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Economia

Agropecuária eleva-se em 11,7% ano passado e responde por 1/3 do PIB

Mesmo com participação relativamente modesta na estrutura produtiva, o desempenho do campo superou com folga os demais segmentos
O Correio de Hoje
04/03/2026 | 19:04

A agropecuária foi o principal motor da economia brasileira em 2025. O setor avançou 11,7% na comparação com 2024 e respondeu por 32,8% da expansão de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no período, segundo dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mesmo com participação relativamente modesta na estrutura produtiva — 7% do PIB —, o desempenho do campo superou com folga os demais segmentos. A segunda atividade que mais contribuiu para o crescimento foi a indústria extrativa, que registrou alta de 15,3%, mas com peso bem menor na composição do avanço agregado.

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Produção de soja (foto) bateu recorde no País, seguido do milho, que continuam sendo as duas culturas mais importantes - foto: Divulgação

Coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis destacou que o resultado do setor chamou atenção pela magnitude. “Apesar de ser uma atividade que não pesa tanto no PIB, a agropecuária cresceu tanto que foi a que contribuiu mais para o crescimento”, afirmou.

O avanço fez o setor ampliar sua participação na economia brasileira, de 6,7% em 2024 para 7,1% em 2025. Ainda assim, a fatia permanece abaixo do pico recente, de 7,7% em 2021. Em uma perspectiva mais longa, porém, o ganho estrutural é evidente: em 2010, a agropecuária representava 4,8% do PIB.

Apesar do protagonismo do campo, o setor de serviços seguiu como o de maior peso na economia, com 69,5% do PIB em 2025, ante 68,9% no ano anterior. Já a indústria extrativa viu sua participação recuar de 24,4% para 23,4% no período. Segundo Palis, a perda de peso relativa da atividade está associada à queda do preço internacional do petróleo ao longo do ano passado.

De acordo com a técnica do IBGE, o desempenho da agropecuária foi puxado principalmente pela agricultura. O país registrou safras recordes de soja e milho, culturas que, juntas, representam cerca de 45% da lavoura nacional.

A produção de soja cresceu 14,6% em 2025, enquanto o milho avançou 23,6%. A laranja também teve desempenho expressivo, com alta de 28,4%, além de ganhos de produtividade em diversas culturas.

“A gente teve um ano recorde de safra de soja e milho, e essas safras têm um peso muito grande no primeiro trimestre. Depois caiu um pouquinho, mas na média do ano houve crescimento bastante significativo”, afirmou Palis.

Embora o destaque tenha sido a agricultura, a pecuária também contribuiu para o resultado, com crescimento relevante na criação de bovinos e na produção de leite.

Em boletim divulgado após os dados do IBGE, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda estimou crescimento de 2,3% do PIB em 2026, ritmo semelhante ao observado em 2025. A expectativa, porém, é de desaceleração acentuada da agropecuária, compensada por maior dinamismo da indústria e dos serviços. Segundo a pasta, a menor produção esperada de milho e arroz, além da redução do abate de bovinos em razão da reversão do ciclo pecuário, deve limitar a expansão do setor, mesmo diante da perspectiva de nova safra recorde de soja.