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Eleições

Álvaro e Cadu agem como ‘gigolôs de eleitores incautos’, diz Carlos Eduardo

Ex-prefeito de Natal e um dos coordenadores da campanha de Allyson Bezerra afirma que disputa estadual deve ser pautada pelos problemas do RN
Redação
30/07/2026 | 05:52

O ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (União) criticou os candidatos ao Governo do Estado Álvaro Dias (PL) e Cadu Xavier (PT) por explorarem a polarização nacional como estratégia para conquistar eleitores no Rio Grande do Norte. Em entrevista nesta quarta-feira 29 ao podcast “Eleições 2026”, da TV Agora RN, ele afirmou que os dois candidatos tentam vincular suas candidaturas, respectivamente, a Flávio Bolsonaro (PL) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para superar o que classificou como “inexpressividade eleitoral”.

Segundo Carlos Eduardo, esse tipo de atuação transforma políticos em “gigolôs de eleitores incautos”, expressão utilizada por ele para definir candidatos que, em sua avaliação, vivem eleitoralmente da exploração de eleitores influenciados pela rivalidade entre lulismo e bolsonarismo.

Carlos Eduardo
Ex-prefeito de Natal condena estratégia de adversários de explorarem a polarização ideológica na eleição local - Foto: José Aldenir

Carlos Eduardo, que integra a coordenação da campanha do candidato Allyson Bezerra (União) em Natal, sustentou que Álvaro e Cadu procuram deslocar o debate estadual para o cenário nacional por não conseguirem ganhar força a partir de suas próprias candidaturas.

“Álvaro e Cadu Xavier têm manifestado candidaturas inexpressivas. Álvaro, apesar de todo o apoio que reúne, é um candidato pesado e que não inspira confiança de que tenha a menor chance de ganhar a eleição. Da mesma forma, Cadu. Cadu é de Lula, com apoio do Governo do Estado, mas a performance é muito ruim até agora”, declarou.

Na avaliação do ex-prefeito, a tentativa de reproduzir no Rio Grande do Norte a polarização nacional funciona como uma espécie de atalho eleitoral. Em vez de apresentar respostas para os problemas locais, os candidatos buscariam mobilizar sentimentos e fidelidades construídos em torno de Lula e do bolsonarismo.

“Como é que eles querem se salvar nessa eleição? Querem se salvar fazendo com que a polarização os resgate da inexpressividade eleitoral na qual estão até agora”, afirmou. Para Carlos Eduardo, a estratégia pode ser resumida no apelo para que o eleitorado volte a se dividir: “Pelo amor de Deus, vamos fazer a polarização. Cadê o eleitor que não está mais brigando por Lula e Bolsonaro?”.

O ex-prefeito criticou a radicalização política no País. Para ele, a “polarização não leva a aabsolutamente nada, a não ser ao ódio”. “Em vez de se discutirem os problemas e as soluções do povo brasileiro, fica-se discutindo Lula e Bolsonaro”, criticou.

Para Carlos Eduardo, a eleição deveria ser utilizada para discutir temas como equilíbrio fiscal, saneamento básico, financiamento do Sistema Único de Saúde, educação pública, infraestrutura, cultura, ciência, tecnologia e agricultura. “A eleição é uma oportunidade para discutir os problemas, ouvir os candidatos dizerem o que propõem para resolvê-los e não ficar na política miúda, pequenininha, de agressão entre lulismo e bolsonarismo, que realmente não constrói”, disse.

O ex-prefeito de Natal também argumentou que a escolha para o Governo deve ser orientada pela realidade potiguar, e não pelos principais personagens da disputa presidencial. “Lula e Bolsonaro ou Flávio Bolsonaro não moram no Rio Grande do Norte e nem pretendem morar. Então, a decisão do potiguar vai ser sobre os nossos problemas e as nossas soluções”, afirmou.

