O Banco do Nordeste (BNB) beneficiou 830 famílias em 2025 com a liberação de R$ 184 milhões em crédito fundiário para a aquisição de imóveis rurais. As operações foram realizadas por meio do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), no qual o Banco atua como agente repassador dos recursos. Com os financiamentos, os produtores familiares passaram a ser proprietários de cerca de 11.190 hectares de terras.
De acordo com dados do BNB, o número de famílias atendidas pelo programa passou de 388 em 2024 para 830 em 2025, um aumento de 114%. O volume de crédito contratado subiu de R$ 57,6 milhões para R$ 184,4 milhões no mesmo período, crescimento de 219%.

O aumento no número de contratos resultou na ampliação da área adquirida. Em 2024, foram comprados 6.155 hectares de terras. Em 2025, a área chegou a 11.190 hectares, uma elevação de 81,8%. O total adquirido no ano passado corresponde a 110 km², o equivalente a cerca de um terço da área total do município de Fortaleza, no Ceará.
Para o presidente do Banco do Nordeste, Wanger de Alencar, o programa tem impacto direto sobre a agricultura familiar. “O imóvel rural é muito mais do que um lugar para morar, o que já é uma importante conquista para qualquer pessoa. No caso da agricultura familiar, esse terreno representa área de plantio e criação que vão impulsionar o desenvolvimento econômico e social dessas pessoas”, afirmou.
No Rio Grande do Norte, as contratações do PNCF somaram mais de R$ 3 milhões em 2025, beneficiando 17 famílias. A área adquirida no estado foi de 641 hectares.
Podem contratar o crédito fundiário agricultores familiares interessados em adquirir imóveis rurais ou realizar benfeitorias. O programa é operacionalizado por meio das linhas PNCF Social, PNCF Jovem, PNCF Mais e PNCF Empreendedor, conforme o perfil do beneficiário. Para solicitar o financiamento, é necessária a apresentação da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), do Cadastro de Agricultor Familiar (CAF) ou outro cadastro aceito pelo Regulamento Operativo do Fundo de Terras e da Reforma Agrária.
Os financiamentos cobrem até 100% do valor do imóvel, com limite de R$ 293 mil. As taxas de juros variam de 0,5% a 4% ao ano. O prazo pode chegar a 25 anos, incluídos até 36 meses de carência, conforme a capacidade de pagamento do mutuário. Os recursos são provenientes do Fundo de Terras e da Reforma Agrária.
Segundo o superintendente de Agronegócio e Agricultura Familiar do BNB, Luiz Sérgio Farias Machado, a finalidade do crédito é permitir que o agricultor tenha acesso à própria terra. “A aquisição do imóvel rural traz dignidade ao homem e à mulher do campo. Muitas vezes, essa família não possui sua própria terra para produzir. O Governo Federal vem melhorando os programas e o Banco do Nordeste é parceiro nessa estratégia para agilizar a inclusão produtiva das famílias e solucionar conflitos agrários, além de aumentar a produção de alimentos saudáveis produzidos de forma sustentável”, disse.
Para contratar o crédito, os interessados devem apresentar um projeto elaborado com o apoio de uma entidade de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) credenciada ao PNCF. O pedido é feito por meio do sistema Obter Crédito Fundiário, serviço público digital do Governo Federal que permite o acompanhamento de todas as etapas do processo.
Após a elaboração, a proposta é encaminhada à Unidade Técnica Estadual de Crédito Fundiário e, em seguida, ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. Com a aprovação nas esferas estadual e federal, o banco realiza a conferência da documentação, o cadastro, a formalização do crédito e o desembolso. O Banco do Nordeste disponibiliza uma cartilha com o passo a passo do processo no endereço www.bnb.gov.br/pncf-social.