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Economia

ANP investiga possível ocorrência de petróleo em propriedade rural no Ceará

Equipe técnica visita área em Tabuleiro do Norte após agricultor encontrar líquido semelhante ao combustível durante perfuração de poço
Por O Correio de Hoje
16/03/2026 | 11:40

Técnicos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizaram na última quinta-feira 12 a primeira vistoria no local onde um agricultor pode ter encontrado petróleo ao perfurar um poço em busca de água no município de Tabuleiro do Norte. O caso chamou a atenção da equipe da agência porque o líquido emergiu a cerca de 40 metros de profundidade, nível considerado raso para ocorrências do tipo.

A substância foi descoberta pelo agricultor Sidrônio Moreira, de 63 anos, enquanto perfurava dois poços em sua propriedade, localizada na comunidade de Sítio Santo Estevão. Em vez de água, surgiu um líquido preto, viscoso e com odor semelhante ao de combustível.

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Técnicos da ANP realizaram a primeira vistoria no local onde um agricultor pode ter encontrado petróleo - Foto: divulgação ANP

Segundo o superintendente da ANP, Ildeson Prates Bastos, a situação surpreendeu os técnicos. “Existe o processo de exsudação, que é quando o petróleo ou hidrocarboneto como um todo vai à superfície de maneira natural. Mas não é o caso, claramente, aqui. Houve uma perfuração, uma perfuração rasa, uma profundidade muito abaixo do que é naturalmente realizado na exploração e produção de petróleo e gás”, afirmou.

Durante a visita inicial, os técnicos apenas inspecionaram o poço e conversaram com a família do agricultor. A ANP não coletou amostras diretamente no local, mas levou material obtido pelo Instituto Federal do Ceará, instituição que acompanha o caso desde o início.

Testes laboratoriais preliminares realizados pelo instituto indicaram que a substância possui características físico-químicas semelhantes às do petróleo produzido em jazidas da região do Rio Grande do Norte.

De acordo com Bastos, a área onde fica a propriedade está inserida na Bacia Potiguar, que se estende entre Ceará e Rio Grande do Norte e abriga campos petrolíferos em operação há décadas.

“Na verdade, ela não está próxima da bacia sedimentar de Potiguar, ela está contemplada pela bacia sedimentar de Potiguar. Mas ela é uma região de borda e, obviamente, tem nas suas vizinhanças campos petrolíferos já conhecidos”, explicou.

Mesmo assim, a agência considera a avaliação ainda preliminar e afirma que apenas análises específicas poderão confirmar se o material é petróleo e se há potencial econômico na área.

Segundo a ANP, situações semelhantes já ocorreram em outras regiões do país. Em alguns casos, os indícios levaram à delimitação de blocos exploratórios ofertados posteriormente ao mercado. Em outros, verificou-se tratar de pequenas acumulações sem viabilidade comercial.

Enquanto os estudos avançam, a orientação da agência é que o agricultor mantenha o poço isolado e evite contato com o líquido, que pode apresentar toxicidade. Ele também não pode realizar novas perfurações no local.

A descoberta ocorreu em novembro de 2024, quando Moreira buscava água para abastecer animais na propriedade. Um vídeo gravado pela família registra o momento em que o líquido escuro emerge do poço. Inicialmente, o agricultor acreditou tratar-se de água.

Tabuleiro do Norte está localizado a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, no Vale do Jaguaribe. Embora o município não esteja incluído em um bloco exploratório, o ponto onde a substância foi encontrada fica a cerca de 11 quilômetros da área de exploração mais próxima.

Mesmo que o material seja confirmado como petróleo, o agricultor não terá direito à exploração direta do recurso. Pela Constituição brasileira, as riquezas do subsolo, incluindo petróleo e gás natural, pertencem à União.

Caso a área venha a ser considerada economicamente viável e seja incluída em projetos de exploração comercial, o proprietário da terra poderá receber compensação financeira. Esse repasse pode chegar a até 1% do valor da produção, conforme critérios previstos na legislação. A ANP informou que abriu procedimento administrativo para analisar o caso, mas não há prazo definido para conclusão das investigações.