Segundo ele, Allyson se diferencia por ter percorrido aproximadamente 145 dos 167 municípios potiguares, ouvindo prefeitos, câmaras municipais e instituições locais. “Quem já tem o diagnóstico dos nossos problemas e as soluções para o enfrentamento desses problemas é Allyson Bezerra”, acrescentou.

Comparação com 2024

Durante a entrevista, Carlos Eduardo rejeitou a avaliação de que Allyson possa repetir em 2026 o desempenho de sua candidatura à Prefeitura do Natal em 2024. Naquele pleito, Carlos começou a disputa liderando pesquisas, mas terminou fora do segundo turno. Analistas apontam que uma das razões para isso foi o fato de o então candidato não ter ligação direta nem com o petismo nem com o bolsonarismo.

Para ele, os dois cenários são diferentes principalmente em razão da estrutura partidária e do tempo de propaganda eleitoral. Em 2024, Carlos Eduardo tinha menos de 1 minuto na propaganda eleitoral no rádio e na televisão, enquanto o hoje prefeito Paulinho Freire (União) tinha quase seis minutos por bloco e Natália Bonavides (PT), mais de três.

“Paulinho tinha 35 anos de vida pública e nunca tinha feito nada como vereador, nem como deputado. Ele passou mais de 30 anos na Câmara Municipal e você não o destaca em nada, no esporte, cultura, educação, saúde, nada. Então, o marketing de Paulinho foi tentar me desconstruir. Com um minuto de televisão, eu não tinha como me defender, não tinha como reagir àquilo. Você pega o horário nobre, com 53 inserções só batendo, batendo, batendo direto em mim”, afirmou.

O ex-prefeito disse que Allyson, diferentemente dele em 2024, terá cerca de seis minutos por bloco do horário eleitoral. Esse espaço, segundo ele, permitirá ao candidato apresentar propostas e responder aos ataques dos adversários. “Agora, quem tem o tempo que Paulinho teve é Allyson Bezerra. Allyson tem até um pouco mais. Se for atacado, como já está começando, ele pode se defender e mostrar as propostas dele”, declarou.

Carlos Eduardo apontou ainda como trunfos de Allyson a aprovação obtida ao final da gestão em Mossoró, o carisma e o desempenho nas redes sociais. Ele afirmou estar impressionado com a recepção encontrada pelo candidato em Natal.

“Há uma grande empatia dele com a população. Ele é bem recebido, é acolhido, as pessoas vão até ele e o abraçam. É um negócio impressionante”, relatou. Para o ex-prefeito, Allyson está entre os políticos brasileiros que melhor utilizam as plataformas digitais para estabelecer contato direto com o eleitorado. “Isso está fazendo a diferença”, avaliou.

Atuação em Natal

Carlos Eduardo afirmou que sua colaboração com a campanha de Allyson será concentrada na organização política e na mobilização da campanha em Natal. Ele participará da preparação de reuniões nos bairros e, ao longo da campanha, de carreatas e outras atividades de rua. “Nós vamos, cada vez mais, chegar junto da população para conversar com o eleitor e com a eleitora. Esse é o grande desafio: ocupar as ruas, as praças e as avenidas da cidade de Natal”, explicou.

O ex-prefeito procurou minimizar a resistência manifestada por vereadores à sua participação na coordenação. De acordo com Carlos Eduardo, a reação ficou restrita aos parlamentares Tércio Tinoco (União) e João Batista Torres (DC), integrantes da base do prefeito Paulinho Freire na Câmara Municipal. “Os demais vereadores e os suplentes me procuraram, telefonaram e disseram que aquela afirmação não falava por eles”, relatou.

Apesar da divergência, Carlos Eduardo declarou que não pretende aprofundar o conflito e considera o episódio superado. Ele também relativizou o título de coordenador, apresentando-se como um dos colaboradores responsáveis pela campanha na capital.

“Essa coisa de coordenar é uma tarefa enorme. Nós estamos junto a vários companheiros envolvidos na campanha de Allyson ao Governo do Estado. Estamos somando, e a coisa está fluindo muito bem, muito bem organizada”, afirmou.