Uma série de ataques contra sinagogas em diferentes países elevou o alerta de segurança para comunidades judaicas em meio ao agravamento do conflito entre a coalizão formada pelos Estados Uidos e Israel contra o Irã. Episódios registrados nesta semana na Europa e na América do Norte estão sendo investigados por autoridades locais como possíveis atos de violência motivados por antissemitismo.
Na sexta-feira, 13, a polícia de Rotterdam, nos Países Baixos, informou ter prendido quatro jovens suspeitos de provocar uma explosão que incendiou uma sinagoga da cidade na noite anterior. Embora não tenha havido feridos, o templo sofreu danos estruturais em decorrência das chamas.

Segundo as autoridades, ainda não está claro se o grupo pretendia detonar um artefato explosivo ou provocar um incêndio em outro templo judaico da região. Entre os detidos estão dois jovens de 19 anos, um de 18 e um adolescente de 17.
A prefeita da cidade, Carola Schouten, afirmou que o episódio é tratado com extrema seriedade pelas autoridades. “Não há lugar em Roterdã para o antissemitismo, a intimidação, a violência nem o ódio contra comunidades religiosas”, disse.
Nos Estados Unidos, um episódio semelhante ocorreu um dia antes. Um homem de 41 anos avançou com uma caminhonete contra a sinagoga Temple Israel, localizada na região metropolitana de Detroit, no Estado de Michigan.
O veículo atravessou as portas do edifício e invadiu o corredor do templo, ferindo um dos seguranças. O agressor foi morto após uma troca de tiros com a equipe de segurança do local, segundo autoridades policiais.
“A equipe de segurança o viu e entrou em confronto com ele”, afirmou o xerife do condado de Oakland, Michael Bouchard. De acordo com ele, ainda não é possível determinar se o suspeito morreu em decorrência dos disparos efetuados pelos seguranças.
Após o confronto, a caminhonete pegou fogo, liberando fumaça no interior do prédio. Cerca de 30 policiais precisaram ser hospitalizados por inalação de fumaça.
O chefe de polícia local, Dale Young, informou que o agressor aparentemente agiu sozinho. Equipes com cães farejadores foram mobilizadas para verificar a presença de explosivos no veículo.
O Departamento de Segurança Interna identificou o suspeito como Ayman Mohamad Ghazali, um homem de origem libanesa que chegou aos Estados Unidos em 2011 com visto para cônjuge de cidadão americano e obteve cidadania cinco anos depois.
A motivação do ataque ainda não foi confirmada. Ghazali teria perdido familiares recentemente em um ataque israelense no Líbano.
A investigação do caso está sendo conduzida pelo Federal Bureau of Investigation (FBI). A responsável pelo escritório da agência em Detroit, Jennifer Runyan, afirmou que o episódio será tratado como um possível ato de violência direcionado à comunidade judaica.
Os incidentes ocorrem em meio à expansão do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que já envolve mais de uma dezena de países do Oriente Médio e aliados regionais.
Além das sinagogas, instalações diplomáticas americanas também passaram a ser alvo de ataques. No Canadá, o consulado dos Estados Unidos em Toronto foi alvo de disparos na terça-feira, 10.
Na Noruega, uma explosão atingiu a embaixada americana em Oslo, episódio que está sendo investigado pelas autoridades locais como possível ato de terrorismo.
O aumento desses episódios levou governos e forças de segurança a reforçar a vigilância em locais de culto e representações diplomáticas, diante do risco de novos ataques associados às tensões geopolíticas provocadas pela guerra no Oriente Médio.