade. “Menos de 30% consegue repassar na medida da inflação ou acima dela. O resto não consegue atualizar seus cardápios, porque perde competitividade”, disse.
Haddad acrescentou que a taxa básica de juros próxima de 15% ao ano, somada ao aumento dos preços de alimentos, energia, aluguel e demais insumos, reduziu as margens de lucro das empresas e elevou a pressão sobre o fluxo de caixa.
Na avaliação do dirigente, o cenário atual tornou-se mais complexo do que o enfrentado durante a pandemia de covid-19. “O setor da alimentação fora do lar performa hoje e sofre mais do que na época da pandemia”, afirmou.
Segundo Haddad, embora aquele período tenha provocado forte retração nas atividades, programas emergenciais de apoio ajudaram muitas empresas a atravessar a crise. Atualmente, disse, a combinação entre mudanças no comportamento do consumidor, aumento da carga tributária, juros elevados e retração do consumo dificulta a recuperação do segmento. “Grandes nomes fecharam as portas agora, mesmo tendo sobrevivido à pandemia”, observou.
Dados divulgados periodicamente pela Abrasel mostram que a recuperação do setor permanece desigual em todo o País. Levantamentos nacionais da entidade apontam que uma parcela expressiva dos estabelecimentos ainda opera com dívidas em atraso, reflexo do aumento dos custos financeiros e da redução da margem operacional após a pandemia.
Nesse contexto, a Abrasel anunciou uma parceria nacional com Bradesco Empresas e Cielo voltada à redução dos custos financeiros das empresas associadas. A iniciativa prevê taxas diferenciadas para operações realizadas por meio das maquininhas da Cielo, além de isenção de tarifas em serviços bancários, acesso facilitado a linhas de crédito, pacotes de serviços gratuitos e condições especiais para operações via Pix.
Segundo Haddad, a negociação buscou eliminar diferenças normalmente impostas pelo volume de faturamento das empresas. “O pequeno bar ou restaurante terá a mesma condição dos grandes estabelecimentos do mercado”, afirmou.
O dirigente explicou que a proposta pretende ampliar a competitividade principalmente dos pequenos empreendedores, responsáveis por grande parte dos empregos do setor. Entre os benefícios anunciados estão maquininhas sem custo, redução das taxas cobradas nas operações com cartões de débito e crédito e condições diferenciadas para financiamentos.
Segundo ele, o objetivo é permitir que os empresários direcionem mais recursos para capital de giro, pagamento de fornecedores e investimentos na operação, reduzindo o impacto das despesas financeiras sobre os resultados dos estabelecimentos.
Além das vantagens comerciais, Haddad defendeu o fortalecimento do associativismo como instrumento de aumento da longevidade das empresas. De acordo com estudo citado pelo presidente da entidade, bares e restaurantes que atuam de forma independente permanecem em funcionamento, em média, por 2,7 anos, enquanto os associados à Abrasel alcançam aproximadamente 4,9 anos de atividade.