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Bancas que resistem

Bancas que resistem: 30 anos de história e resiliência em Ponta Negra

À frente da Banca Litoral Sul, Eliane Brito desafia as mudanças no mercado de jornais e revistas e conquista a fidelidade dos clientes
Fernando Azevêdo
27/08/2025 | 05:46

Mais da metade da vida de Eliane Brito, 54 anos, foi dedicada à Banca Litoral Sul, em Natal. A história começou em 1995, quando a potiguar alugou o ponto no coração do bairro de Ponta Negra – bem mais tranquilo na época. O início foi desafiador: era preciso conquistar clientes e trabalhar das 6h às 22h. Com muito esforço e paixão pelo que faz, Eliane não só resistiu como prosperou. Hoje, três décadas depois, é proprietária do espaço e segue firme na rotina como jornaleira.

A banca está em um dos locais de mais movimento em Ponta Negra, onde a vida é agitada à noite e na época natalina. Os clientes da Banca Litoral Sul se mantiveram fiéis e até se multiplicaram, contrariando uma tendência em que as pessoas trocaram o papel pelas telas para se informar e entreter.

Bancas que resistem: 30 anos de história e resiliência em Ponta Negra
Banca Litoral Sul resiste em meio às transformações do mercado local - Foto: José Aldenir/Agora RN

“O pessoal fala muito que a internet acabou com as bancas de jornais e revistas. Não acabou. As editoras é que fracassaram, fecharam. Até hoje, todas as revistas são pedidas. O movimento ainda é bom”, diz Eliane, que deixou a cidade de Macau, no interior do Rio Grande do Norte, há 42 anos.

Sete anos depois de alugar a banca, Eliane descobriu que o então dono queria vender o espaço. Ela se viu sem saída e desabafou com a mãe, temendo perder o lugar que já amava e ficar desempregada – e com dois filhos pequenos para criar. Em 1º de janeiro, a mãe combinou com ela de venderem uma casa no interior e investir o dinheiro da venda na banca. Ali a Banca Litoral Sul permaneceu, ampliou-se e resistiu ao tempo e a pressões da prefeitura municipal de sair.

Segundo Eliane, falta apoio e publicidade para as bancas, o que torna difícil conquistar novos clientes. Manter as atividades exige amor, dedicação e resiliência. “Quando teve um arrombamento na minha banca, na época da pandemia, tive uma dificuldade muito grande, mas não fraquejei. Venci. E minha banca me dá um lucro bom. Mas a gente fica sempre no esquecimento”, conta Eliane.

A potiguar afirma que só há duas opções para a banca fechar: a prefeitura exigir o espaço ou ela morrer. “Essa banca tem um valor muito grande pra mim. Parte da minha vida está todinha aqui dentro. Me dedico com muito amor, com muito carinho. E hoje é o que eu gosto de fazer. Eu não me vejo fazendo outra coisa. Tudo que eu preciso das editoras sou atendida”.

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Eliane Brito mantém tradição viva – Foto: José Aldenir/Agora RN

Eliane explica que muitas pessoas procuram o AGORA RN, um jornal diário, gratuito e acessível, especialmente pela sua cobertura política. O jornal chega pela manhã, justamente no horário em que moradores praticam exercícios físicos na rua. Ela aproveita a oportunidade para distribuir as edições aos passantes, sempre incentivando a leitura.

O relacionamento entre os donos de banca é de muita parceria, adiciona Eliane. “Quando a gente recebe um material a mais, que eles não recebem, a gente divide. Se tem uma revista que eu não tenho, eu indico a banca de um colega”. Assim, as bancas de jornais e revistas em Natal seguem resistindo.

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