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Sobrevivência
Arte é salvação. Mas quem salva o artista?
Primeira escola de música de Natal, a EMUSCO passa por dificuldades durante a pandemia da Covid-19. O coordenador Uandeson Alves relembra a história do projeto e pede ajuda
Nathallya Macedo
03/08/2020 | 01:41

Uma das únicas válvulas de escape possíveis em tempos de pandemia, a arte é demasiadamente importante tanto para quem consome quanto para quem produz. Para estes, é mais do que um ofício: é uma missão de vida. A partir desta visão, foi criada a primeira escola de música em Natal há quase duas décadas. Fundada pela professora Maria José, a Severino Cordeiro (EMUSCO) foi inaugurada em 2007 e, desde então, oferece aulas de iniciação musical para crianças, adolescentes, adultos e idosos.

O programa começou em 2002, por iniciativa dos alunos e professores da Escola Municipal Ferreira Itajubá, localizada nas Quintas, onde hoje está anexada a EMUSCO. As oficinas e apresentações eram gratuitas para alunos da rede municipal de ensino. Para os demais interessados, era cobrada apenas uma taxa simbólica.

“É um incentivo à formação de identidade cultural para os natalenses que, por diversos fatores (como o financeiro, por exemplo), não teriam um contato tão próximo com a música. É uma forma de terapia, é conhecimento e é resistência”, afirmou Uandeson Alves, coordenador do projeto.

Com aulas de canto, percussão, piano, bateria, instrumentos de corda e de sopro, a EMUSCO atende cerca de 400 alunos e possui uma banda filarmônica – que já fez muitas apresentações em eventos na capital potiguar ao longo de 10 anos. No entanto, a trajetória de sucesso foi interrompida pelo novo coronavírus. As aulas presenciais foram suspensas na última semana de março e um plano virtual foi desenvolvido para manter as atividades, mesmo que de maneira online.

A proposta foi seguida até julho, quando também precisou ser paralisada. Desta vez, por questões relacionadas ao poder público. “Além de 11 professores terceirizados contratados, nosso quadro contava com 25 estagiários empregados através da Secretaria Municipal de Educação. Contudo, contratos não foram renovados e perdemos todos eles. Sem os estagiários, que atuavam como monitores, ficamos impossibilitados e não conseguimos dar continuidade à nossa operação”, contou Uandeson.

Outra preocupação do coordenador é sobre o estado estrutural da escola. “Ela está esquecida. Desde o fechamento, não foi nem aberta para limpeza. Nem sabemos como está a situação dos nossos instrumentos. Eles são caros e necessitam de manutenção”, revelou. “Solicitei o mínimo de estagiários, mas a demanda não foi atendida. A secretaria diz que só terá uma resposta quando a pandemia for controlada”.

A incerteza já assusta os musicistas envolvidos na EMUSCO. “Pode parecer algo dispensável, mas nosso projeto é pertinente. Leva entretenimento e motivação para grande parte da comunidade carente, principalmente durante esses dias difíceis que enfrentamos. Arte é salvação, mas quem salva o artista? Precisamos de um resgate agora. Estamos temendo que a escola feche de vez”, reiterou Uandeson.

“Quero frisar que a Secretaria de Educação da cidade sempre apoiou a permanência e a realização do projeto. Passamos por várias administrações, e nunca tivemos problemas. O ponto, neste momento, é a falta de comunicação. Precisamos de uma direção e, em especial, promover a defesa da nossa vertente cultural”, complementou.

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