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Investigação

Áudio de general revela que Bolsonaro não via diplomação de Lula como obstáculo para golpe

Gravação, extraída de materiais apreendidos durante investigações, foi divulgada pela Polícia Federal neste domingo 23
Redação
24/02/2025 | 10:51

A Polícia Federal (PF) divulgou, no domingo 23, um áudio que reforça a existência de tratativas para um golpe de Estado no Brasil. A gravação, extraída de materiais apreendidos durante investigações, mostra o general da reserva Mario Fernandes afirmando que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não considerava a diplomacão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como um obstáculo para um eventual golpe.

A cerimônia de diplomação do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice, Geraldo Alckmin (PSB), em 12 de dezembro de 2022, garantia, perante ao Congresso Nacional, que ambos estavam bilitados a tomar posse e exercer o mandato determinado pelas eleições democráticas. 

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No áudio, enviado ao tenente-coronel Mauro Cid, então ajudante de ordens de Bolsonaro, Mario Fernandes relata uma conversa que teve com o ex-presidente. Fotos: Marcelo Camargo e Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

No áudio, enviado ao tenente-coronel Mauro Cid, então ajudante de ordens de Bolsonaro, Mario Fernandes relata uma conversa que teve com o ex-presidente. Segundo ele, Bolsonaro teria dito que a diplomacão de Lula, realizada em 12 de dezembro de 2022, “não seria uma restrição” e que “qualquer ação poderia ser tomada até 31 de dezembro” daquele ano. Fernandes enfatiza no áudio a necessidade de uma intervenção rápida, destacando que diversas oportunidades já haviam sido perdidas.

O conteúdo do áudio está presente no relatório da PF que embasou a recente denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação levou à acusação formal de 34 pessoas por supostos atos contra o Estado Democrático de Direito.

Mario Fernandes

O general da reserva Mario Fernandes foi preso preventivamente em novembro de 2024, suspeito de envolvimento na elaboração de um plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Até março do ano passado, Fernandes atuava como assessor do deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ).

A PF apontou que Fernandes, além de demonstrar proximidade com Bolsonaro, estava envolvido nas tratativas para a execução de um golpe de Estado e sugeria que a intervenção fosse realizada “o mais breve possível”.

A divulgação do áudio reforça as evidências reunidas pela investigação da PF sobre a suposta conspiração para impedir a posse de Lula e consolidar um regime autoritário. A denúncia agora está sob análise do STF, que decidirá sobre a abertura de ação penal contra os envolvidos.

Com informações da CNN Brasil

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