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Economia

Ancar Ivanhoe aposta em experiência em todo o Brasil para crescer no RN

Administradora amplia atuação em Natal ao assumir a gestão do Midway Mall, mantém operação do Natal Shopping e aposta em tecnologia, inteligência artificial e relacionamento com lojistas para reposicionar os centros comerciais
Redação
24/07/2026 | 08:18

A expansão da Ancar Ivanhoe no Rio Grande do Norte marca um novo movimento no mercado de shopping centers em um momento de transformação do varejo físico. Responsável pela administração do Natal Shopping há vários anos, a empresa passou a assumir, neste ano, a gestão do Midway Mall, um dos principais ativos comerciais do Nordeste, incorporando o empreendimento ao portfólio nacional de 23 shopping centers.

A estratégia amplia a presença da administradora em um mercado considerado relevante para o setor e reforça uma visão de negócios que combina tecnologia, experiências presenciais e inteligência de dados para enfrentar o avanço do comércio eletrônico. Em entrevista ao podcast Economia & Negócios, ao jornalista Elias Luz, da TV Agora RN, a diretora de Marketing, Vendas e Inovação da Ancar, Cecília Ligiero, afirmou que a empresa pretende preservar a identidade de cada empreendimento.

Cecilia Ligiero Ancar (25)
Cecília Ligiero, diretora da Ancar - Foto: José Aldenir / Agora RN

Segundo a executiva, a incorporação do Midway Mall representa um movimento estratégico para uma empresa que administra quase um milhão de metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL) distribuídos pelo País e recebe cerca de 200 milhões de visitantes por ano. “Estamos muito felizes de entrar no Midway, um empreendimento que tem uma relevância enorme para o Estado e para toda a indústria de shopping center no Brasil. É um equipamento que tem um legado e uma história que respeitamos”, afirmou.

Cecília Ligiero ressaltou que a Ancar não pretende replicar um modelo único entre os dois empreendimentos da capital potiguar. “Cada shopping tem seu destino, sua vocação, seu mercado e seu público. Nosso papel é fortalecer essa oferta de valor dentro do contexto de cada empreendimento”, disse. A executiva observa que administrar simultaneamente Natal Shopping e Midway Mall não significa uniformizar operações, mas potencializar características específicas de cada ativo.

A principal mudança, segundo a diretora, está na redefinição do papel dos shopping centers. Em vez de centros voltados prioritariamente ao consumo, eles passam a atuar como espaços de convivência, entretenimento e prestação de serviços. A transformação ganhou força após a pandemia e responde também ao crescimento estrutural do comércio eletrônico. Cecília Ligiero argumenta que a compra deixou de ser o único motivo da visita ao shopping. “A compra virou consequência. As pessoas procuram lugares para se conectar, descomprimir e viver experiências”, afirmou.

Como exemplo, citou que a Ancar realizou aproximadamente 1.200 eventos em seus empreendimentos apenas no primeiro semestre, sendo quase 30% deles ligados à prática esportiva, como corridas, aulas de yoga e atividades de bem-estar. A empresa também transformou o Midway Mall em uma grande arena para transmissões da Copa do Mundo, iniciativa que, segundo ela, consolidou o shopping como espaço de entretenimento para famílias. “O shopping passa a ser quase uma reprodução da praça das cidades, oferecendo conforto, segurança, gastronomia, lazer e serviços em um único ambiente”, explicou.

A digitalização da gestão é outro eixo central da estratégia da companhia. A administradora implantou no Midway Mall um ecossistema tecnológico utilizado em outros empreendimentos da rede, composto por aplicativos para consumidores e lojistas, além de uma assistente virtual baseada em inteligência artificial. As ferramentas permitem que os lojistas atualizem promoções, divulguem lançamentos e interajam com clientes de forma praticamente instantânea. Paralelamente, a empresa desenvolveu a Universidade do Lojista, plataforma gratuita de capacitação voltada a empresários, gerentes, vendedores e demais profissionais do varejo. O ambiente reúne cursos e trilhas de formação sobre gestão, atendimento e inovação.

Para Cecília Ligiero, o investimento em tecnologia deve fortalecer tanto a competitividade das lojas quanto o relacionamento entre administradora e operadores comerciais. “A tecnologia facilita a vida do lojista e também nos permite compartilhar informações estratégicas que ajudam na tomada de decisão”, afirmou.

A relação entre comércio eletrônico e varejo físico também ocupou parte significativa da entrevista. Para a executiva, não existe mais uma disputa direta entre os dois modelos de negócio, mas uma integração crescente. Segundo ela, a jornada do consumidor tornou-se híbrida: pesquisa na internet, experimentação na loja física e conclusão da compra em qualquer um dos canais. Nesse contexto, a diferenciação dos shopping centers passa pela oferta de experiências impossíveis de serem reproduzidas exclusivamente no ambiente digital. “É no encontro que a vida acontece”, afirmou, resumindo o posicionamento institucional da companhia.

Cecília Ligiero defendeu que o desafio dos lojistas está menos em competir com o comércio eletrônico e mais em oferecer atendimento qualificado, conveniência e acolhimento, elementos que agregam valor à experiência presencial. A empresa também pretende ampliar o uso de inteligência artificial para compreender os hábitos de consumo dos visitantes, identificar padrões de circulação e personalizar campanhas de marketing, fortalecendo tanto a fidelização dos consumidores quanto o desempenho dos lojistas.

Outro tema abordado foi a agenda de sustentabilidade, considerada pela administradora um componente permanente da estratégia corporativa. Cecília Ligiero destacou que todos os empreendimentos da Ancar adotam programas de reciclagem de resíduos e compostagem de lixo orgânico, além de promover treinamento contínuo junto aos lojistas para garantir a separação correta dos materiais recicláveis. Segundo ela, a empresa busca reduzir o envio de resíduos aos aterros sanitários e ampliar a eficiência ambiental das operações. “Existe um compromisso para que essa agenda cresça até alcançarmos níveis cada vez maiores de reciclagem”, afirmou. A executiva também associou a expansão dos shopping centers como espaços climatizados ao contexto de aumento das temperaturas provocado pelas mudanças climáticas, observando que esses ambientes tendem a assumir um papel crescente como locais de convivência e permanência em grandes centros urbanos. “O shopping é um refúgio. É onde as pessoas vão para descomprimir, encontrar amigos, cuidar da saúde, consumir e viver experiências”, disse.