A Amazon decidiu avançar sobre o concorrido mercado de entregas ultrarrápidas no Brasil. A gigante americana passa a oferecer, por meio do Amazon Now, entregas de produtos de mercearia em até 15 minutos, incluindo pela primeira vez no país alimentos frescos e congelados. Até 9 de março, o serviço estará disponível em áreas de oito cidades brasileiras.
Pão e itens de padaria, queijos, iogurtes, sorvetes, frutas, legumes, bebidas, produtos de limpeza e fraldas descartáveis integram o portfólio inicial. Com a iniciativa, a companhia entra em um segmento dominado pelo iFood e disputado por plataformas como Zé Delivery e Rappi — este último parceiro da Amazon na operação.

Desde o fim de 2025, a empresa vem encurtando seus prazos logísticos. No período do Natal, lançou entregas em até três horas para itens de alta demanda em mais de 30 categorias. Posteriormente, reduziu o prazo para menos de duas horas. A entrada no intervalo de 15 minutos representa um novo salto na estratégia.
A ofensiva é sustentada pela expansão da infraestrutura. Somente em 2025, a companhia inaugurou cerca de 100 centros logísticos no país, totalizando mais de 250 unidades.
Segundo Juliana Sztrajtman, presidente da Amazon Brasil, o país tornou-se um dos mercados prioritários da empresa desde o ano passado. Em comunicado, a executiva afirmou que o Amazon Now estabelece um novo padrão de conveniência ao incluir categorias inéditas na operação local, como alimentos frescos e congelados, para atender demandas urgentes.
Para Rodrigo Catani, diretor de Projetos da Gouvêa Consulting, o movimento insere a Amazon em um segmento de alta recorrência e sensível à rapidez da entrega. “A Amazon agora está brigando com o iFood. Entra num negócio de muito mais recorrência de compra, por mirar alimentos e itens do dia a dia”, afirma. Segundo ele, a estratégia passa por ganhar escala, coletar dados de consumo e ampliar ofertas personalizadas e serviços de assinatura, fortalecendo a fidelização.
Na América Latina, o modelo de entrega ultrarrápida já opera no México desde setembro de 2025 e agora chega ao Brasil, os dois maiores mercados da região. A modalidade também está presente em países como Índia e Emirados Árabes Unidos, além de estar em testes nos Estados Unidos, Reino Unido e Japão.
O especialista avalia que a parceria com o Rappi faz sentido para acelerar a entrada no segmento e compreender a dinâmica competitiva, além de ampliar a densidade de pedidos e diluir custos logísticos. O ambiente, contudo, é desafiador: empresas como as chinesas Keeta e 99 Foods enfrentam dificuldades para avançar no mercado brasileiro, onde o iFood mantém liderança.
Nesta fase inicial, o Amazon Now atenderá bairros das cidades de Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte. As áreas elegíveis podem ser consultadas na página do serviço, identificado no site pelo selo “Amazon Now” e pelo link “Chega em 15 minutos” no menu superior.
O pedido mínimo é de R$ 15, com pagamento via Pix ou cartão de crédito em fluxo separado das demais compras da plataforma. No lançamento, o serviço será isento de taxa. Posteriormente, seguirá gratuito para membros do Amazon Prime e custará R$ 5,49 para os demais clientes.
Após a compra, o consumidor recebe um link para rastreamento em tempo real pelo WhatsApp, com possibilidade de comunicação direta com o entregador. Segundo a empresa, a interação não envolve compartilhamento de dados pessoais.